Introito - (Sl 85, 3 e 5 | ib., 1) Miserére mihi, Dómine, quóniam ad te clamávi tota die: quia tu, Dómine, suávis ac mitis es, et copiósus in misericórdia ómnibus invocántibus te. Ps. Inclína, Dómine, aurem tuam mihi, et exáudi me: quóniam inops, et pauper sum ego. ℣. Glória Patri...Senhor, tende piedade de mim. Eu clamo a Vós todo o dia: Vós, Senhor, sois bondoso e manso, e rico em misericórdia para com todos os que Vos invocam. Sl. Inclinai, Senhor, os vossos ouvidos e escutai-me, porque sou desprotegido e pobre. ℣. Glória ao Pai...
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O Décimo Sexto Domingo depois de Pentecostes insere-se no outono litúrgico da Santa Igreja, um tempo maduro em que os frutos do Espírito Santo devem ser colhidos nas almas dos fiéis. No Antigo Rito, esta fase do ano desdobra diante de nossos olhos os ensinamentos mais profundos sobre a vida interior, a humildade e a caridade fraterna, preparando o rebanho para os últimos domingos do ano que tratarão do fim dos tempos. Embora os domingos da cor verde não possuam uma igreja estacional fixa na Cidade Eterna como ocorre na Quaresma, a liturgia de hoje transforma o mundo inteiro no grande hospital do Médico Divino. É no seio da Igreja Universal, verdadeiro hospício das almas doentes, que Cristo entra para curar as enfermidades do orgulho humano, restaurando a saúde da graça àqueles que, reconhecendo sua miséria, buscam o último lugar no banquete celestial.
Vede, meus irmãos, a cena que o Santo Evangelho nos apresenta nesta liturgia. Cristo entra na casa de um dos principais fariseus. Há uma mesa lauta, convidados ilustres e uma estrita observância das regras de sábado. Aparentemente, tudo ali respira religião; tudo soa a piedade e tradição. No entanto, que ilusão terrível! Aquela casa é o retrato exato de uma congregação falsificada, de uma assembleia onde a casca foi muito bem envernizada, mas o miolo há muito já apodreceu. Reparai bem nas Escrituras: eles não convidam o Senhor para adorá-Lo, mas para julgá-Lo. O grande talento das religiões de fachada, que tanto infestam o nosso tempo, é justamente essa prodigiosa capacidade para a encenação. Nessas reuniões (onde o palavreado de fraternidade mascara a mais profunda vaidade) a engrenagem espiritual gira de ponta-cabeça. Em vez de erguer os olhos da alma para as alturas insondáveis do Criador, a criatura transforma o santuário num palco espelhado, colocando a si mesma na cadeira da presidência. Ali, a liturgia não é o sacrifício incruento e redentor, mas uma mera confraternização terrena, um baile sociológico. A doutrina que salva (aquela que exige cruz, renúncia e lágrimas) é polidamente convidada a se retirar, substituída pelo sentimento frouxo de quem apenas deseja pertencer a um clube de afetos mundanos. Mas eis que o Médico Divino rompe o silêncio desse teatro farisaico! Diante de Jesus, levanta-se um homem hidrópico, inchado pela doença. Como adverte o grande Santo Agostinho, este enfermo é a imagem viva da alma humana inflada pela soberba. O homem, inebriado pelos prazeres fugazes e por falsas filosofias, incha-se de si mesmo, julgando-se um deus quando não passa de um poço de misérias. Cristo toca a ferida, cura o doente e desafia a letargia dos legalistas. Ele nos mostra que, para ser habitado pela plenitude de Deus, como suplica São Paulo na Epístola de hoje, o homem interior precisa ser esvaziado das águas podres do orgulho. Quem escolhe os holofotes deste mundo (buscando o prestígio, a facilidade e o aplauso dos homens) será precipitado nas trevas. Mas quem abraça o Calvário (quem ama o silêncio, a doutrina perene e o último lugar na mesa terrena) ouvirá do Soberano Senhor o chamado para o banquete eterno. Pergunto-vos, pois, almas cristãs: preferis o assento honroso num clube de aparências e mentiras, ou a glória imortal, comprada pelo Sangue Daquele que Se fez o último de todos por nosso amor?
Epístola (Ef 3, 13-21) - Fratres: Obsecro vos, ne deficiátis in tribulatiónibus meis pro vobis: quæ est glória vestra. Hujus rei grátia flecto genua mea ad Patrem Dómini nostri Jesu Christi, ex quo omnis patérnitas in cælis et in terra nominátur: ut det vobis secúndum divítias glóriæ suæ, virtúte corroborári per Spíritum ejus in interiórem hóminem, Christum habitáre per fidem in córdibus vestris: in caritáte radicáti, et fundáti: ut possítis comprehéndere cum ómnibus sanctis, quæ sit latitúdo, et longitúdo, et sublímitas, et profúndum: scire étiam supereminéntem sciéntiæ caritátem Christi, ut impleámini in omnem plenitúdinem Dei. Ei autem, qui potens est ómnia fácere superabundánter quam pétimus aut intéllegimus, secúndum virtútem, quæ operátur in nobis: ipsi glória in Ecclésia, et in Christo Jesu, in omnes generatiónes sæculi sæculórum. Amen.Irmãos: Rogo-vos que não desanimeis, vendo minhas tribulações por vós, pois elas redundam em vossa glória. Por esta razão dobro os meus joelhos diante do Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual tem origem toda a paternidade que há no céu e na terra. Segundo as riquezas de sua glória, Ele vos conceda sejais poderosamente fortalecidos no Espírito, segundo o homem interior. Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e fundados na caridade, para que sejais capazes de compreender com todos os Santos, qual seja a largura e o comprimento, a altura e a profundidade e conhecer o Amor de Cristo que excede todo o entendimento, e encher-vos de toda a plenitude de Deus. Àquele que é poderoso para fazer muito mais do que pedimos ou pensamos, segundo o poder com que em nós opera, a Ele seja dada a glória na Igreja e em Cristo Jesus, em todas as gerações pelos séculos dos séculos. Amém.
Evangelho (Lc 14, 1-11) - In illo témpore: Cum intráret Jesus in domum cujúsdam príncipis pharisæórum sábbato manducáre panem, et ipsi observábant eum. Et ecce homo quidam hydrópicus erat ante illum. Et respíciens Jesus, dixit ad legisperítos et pharisæos, dicens: Si licet sábbato curáre? At illi tacuérunt. Ipse vero apprehénsum sanávit eum, ac dimísit. Et respíciens ad illos, dixit: Cujus vestrum ásinus aut bos in púteum cadet, et non contínuo éxtrahet illum die sábbati? Et non póterant ad hæc respondére illi. Dicébat autem et ad invitátos parábolam, inténdens quómodo primos accúbitus elígerent, dicens ad illos: Cum invitátus fúeris ad núptias, non discúmbas in primo loco, ne forte honorátior te sit invitátus ab illo; et véniens is, qui te et illum vocávit, dicat tibi: Da huic locum: et tunc incípias cum rubóre novíssimum locum tenére. Sed cum vocátus fúeris, vade, recúmbe in novíssimo loco: ut, cum vénerit qui te invitávit, dicat tibi: Amíce, ascénde supérius. Tunc erit tibi glória coram simul discumbéntibus: quia omnis, qui se exáltat, humiliábitur: et qui se humíliat, exaltábitur.Naquele tempo, quando Jesus, num sábado, entrou em casa de um dos principais fariseus, para aí tomar a refeição, estes O observavam. Apresentou-se-Lhe então um homem que era hidrópico. E Jesus tomou a palavra, e perguntou aos doutores da lei e aos fariseus: É permitido curar em dia de sábado? Eles porém ficaram calados. Então Jesus tocou no homem, curou-o e mandou-o embora. Depois, dirigiu-se aos outros e disse: Quem de vós, se lhe cair um jumento ou um boi num poço, não o retira logo, ainda que em dia de sábado? A isto eles nada podiam replicar. Notando como os convidados escolhiam os primeiros lugares à mesa, disse-lhes ainda esta parábola: Quando fores convidado a núpcias, não te assentes no primeiro lugar, porque pode ser que um outro de mais consideração do que tu tenha sido convidado pelo dono da casa, e que, vindo este que convidou a ti e a ele, te diga: Cede o lugar a este; e tu envergonhado, vás ficar no último lugar. Antes, quando fores convidado, vai ocupar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, vem mais para cima. Então terás glória perante os convivas. Porque todo o que se eleva, será humilhado; e o que se humilha, será exaltado.