21 jan
S. Inês, virgem e mártir


🕊️Santa Inês, nobre romana nascida por volta de 291 e martirizada em 304, aos treze anos, durante a terrível perseguição do imperador Diocleciano, tornou-se um dos símbolos mais radiantes da pureza e fortaleza cristã. Consagrando sua virgindade a Cristo desde a tenra idade, rejeitou obstinadamente as propostas de casamento de pretendentes influentes, o que resultou em sua denúncia às autoridades pagãs. Submetida a humilhações públicas e ameaças de tortura, incluindo a exposição ao fogo e a um lupanar, manteve sua fé e integridade intactas, protegida pela graça divina. Por fim, foi decapitada, recebendo a dupla coroa da virgindade e do martírio. Seu nome foi inscrito no Cânon Romano da Missa, e sua memória é venerada universalmente como exemplo de que a força de Deus se aperfeiçoa na fraqueza humana.

⚔️Introito (Sl 118, 95-96 | ib., 1)
Me exspectavérunt peccatores, ut pérderent me: testimónia tua, Dómine, intelléxi: omnis consummatiónis vidi finem: latum mandátum tuum nimis. Ps. Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. ℣. Glória ao Pai.

Pecadores me esperavam para me perder, porém eu compreendi os vossos ensinamentos, Senhor. Vi o fim de tudo o que parecia perfeito; somente a vossa lei não tem limites. Sl. Bem-aventurados os que se mantêm sem mácula no caminho, os que andam na lei do Senhor. ℣. Glória ao Pai.

📜Epístola (Eclo 51, 1-8 e 12)
Confitébor tibi, Dómine, Rex, et collaudábo te Deum, Salvatórem meum. Confitébor nómini tuo: quóniam adjútor et protéctor factus es mihi, et liberásti corpus meum a perditióne, a láqueo linguæ iníquæ et a lábiis operántium mendácium, et in conspéctu astántium factus es mihi adjútor. Et liberásti me secúndum multitúdinem misericórdiæ nóminis tui a rugiéntibus, præparátis ad escam, de mánibus quæréntium ánimam meam, et de portis tribulatiónum, quæ circumdedérunt me: a pressúra flammæ, quæ circúmdedit me, et in médio ignis non sum æstuáta: de altitúdine ventris inferi, et a lingua coinquináta, et a verbo mendácii, a rege iníquo, et a lingua injústa: laudábit usque ad mortem ánima mea Dóminum: quóniam éruis sustinéntes te, et líberas eos de mánibus géntium, Dómine, Deus noster.

Glorificar-Vos-ei, ó Senhor, meu Rei, e louvar-Vos-ei, ó Deus, Salvador meu. Celebrarei o vosso Nome porque Vos fizestes meu auxílio e meu protetor e livrastes o meu corpo da perdição, do laço da língua iníqua e dos lábios dos mentirosos. Diante dos meus adversários Vos declarastes o meu defensor. Livrastes-me, segundo a vossa grande misericórdia, dos que rugiam preparados para me devorar; das mãos dos que procuravam tirar-me a vida; do poder das tribulações que me cercavam, da violência da chama que me envolvia, e, no meio do fogo, não senti calor; das profundezas do inferno e da língua impura, da palavra de mentira, de um rei iníquo e da língua injusta. Minha alma louvará o Senhor até a morte, porque Vós livrais dos perigos aqueles que em Vós esperam, e os salvais das mãos dos gentios, ó Senhor, nosso Deus.

✠Evangelho (Mt 25, 1-13)
In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis parábolam hanc: Símile erit regnum cœlórum decem virginibus: quæ, accipiéntes lámpades suas, exiérunt óbviam sponso et sponsæ. Quinque autem ex eis erant fátuæ, et quinque prudéntes: sed quinque fátuæ, accéptis lampádibus, non sumpsérunt oleum secum: prudéntes vero accepérunt óleum in vasis suis cum lampádibus. Moram autem faciénte sponso, dormitavérunt omnes et dormiérunt. Média autem nocte clamor factus est: Ecce, sponsus venit, exíte óbviam ei. Tunc surrexérunt omnes vírgines illæ, et ornavérunt lámpades suas. Fátuæ autem sapiéntibus dixérunt: Date nobis de óleo vestro: quia lámpades nostræ exstinguúntur. Respondérunt prudéntes, dicéntes: Ne forte non suffíciat nobis et vobis, ite pótius ad vendéntes, et émite vobis. Dum autem irent émere, venit sponsus: et quæ parátæ erant, intravérunt cum eo ad núptias, et clausa est jánua. Novíssime vero véniunt et réliquæ vírgines, dicéntes: Dómine, Dómine, aperi nobis. At ille respóndens, ait: Amen, dico vobis, néscio vos. Vigiláte ítaque, quia nescítis diem neque horam.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo e da esposa. Cinco, porém, dentre elas, eram loucas e cinco prudentes. Ora, as cinco loucas, tomando as suas lâmpadas, não trouxeram azeite consigo. As prudentes, porém, com as suas lâmpadas, tomaram azeite em suas vasilhas. Tardando o esposo a chegar, todas elas tiveram sono e adormeceram. Quando era meia-noite, ouviu-se um grito: Eis que chega o esposo, saí-lhe ao encontro. Então se levantaram todas essas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos de vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Responderam as prudentes: Talvez não seja ele suficiente para nós e para vós; ide antes aos que o vendem e comprai-o para vós. Mas, enquanto elas foram comprá-lo, veio o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas; e a porta foi fechada. Mais tarde vieram também as outras virgens e chamaram: Senhor, Senhor, abri-nos. Ele lhes respondeu, dizendo: Em verdade vos digo: eu não vos conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

🕯️A Lâmpada Acesa da Caridade e o Óleo da Graça

A liturgia de hoje nos apresenta a figura luminosa de Santa Inês, cuja vida breve, mas intensa, encarna perfeitamente a parábola das virgens prudentes narrada no Evangelho. Santo Ambrósio, ao comentar sobre esta jovem mártir, destaca que nela a devoção superou a idade e a virtude venceu a natureza, pois, sendo menina, não tinha ainda idade para o suplício, mas estava madura para a vitória (De Virginibus). A parábola evangélica adquire, portanto, uma dimensão concreta: as lâmpadas representam a fé e a virgindade exterior, mas o azeite, que as virgens loucas negligenciaram, simboliza a caridade ardente, a boa consciência e a graça interior que sustenta o testemunho até o fim. Santo Agostinho nos ensina que não basta ter a lâmpada da profissão de fé; é necessário o óleo da caridade, que é o amor de Deus derramado em nossos corações, pois sem ele a lâmpada se extingue diante das provações (Sermão 93). Santa Inês possuía tanto a lâmpada da pureza quanto o azeite inesgotável do amor a Cristo, o que lhe permitiu entrar nas bodas eternas quando o Esposo chegou, ainda que a "meia-noite" de sua vida fosse o momento escuro da perseguição. O Introito e a Epístola reforçam essa teologia do martírio: ela viu o "fim de tudo o que parecia perfeito" no mundo material e, desprezando as ameaças do "rei iníquo", encontrou na lei de Deus um mandamento sem limites. A porta fechada para as virgens néscias é um alerta solene sobre a vigilância; não basta pertencer externamente ao corpo da Igreja, é preciso que a alma esteja vigilante, adornada com obras de justiça e santidade, pronta para o encontro definitivo, pois, como adverte o Senhor, não sabemos o dia nem a hora.