19 jan
Ss. Mário, Marta, Audifaz e Ábaco, mártires


👑Esta santa família, composta por Mário, sua esposa Marta e seus filhos Audifaz e Ábaco, era de origem nobre da Pérsia. Movidos por uma profunda fé, viajaram para Roma no século III, durante o reinado do imperador Cláudio II, com o propósito de venerar os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo e dos mártires. Chegando à cidade, encontraram a perseguição em pleno andamento e dedicaram-se com grande caridade a socorrer os cristãos: visitavam os confessores da fé nos cárceres, encorajavam-nos e davam sepultura digna aos corpos dos que haviam sido martirizados. Sua piedosa atividade foi denunciada às autoridades pagãs. Presos, foram levados a julgamento e instados a sacrificar aos ídolos. Diante de sua recusa firme e unânime, foram submetidos a cruéis torturas. Permanecendo inabaláveis em sua fé, foram todos condenados à morte e decapitados na Via Cornelia por volta do ano 270. Seus corpos foram recolhidos por uma piedosa matrona chamada Felicidade e sepultados em sua propriedade, onde mais tarde foi erigida uma igreja em honra deles.

🕯️Introito (Sl 67, 4. 2)

Justi epuléntur et ex súltent in conspéctu Dei et delecténtur in lætítia. Ps. ibid., 2. Exsúrgat Deus, et dissipéntur inimíci ejus: et fúgiant qui odérunt eum, a fácie ejus.
Alegrem-se os justos e exultem na presença de Deus, e deleitem-se na alegria. Levante-se Deus, e sejam dispersos os seus inimigos: e fujam de sua face os que o odeiam.

📖Epístola (Hb 10, 32-38)

Irmãos: Recordai-vos dos dias passados, nos quais, depois de iluminados, sustentastes grande combate de aflições; e, por um lado, certamente, fostes feitos espetáculo com opróbrios e tribulações; por outro, porém, vos tornastes companheiros dos que foram assim tratados. Pois não só vos compadecestes dos encarcerados, mas também aceitastes com alegria o despojo de vossos bens, sabendo que tendes uma substância melhor e permanente. Não percais, pois, a vossa confiança, que tem grande remuneração. Porque a paciência vos é necessária: para que, fazendo a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Pois ainda em pouco, muito pouco tempo, aquele que há de vir virá, e não tardará. O meu justo, porém, vive da fé.

✝️Evangelho (Mt 24, 3-13)

Naquele tempo: Estando Jesus sentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os discípulos em segredo, dizendo: Dize-nos, quando serão estas coisas? E que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Vede que ninguém vos seduza. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo: e seduzirão a muitos. Ouvireis, pois, falar de guerras e de rumores de guerras. Vede, não vos turbeis. Porque é necessário que estas coisas aconteçam, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá pestes, e fomes, e terremotos em vários lugares. Porém todas estas coisas são o princípio das dores. Então vos entregarão à tribulação e vos matarão: e sereis odiados por todas as gentes por causa do meu nome. E então muitos se escandalizarão, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e seduzirão a muitos. E por ter abundado a iniquidade, resfriar-se-á a caridade de muitos. Mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.

🛡️A Perseverança na Fé Diante da Tribulação Final

🕊️A liturgia de hoje nos apresenta o testemunho heroico de uma família inteira que encarnou as advertências do Evangelho e os encorajamentos da Epístola. Santos Mário, Marta, Audifaz e Ábaco não apenas ouviram as palavras de Cristo sobre as perseguições futuras, mas as viveram em sua própria carne. O Evangelho de São Mateus descreve um cenário de tribulação, ódio pelo nome de Cristo e o arrefecimento da caridade, culminando na promessa: "aquele que perseverar até o fim, esse será salvo". Essa perseverança não é uma simples resistência passiva, mas uma virtude ativa, alimentada pela fé e pela esperança. Santo Agostinho, ao comentar sobre a perseverança, ensina que ela é o dom de Deus que coroa todos os outros dons, pois de nada adiantaria começar bem se não se chegasse ao fim. Ele explica: "Aquele que persevera até o fim será salvo. Ninguém espere a salvação de Cristo, se não perseverar em Cristo até o fim. Não o fim do mundo, mas o fim de sua vida" (Santo Agostinho, Sermão 100). A família mártir persa compreendeu que o "fim" era o seu testemunho final. A Epístola aos Hebreus revela a fonte espiritual dessa fortaleza: eles sabiam que possuíam "uma substância melhor e permanente". Aceitaram "com alegria o despojo de vossos bens" e se fizeram "companheiros dos que foram assim tratados", precisamente porque sua fé lhes dava a certeza de uma recompensa eterna, uma confiança que "tem grande remuneração". O Catecismo da Igreja Católica reafirma que "o martírio é o supremo testemunho dado da verdade da fé" (CIC 2473), um ato de fortaleza que conforma o discípulo ao Mestre. Em um mundo onde a "iniquidade abunda" e a "caridade de muitos se resfria", o ato de Mário e sua família de sepultar os mártires era em si uma chama ardente de amor, desafiando o ódio do mundo. Eles não apenas perseveraram em sua fé pessoal, mas também na caridade ativa, o sinal distintivo do cristão. A sua vida e morte são, portanto, uma homilia viva sobre a necessidade da paciência e da fé inabalável para alcançar a promessa de Deus, tornando-se um exemplo luminoso para a Igreja de todos os tempos, que enfrenta continuamente suas próprias tribulações rumo à consumação do século.

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