quinta-feira, 23 de julho de 2026

23 JULHO ✧ S. APOLINÁRIO, BISPO E MÁRTIR ✧ o verdadeiro pastor e o serviço do altar contra a soberba do mundo

Introito - Sacerdótes Dei, benedícite Dóminum; sancti et húmiles corde, laudáte Deum. Benedícite, ómnia ópera Dómini, Dómino: laudáte et superexaltáte eum in sǽcula. Gloria Patri... Sacerdotes de Deus, bendizei o Senhor; santos e humildes de coração, louvai a Deus. Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor; louvai-O e exaltai-O por todos os séculos. Glória ao Pai...


Consagrado pelo próprio Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, o glorioso Santo Apolinário foi enviado como o primeiro bispo a Ravena, no alvorecer do Cristianismo, quando as densas trevas do paganismo ainda cobriam a terra. Ali, armado não com a espada de ferro, mas com a insuperável espada do Espírito, ele iluminou os corações através de pregações ardentes e estupendos milagres, arrancando inúmeras almas das garras da idolatria. Como o ouro provado no crisol, sua fé inabalável enfrentou o furor do inferno; suportou cruéis torturas, o amargo exílio e, finalmente, coroou sua vida de abnegado sacrifício derramando seu sangue pelo rebanho nas terras da Dalmácia e de Ravena no século I. Seus restos mortais repousam na majestosa Basílica de Santo Apolinário em Classe, de onde seu testemunho perpétuo ainda ressoa aos pastores de todos os séculos sobre o preço da verdadeira fidelidade a Cristo.

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Ouçamos, almas cristãs, o rugido que ecoa nas severas palavras da Epístola de hoje: o demônio, como leão a rugir, ronda buscando a quem devorar. Que visão tremenda! E não é verdade que, no tempo presente, este leão avança não apenas com garras expostas, mas transvestido de luz e mansidão? Contemplai a nossa época, tão enamorada de si mesma, que repudia as asperezas da sã doutrina e foge do mistério do sacrifício para lançar-se nos braços das facilidades mundanas. Hoje, respira-se um ar venenoso que penetrou sorrateiramente no interior do redil, sussurrando aos ouvidos dos fiéis que a Igreja deve moldar-se aos aplausos humanos, que a verdade perene deve ser diluída por sutis adaptações e que o caminho para o céu pode dispensar a cruz. Como se o eterno pudesse rebaixar-se para agradar aos que perecem! Mas fixai os olhos em Santo Apolinário: sua grande missão fundadora ergueu-se exatamente contra o terrível mal de sua era - a adoração do poder terreno e o culto ao prazer. Ele não mascarou as exigências do Evangelho para ser aceito nos palácios do império; ele pregou a verdade derramando o próprio sangue. No Santo Evangelho, o Cristo estabelece o fosso intransponível entre o altar e o mundo: os reis das nações dominam, mas entre vós não será assim. O Criador do universo desce à condição de escravo, ensinando-nos, como afirmam os grandes doutores e luminares do passado, que a verdadeira força de um pastor reside na caridade desinteressada e que a soberba se esmaga apenas com a perfeita humildade. Que diremos nós, que tantas vezes mendigamos as honrarias da terra e fugimos das aflições temporais? Abandonaremos o esplendor da graça para buscar as sombras deste século fugaz? Despertemos do sono da frouxidão! Que a sagrada liturgia desta festa arranque nossos corações da lama do egoísmo e os eleve às coisas celestes. Humilhemo-nos sob a mão poderosa de Deus, vigiemos com sobriedade, para que, resistindo firmes na fé, possamos um dia receber do Príncipe dos pastores a coroa incorruptível da eternidade.


Epístola (I Pe 5, 1-11) - Caríssimos: Aos mais velhos, que estão entre vós, peço eu, como da mesma idade e testemunha da Paixão do Cristo, eu que tive parte também nesta glória que será revelada no futuro: Apascentai o rebanho que Deus vos confiou, velando sobre ele, não por constrangimento, porém espontaneamente, conforme a vontade de Deus; não por um ganho vergonhoso, porém por dedicação. Não vos porteis como senhores sobre a herança de Deus, porém tornando-vos um exemplo para o rebanho, do íntimo do coração. E quando aparecer o príncipe dos pastores, vós obtereis a coroa incorruptível da glória; e vós também, ó jovens, submetei-vos aos mais velhos. Sede todos humildes uns para com os outros; porque Deus resiste aos soberbos, e aos humildes dá a sua graça. Humilhai-vos, pois, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele vos eleve, no tempo de sua visita. Confiai-Lhe todos os vossos cuidados, pois é Ele quem toma conta de vós. Sede sóbrios e vigiai; vosso adversário, o demônio, como um leão ameaçador, anda em redor, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé, sabendo que os vossos irmãos, que estão neste mundo, suportam as mesmas aflições. O Deus de toda a graça que nos chamou para a sua eterna glória no Cristo Jesus, aperfeiçoará Ele mesmo os vossos passos, vos sustentará e vos fortificará. A Ele, honra e glória por todos os séculos dos séculos.


Evangelho (Lc 22, 24-30) - Naquele tempo, levantou-se entre os discípulos uma discussão sobre qual deles deveria ser considerado o maior. Jesus porém lhes disse: Os reis das nações dominam sobre elas; e os que têm autoridade sobre elas se fazem chamar de benfeitores. Não façais assim; porém, o que for o maior entre vós, seja como o menor; e o que governa, seja como o que serve. Por que, qual é o maior? o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está assentado à mesa? Eu estou no entanto no meio de vós, como o que serve; vós sois os que permanecestes comigo em minhas provações. E eu vos preparo um Reino, como meu Pai preparou para mim. Vós comereis e bebereis, à minha mesa, em meu Reino; estareis sentados sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel.