terça-feira, 14 de julho de 2026

14 JULHO ✧ S. BOAVENTURA, BISPO, CONFESSOR E DOUTOR ✧ o sal da sabedoria e a luz da sã doutrina no combate espiritual

Introito - In medio Ecclesiae aperuit os ejus: et implevit eum Dominus Spiritu sapientiae, et intellectus: stolam gloriae induit eum. Ps. Bonum est confiteri Domino: et psallere nomini tuo, Altissime. V. Gloria Patri.No meio da Igreja, o Senhor o fez falar; encheu-o do Espírito de sabedoria e inteligência, e revestiu-o com uma túnica de glória. Sl. É bom louvar ao Senhor e cantar salmos a vosso Nome, ó Altíssimo. V. Glória ao Pai.

João de Fidanza, tocado ainda no berço pela graça da cura através de São Francisco de Assis, que ao vê-lo exclamou "Ó boa ventura!", tornou-se um dos astros mais fulgurantes do firmamento católico. Nascido na Itália em 1221, ingressou nas fileiras da Ordem Menor, onde sua inteligência agudíssima uniu-se a um amor ardente pelo Crucificado, rendendo-lhe o glorioso título de Doutor Seráfico. Mestre em Paris ao lado de Santo Tomás de Aquino, governou a família franciscana com prudência invejável durante quase duas décadas, pacificando discórdias e preservando o primitivo espírito de pobreza evangélica contra as inovações temerárias. Elevado à dignidade de Cardeal-Bispo de Albano, entregou sua alma puríssima a Deus no ano de 1274, enquanto trabalhava incansavelmente no Concílio de Lyon pela reunificação com os cismáticos. Seu corpo foi venerado e encontrou repouso na Basílica de São Boaventura, em Lyon, de onde sua memória continua a exalar o bom odor de Cristo por toda a Santa Igreja.


Contemplai, amados irmãos, o imenso mistério que a Liturgia hoje desvenda sobre o altar! "No meio da Igreja o Senhor abriu a sua boca", entoa o Introito, apontando para o resplendor teológico do Doutor Seráfico. Mas pergunto-vos: que boca é essa que se abre diante do mundo? Não é a de um mercenário sedento de aplausos, tampouco a de um lisonjeador que adultera o cálice do Evangelho para torná-lo tragável aos paladares doentes de seu século. Não! É a boca de um profeta inflamado pelo amor da Cruz! Vivemos dias sombrios, caríssimos, dias que o Apóstolo previu com aterradora clareza na Epístola desta Missa: tempos em que os corações, enfastiados do sacrifício e fascinados pelo brilho fugaz dos deleites terrenos, já não suportam a austeridade da verdade. Quantos, ostentando títulos de guias, injetam o veneno no aprisco não por combates abertos, mas por concessões sutis, por ambiguidades calculadas e ensinamentos diluídos, buscando o afago dos homens em vez do beneplácito do Deus vivo? Acaso não vedes como a comodidade secular tenta profanar o próprio santuário? Contra essa névoa letal, a Providência ergueu o nosso Santo. Em seu tempo, quando os desvios tentavam perverter a fé - transformando-a ora em rebelião anárquica, ora em racionalismo frio sem caridade -, ele empunhou a espada da sabedoria purificadora. Foi ele o sal que preservou a mística cristã da corrupção e a luz que afugentou as trevas do erro. Como ensinam os grandes Doutores, a verdadeira teologia não é mero exercício retórico, mas irradiação do amor divino. Que salvação há em uma fé que foge do madeiro ensanguentado? Que luz é essa que brilha sem queimar as escórias da nossa concupiscência? São Boaventura não separou o altar da inteligência. Para a alma católica, a sagrada Liturgia não é um teatro vazio para os sentidos, mas o fogo devorador onde a mente se ilumina e a vontade se abrasa, elevando-nos das sombras do tempo para a aurora incriada da eternidade. Não vos deixeis pisar pela arrogância deste século! Purificai vossos ouvidos, repudiai os falsos mestres das facilidades terrenas e, cingidos com a armadura da sã doutrina, caminhai resolutos sob a luz da graça para o justo Juiz, que nos aguarda com a coroa imarcescível da justiça!

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Epístola (II Tim 4, 1-8) - Caríssimo: Conjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos por sua vinda e por seu Reino: prega a palavra, insiste, quer agrade, quer desagrade, repreende, suplica, admoesta com toda a paciência e doutrina. Porque virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas multiplicarão para si mestres conforme os seus desejos, levados pela curiosidade de ouvir. E afastarão os ouvidos da verdade para os abrirem às fábulas. Tu, porém, vigia, trabalha em todas as coisas, faze obra de um Evangelista, desempenha o teu ministério. Sê sóbrio. Quanto a mim, já estou para ser crucificado, e o tempo de minha morte se avizinha. Combati o bom combate; terminei a minha carreira: guardei a fé. Resta-me esperar a coroa da justiça que me está reservada, que o Senhor, justo Juiz, me dará nesse dia. E não só a mim, como também àqueles que desejam a sua vinda.


Evangelho (Mt 5, 13-19) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Vós sois o sal da terra. Se o sal perder a sua força, como há de receber nova força? Para nada mais presta senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Uma cidade situada sobre um monte, não pode ser escondida. E ninguém acende uma luz para pô-la debaixo do alqueire, mas sim no candieiro, para alumiar a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está no céu. Não julgueis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, e sim cumprir. Porque, em verdade vos digo: enquanto não passar o céu e a terra, nem uma letra, nem um pontinho desaparecerá da lei, até que tudo seja realizado. Aquele, pois, que transgredir um destes mandamentos por pequeno que seja e ensinar assim aos homens, será chamado mínimo no Reino dos céus; mas o que os guardar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos céus.