28 dez
Domingo dentro da Oitava do Natal


🌟Neste Domingo, imerso na alegria da Oitava do Natal (audio), a liturgia nos conduz do silêncio sagrado da noite santa, onde o Verbo Onipotente desceu do trono real, para a realidade profética do Templo. Celebramos a vinda do Cristo-Rei como uma Criança, mas somos imediatamente confrontados com o propósito de sua vinda: a Redenção. A Epístola nos recorda que Ele veio para nos libertar da escravidão da lei e nos elevar à dignidade de filhos adotivos de Deus, capazes de clamar "Abba, Pai". O Evangelho aprofunda este mistério, apresentando-nos os exemplos de fé de Maria, José, Simeão e Ana. Contudo, a admiração diante do Menino é atravessada pela profecia de Simeão, que anuncia Jesus como "sinal de contradição" e prediz a espada de dor que transpassará a alma de Sua Mãe. Assim, o altar se torna para nós, simultaneamente, o presépio da Natividade e o Calvário da Paixão, revelando que a glória do Natal é inseparável do sacrifício da Cruz.

📖Introito (Sab 18, 14-15 | Sl 92, 1)

Dum médium siléntium tenérent ómnia, et nox in suo cursu médium iter háberet, omnípotens Sermo tuus, Dómine, de coelis a regálibus sédibus venit. Ps. Dóminus regnávit, decórem indútus est: indútus est Dóminus fortitúdinem, et præcínxit se. 
Quando tudo repousava em profundo silêncio, e a noite ia no meio de seu curso, baixou, Senhor, dos céus, do trono real, vosso Verbo onipotente. O Senhor é Rei, envolto em magnificência; revestiu-se o Senhor de força e cingiu-se.

📜Epístola (Gl 4, 1-7)

Irmãos: Enquanto o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que de tudo seja senhor; mas está sujeito a tutores e curadores até o tempo determinado pelo pai. Assim, também nós, quando éramos meninos, éramos sujeitos às leis do mundo. Quando porém, se cumpriu a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, sujeito à lei, a fim de remir os que à lei estavam sujeitos e para que recebêssemos a adoção de filhos. E porque sois filhos, enviou Deus a vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai. Portanto já nenhum de vós é servo, mas filho; e se é filho, é também herdeiro por Deus.

✝️Evangelho (Lc 2, 33-40)

Naquele tempo, José e Maria, Mãe de Jesus, maravilhavam-se das coisas que se diziam dele. E Simeão abençoou-os, e disse a Maria, Mãe de Jesus: Eis que este Menino está destinado para ser ruína e ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada transpassará a tua alma, para que se manifestem os pensamentos dos corações de muitos. E estava também ali, Ana, profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser, a qual já era muito idosa; e depois de sua virgindade vivera sete anos com seu marido. E agora, sendo viúva de quase oitenta e quatro anos, não se afastava do templo, servindo a Deus com jejuns e orações, de dia e de noite. Tendo ela chegado àquela mesma hora, louvava ao Senhor и falava do Menino a todos os que esperavam a redenção de Israel. E quando cumpriram todas as coisas segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. E o Menino crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com Ele.

🕊️A Profecia no Templo: Alegria e Sacrifício

🕯️A liturgia de hoje tece uma ponte indissolúvel entre a manjedoura e a cruz, revelando que toda a vida de Cristo é um único mistério de Redenção. A Epístola aos Gálatas proclama o propósito divino na "plenitude do tempo": a filiação adotiva. Deus nos fez herdeiros não por nossos méritos, mas pelo envio de Seu Filho, nascido "sujeito à lei, a fim de remir os que à lei estavam sujeitos". Esta libertação, contudo, tem um preço, e o Evangelho o desvela na profecia de Simeão. O mesmo Menino que é a alegria de seus pais e a esperança de Israel é apresentado como "sinal de contradição", destinado à "ruína e ressurreição de muitos". Santo Agostinho explica essa dualidade: “Ele é ruína para aqueles que, sendo maus, constroem mal, pois destrói o que eles constroem; e é ressurreição para aqueles que jazem caídos, para que construam bem” (Santo Agostinho, Sermão 51). Cristo obriga a uma decisão fundamental, revelando "os pensamentos dos corações". A espada que transpassa a alma de Maria é a sua íntima participação na Paixão de seu Filho; ela, que O apresentou no Templo, O acompanhará até o Calvário, unindo seu sofrimento ao d'Ele para a salvação do mundo. O Catecismo da Igreja Católica afirma que "toda a vida de Cristo é um mistério de recapitulação" (CIC 518), onde Ele restaura o que Adão perdeu. A apresentação no Templo é o início da oferta que se consumará na Cruz. Assim, ao nos aproximarmos do altar, encontramos não apenas a Criança do presépio, mas o Cordeiro imolado, cuja fragilidade esconde o poder de nos fazer filhos no Filho, herdeiros da promessa eterna.

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