26 jan
S. Policarpo, bispo e mártir


📜São Policarpo, venerado Bispo de Esmirna e um dos Padres Apostólicos, foi discípulo direto do Apóstolo São João e mestre de Santo Irineu de Lyon, constituindo um elo vital e sagrado entre a era apostólica e a Igreja primitiva. Sua epístola aos Filipenses respira a fé ardente e a ortodoxia cristã, exortando os fiéis à perseverança e à virtude evangélica. Aos 86 anos de idade, durante uma violenta perseguição, foi intimado a amaldiçoar a Cristo, ao que respondeu com a célebre declaração de fidelidade àquele que jamais lhe fizera mal algum em tantos anos de serviço. Condenado à fogueira, as chamas milagrosamente não o consumiram, formando uma abóbada ao seu redor como velas de um navio infladas pelo vento, sendo ele finalmente martirizado pelo golpe de uma espada por volta do ano 155 d.C.

🎼Introito (Eclo 45, 30 | Sl 131, 1)

Sacerdótes Dei, benedícite Dóminum: sancti et húmiles corde, laudáte Deum. Ps. Benedícite, ómnia ópera Dómini, Dómino: laudáte et superexaltáte eum in sǽcula.

Sacerdotes de Deus, bendizei ao Senhor; santos e humildes de coração, louvai a Deus. ℣. Obras do Senhor, bendizei todas ao Senhor; louvai-O e exaltai-O por todos os séculos dos séculos.

✉️Epístola (I Jo 3, 10-16)

Caríssimi: Omnis qui non est justus, non est ex Deo, et qui non díligit fratrem suum: quóniam hæc est annuntiátio, quam audístis ab inítio, ut diligátis altérutrum. Non sicut Cain, qui ex malígno erat, et occídit fratrem suum. Et propter quid occídit eum? Quóniam ópera ejus malígna erant: fratris autem ejus justa. Nolíte mirári fratres, si odit vos mundus. Nos scimus quóniam transláti sumus de morte ad vitam, quóniam dilígimus fratres. Qui non díligit, manet in morte: omnis qui odit fratrem suum, homicída est. Et scitis, quóniam omnis homicída non habet vitam ætérnam in semetípso manéntem. In hoc cognóvimus caritátem Dei, quóniam ille ánimam suam pro nobis pósuit: et nos debémus pro frátribus ánimas pónere.

Caríssimos: Quem não é justo, não é de Deus; assim também aquele que não ama seu irmão. O que foi anunciado e ouvistes desde o começo, é que vos ameis uns aos outros. Não sejais como Caim, que era do espírito maligno e matou o seu irmão. E por que ele o matou? Porque as suas obras eram más e as do irmão eram boas. Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte à vida, porque amamos os irmãos. O que não ama permanece na morte. Todo o que odeia a seu irmão é um homicida e sabeis que nenhum homicida tem em si, permanente, a vida eterna. Nisto conhecemos o amor de Deus: porque Ele deu sua vida por nós. Também nós devemos dar nossa vida pelos irmãos.

✠Evangelho (Mt 10, 26-32)

In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis: Nihil est opértum, quod non revelábitur; et occultum, quod non sciétur. Quod dico vobis in tenebris, dícite in lúmine: et quod in aure audítis, prædicáte super tecta. Et nolíte timére eos, qui occídunt corpus, ánimam autem non possunt occídere; sed potius timéte eum, qui potest et ánimam et corpus pérdere in gehénnam. Nonne duo pásseres asse véneunt: et unus ex illis non cadet super terram sine Patre vestro? Vestri autem capílli cápitis omnes numeráti sunt. Nolíte ergo timére: multis passéribus melióres estis vos. Omnis ergo, qui confitébitur me coram homínibus, confitébor et ego eum coram Patre meo, qui in cœlis est.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Não há nada escondido que não se venha a revelar, nem oculto que não se venha a saber. O que eu vos digo nas trevas, dizei-o vós à luz do dia; e o que vos é dito ao ouvido, pregai-o de cima dos telhados. Não tenhais medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei, antes, Aquele que pode lançar no inferno a alma e o corpo. Porventura não se vendem dois pardais por um vintém? E nem um deles cai em terra sem a vontade de vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos de vossa cabeça estão contados. Não tenhais medo, pois valeis mais que muitos pássaros. Todo aquele, pois, que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está no céu.

🩸O perfeito amor lança fora o temor

🔥A liturgia de hoje une de forma sublime a doutrina da caridade fraterna, exposta por São João na Epístola, à exortação à coragem no Evangelho de São Mateus, encontrando em São Policarpo a síntese viva destes ensinamentos. O Apóstolo Amado ensina que a prova irrefutável de termos passado da morte para a vida é o amor aos irmãos, um amor que imita a Cristo ao ponto de "dar a vida" por eles. Este não é um sentimento passageiro, mas uma disposição da vontade enraizada na Verdade. Santo Agostinho, ao refletir sobre a natureza do martírio e o medo, esclarece que "o mártir não é aquele que não sente medo, mas aquele que, amando a Deus mais do que a própria vida, vence o terror da morte corporal pelo desejo da vida eterna; pois quem teme a Deus não precisa temer os homens, visto que os homens só podem ferir o vaso de barro, mas Deus tem o poder de salvar ou condenar o tesouro que nele habita" (Santo Agostinho, Tratado sobre o Evangelho de João). Jesus reforça esta hierarquia de valores ao ordenar que não temamos "os que matam o corpo", revelando que a verdadeira segurança do cristão reside na Providência Divina, que conta até os cabelos de nossa cabeça. Policarpo, ao recusar a apostasia diante das chamas, demonstrou que a confissão de fé diante dos homens é o reflexo externo de uma caridade interna que já venceu o mundo. Como ensina o Catecismo e a tradição da Igreja, o martírio é o supremo testemunho da verdade da fé, um ato de fortaleza que ratifica a união total do discípulo com o Mestre, garantindo a promessa evangélica: "aquele que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai".