17 nov
S. Gregório Taumaturgo, Bispo e Confessor


🙏Gregório nasceu em Neocesareia por volta de 213. Discípulo de Orígenes, tornou-se bispo de sua cidade natal, destacando-se por sua doutrina e santidade. Sua fama, contudo, provém principalmente dos inúmeros e extraordinários milagres que realizou, o que lhe valeu o epíteto de "Taumaturgo" (o que opera maravilhas). Comparado por São Basílio a Moisés e aos Apóstolos, sua intercessão moveu uma montanha que impedia a construção de uma igreja, secou um lago que era fonte de discórdia entre irmãos e deteve as inundações do rio Lico fixando seu bastão na margem, que se transformou em uma grande árvore, servindo de limite permanente para as águas. Além de expulsar demônios e converter multidões à fé cristã, possuía o dom da profecia. Ao sentir a morte se aproximar, perguntou quantos infiéis ainda restavam em Neocesareia e, ao ser informado que eram apenas dezessete, agradeceu a Deus, pois este era o mesmo número de fiéis que encontrou no início de seu episcopado. Seus escritos, assim como seus milagres, continuaram a iluminar a Igreja. Morreu entre 270 e 275.

📜Epístola (Eclo 44, 16-27; 45, 3-20)

Eis o grande sacerdote que nos dias de sua vida agradou a Deus e foi considerado justo; no tempo da ira, tornou-se a reconciliação dos homens. Ninguém o igualou na observância das leis do Altíssimo. Por isso o Senhor jurou que o havia de glorificar em sua descendência. Abençoou nele todas as nações e confirmou sua aliança sobre a sua cabeça. Distinguiu-o com as suas bênçãos; conservou-lhe a sua misericórdia e ele achou graça diante do Senhor. Enalteceu-o diante dos reis e deu-lhe uma coroa de glória. Fez com ele uma aliança eterna; deu-lhe o sumo sacerdócio, e encheu-o de felicidade na glória, para exercer o sacerdócio, cantar louvores a seu Nome e oferecer-Lhe dignamente incenso de agradável odor.

💰Evangelho (Mt 25, 14-23)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: Um homem, indo viajar para longe, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e ao terceiro um, a cada qual segundo a sua capacidade. E partiu logo depois. Aquele que havia recebido os cinco talentos, foi-se e negociou com eles, e lucrou outros cinco. Da mesma sorte, o que recebera os dois talentos ganhou também outros dois. Mas o que havia recebido um só, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor. Passado muito tempo, voltou o senhor desses servos, e chamou-os a contas. Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo-lhe: Senhor, vós me entregastes cinco talentos; eis outros cinco mais que lucrei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, porque foste fiel no pouco, sobre muito te porei; entra na alegria de teu senhor. Apresentou-se também o que recebera os dois talentos e disse: Senhor, vós me entregastes dois talentos; eis aqui outros dois mais que eu ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, porque foste fiel no pouco, sobre muito te porei; entra na alegria de teu Senhor.

🤔Reflexões

🌱A liturgia de hoje nos apresenta uma harmoniosa síntese entre a graça divina e a correspondência humana, personificada na figura de São Gregório Taumaturgo e ilustrada pela Parábola dos Talentos. O Evangelho narra como um senhor distribui seus bens "a cada qual segundo a sua capacidade", revelando que os dons de Deus, embora diversos, são concedidos com sabedoria e propósito. São Gregório é o exemplo vivo do servo que recebeu "cinco talentos" — a inteligência aguçada, a formação com Orígenes, o carisma da santidade e o poder extraordinário de realizar milagres. Ele não os enterrou por medo ou preguiça, mas os "negociou", empregando cada dom para a glória de Deus e a salvação das almas. Sua vida foi um constante investimento espiritual, cujo lucro foi a conversão de quase uma cidade inteira, um testemunho eloquente de que a fidelidade no "pouco" — a gestão dos dons recebidos — conduz à posse do "muito": a alegria eterna do Senhor.

🕊️A Epístola, extraída do Livro do Eclesiástico, descreve o perfil do "grande sacerdote" que "agradou a Deus" e se tornou "reconciliação dos homens". Essa passagem não apenas se aplica a São Gregório como bispo, mas aprofunda a teologia dos talentos. Os dons não são para autoexaltação, mas para o serviço sacerdotal, seja o ministerial ou o comum dos fiéis. São Gregório usou seus milagres não para seu próprio renome, mas para "cantar louvores" e "oferecer incenso de agradável odor" a Deus, isto é, para conduzir o povo à verdadeira adoração. Santo Agostinho, meditando sobre a graça, ensina que todo mérito humano é, em última análise, um dom de Deus. Ele afirma: "Deus, ao coroar nossos méritos, não coroa senão os Seus próprios dons" (Santo Agostinho, Carta 194, 5, 19). Assim, os "outros cinco talentos" que o servo fiel apresenta não são uma criação do nada, mas o fruto da graça divina que ele soube cultivar. O Catecismo da Igreja Católica reitera que "o mérito do homem junto de Deus na vida cristã provém do fato de que Deus dispôs livremente associar o homem à obra da sua graça" (CIC, 2008). São Gregório não moveu a montanha por sua força, mas pela força de Deus que operava nele.

🌍A mensagem central da liturgia de hoje é um chamado universal à fecundidade espiritual. A parábola adverte contra a paralisia do servo que, recebendo um talento, o escondeu. Este ato não representa a humildade, mas a omissão culposa, a recusa em participar do plano divino de salvação. Cada cristão recebe talentos: a fé batismal, os sacramentos, dons naturais, oportunidades de caridade. O Missal Romano, em suas orações, frequentemente nos convida a imitar as virtudes dos santos, não para replicar seus milagres extraordinários, mas para espelhar sua fidelidade no ordinário. São Gregório, com sua história impressionante, nos ensina que o maior milagre é a transformação de um coração e a edificação da Igreja. A "alegria de teu Senhor" não é apenas uma promessa escatológica, mas uma realidade que começa a ser saboreada aqui, na terra, por aqueles que, como o Taumaturgo, se tornam "servos bons e fiéis", multiplicando os dons recebidos para a expansão do Reino de Deus.