domingo, 5 de julho de 2026

VI DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES ✧ a multidão no deserto e o pão da vida eterna

Introito - Dóminus fortitudo plebis suæ, et protéctor salutárium Christi sui est. Salvum fac populum tuum, Dómine, et bénedic hereditáti tuæ, et rege eos usque in ætérnum. Ps. Ad te, Dómine, clamábo, Deus meus, ne síleas a me: nequándo táceas a me, et assimilábor descendéntibus in lacum.O Senhor é a força de seu povo, e o guarda das bênçãos de seu Ungido. Salvai o vosso povo, Senhor, e abençoai a vossa herança; regei-os até a eternidade. Sl. Por Vós, Senhor, eu clamo; não silencieis para comigo, meu Deus; pois se não me responderdes, serei semelhante aos que descem ao túmulo.

O Tempo depois de Pentecostes representa a longa peregrinação da Santa Igreja através dos séculos, guiada pelo Espírito Santo, atravessando o deserto deste mundo em direção à Pátria Celestial. A liturgia deste domingo nos remete aos primeiros tempos da Cristandade, quando os fiéis, plenamente conscientes de que o batismo os havia separado das vaidades do paganismo, reuniam-se nas augustas basílicas romanas, como a Arquibasílica de São João de Latrão, a mãe e cabeça de todas as igrejas. Ali, no esplendor dos santos mistérios, a multidão dos batizados, mortos para o mundo e vivos para Deus, era nutrida pelo próprio Cristo com o Pão descido dos Céus, para não desfalecer nos duros combates da fé.


Contemplai, amados irmãos, a multidão descrita no Evangelho de hoje. Três dias no deserto! Três dias esquecidos de seus lares, de seus negócios, de suas conveniências terrenas, cativados unicamente pela majestade da presença do Salvador. Santo Agostinho nos recorda que aquelas almas famintas não buscavam primeiramente o pão que perece, mas a Palavra Viva, a única capaz de saciar a voragem do coração humano. Que contraste terrível, que abismo assustador separa aquela multidão devota da triste mentalidade dos nossos dias! O mundo atual, ébrio de si mesmo, detesta o deserto. Seduzidos pelo ruído febril e pelas facilidades envenenadas, os homens forjam ídolos de conforto e repudiam a santa aspereza da Cruz. Pior ainda, este espírito mundano, escorregadio e rastejante, adentrou os átrios sagrados; vemos almas que se dizem católicas buscando corromper a sã doutrina, limando as arestas do Evangelho para mendigar os aplausos dos homens, oferecendo uma religião flácida, sem sacrifício, sem renúncia e sem calvário. Mas o que brada o Apóstolo na Epístola de hoje? Ouve, ó alma cristã, a voz de São Tomás de Aquino ecoando São Paulo: foste sepultado com Cristo no Batismo! Como pode um cadáver palpitar diante dos encantos do pecado? O "homem velho" foi pregado no madeiro! Não existe vida nova sem morte para a carne; não há triunfo luminoso sem a escuridão do sepulcro. Se te recusas a morrer para as tuas paixões, não poderás sentar-te à mesa do Senhor. Mas, àqueles que ousam entrar no deserto, àqueles que se despojam das lisonjas do século, Jesus dirige aquele olhar de infinita doçura: "Tenho compaixão deste povo". Ele toma os sete pães - que, segundo São Beda, são a imagem puríssima da plenitude dos dons do Espírito Santo - e prefigura o milagre estupendo do Altar. Santo Ambrósio se curva maravilhado diante desta superabundância da graça divina, que estilhaça a mesquinhez dos cálculos humanos. Meus irmãos, não mendigueis as migalhas de alegria que o mundo joga aos porcos! Renunciai às falsas doutrinas que prometem a glória sem a espada. Aproximai-vos do Altar, onde o próprio Deus se faz alimento. Deixai que o mundo morra para vós, para que Cristo viva em vós, e assim, saciados pelo Pão dos Anjos, não desfaleçais no caminho que conduz da poeira do tempo aos esplendores da eternidade!

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Epístola (Rm 6, 3-11) - Irmãos: Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo, batizados fomos em sua morte. E assim nós fomos sepultados com Ele, pelo batismo para a morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos em uma vida nova. Realmente se fomos a plantados juntamente com Ele na semelhança de sua morte, também o seremos na semelhança de sua Ressurreição. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja destruído o corpo do pecado e ao pecado nunca mais sirvamos. O que está morto desse modo, justificado está do pecado. Ora, se somos mortos com o Cristo, cremos que com o Cristo também viveremos, pois sabemos que o Cristo, ressuscitado dentre os mortos, já não morre, nem a morte O dominará mais. Porque, a sua morte foi morte para o pecado uma só vez, mas o que diz respeito à sua vida, vive para Deus. Assim, tende-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, no Cristo Jesus, Nosso Senhor.


Evangelho (Mc 8, 1-9) - Naquele tempo, estava com Jesus uma grande multidão; e não tinha o que comer. Jesus chamou os discípulos e lhes disse: Tenho compaixão deste povo; porque já estão comigo há três dias e não têm o que comer. Se eu os mandar em jejum para as suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns vieram de longe. Seus discípulos responderam-Lhe: De onde poderá alguém fartá-los de pão, aqui no deserto? Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete. Então Ele ordenou à multidão que se assentasse no chão. E tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que os distribuíssem ao povo. Havia também alguns peixinhos, e Ele os abençoou e mandou que os distribuíssem. Comeram pois, e ficaram fartos, e dos pedaços que tinham sobrado, levantaram sete cestos. E os que comeram eram cerca de quatro mil. Depois Jesus os despediu.