Introito - (Sl 118, 46-47; Sl 91, 2) Loquébar de testimóniis tuis in conspéctu regum, et non confundébar: et meditábar in mandátis tuis, quæ diléxi nimis. Ps. Bonum est confitéri Dómino: et psállere nómini tuo, Altíssime. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen. - Loquébar de testimóniis... Eu falava dos vossos testemunhos na presença dos reis e não me envergonhava; e meditava nos vossos mandamentos, aos quais amava sobremaneira. Sl. É bom louvar ao Senhor, e cantar salmos ao vosso Nome, ó Altíssimo. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém. - Eu falava dos vossos...
Encerrado nas masmorras sombrias da fortaleza de Maqueronte por ter repreendido a licenciosidade adúltera de Herodes Antipas com a mulher de seu irmão, São João Batista coroou seu ministério de precursor do Messias com o testemunho supremo do sangue. No esplendor licencioso de um banquete palaciano, entre taças de vinho e a dança sedutora da filha de Herodíades, o tirano escravizado pela luxúria e pelo respeito humano selou a morte do maior entre os nascidos de mulher para cumprir um juramento ímpio diante dos nobres da Galileia. O corpo decapitado do austero profeta do deserto foi piedosamente recolhido por seus discípulos e sepultado em Sebaste, na Samaria, enquanto a sua venerável cabeça, relíquia de incomparável majestade, é guardada e honrada na Cidade Eterna na insigne Igreja de São Silvestre em Capite em Roma.
Vede, ó cristãos, o abismo intransponível que separa o altar da verdade dos festins voluptuosos do mundo! De um lado, a corte orgulhosa, embriagada de vaidade e carnalidade, onde uma dança leviana arrasta príncipes à ruína e a tirania se ajoelha covarde ante os olhares dos convivas; de outro lado, a cela silenciosa e pura, onde o amigo do Esposo aguarda serenamente a coroa do martírio. Por que tombou a cabeça do Precursor sob o cutelo do verdugo? Não foi por recusar incenso a deuses de pedra, mas por defender a santidade indelével da lei moral e a indissolubilidade inviolável da união sagrada contra os caprichos de um monarca licencioso! Que terrível condenação paira sobre a mentalidade deste século corrompido, que deseja uma religião amena, conivente com os desmandos da carne e pronta a curvar-se às opiniões públicas para evitar o desprezo dos poderosos! Como ensinavam os santos doutores, o respeito humano é o laço mais pérfido do demônio: Herodes entristeceu-se ao ouvir o pedido infame, mas temeu mais a vergonha diante de homens pecadores do que o julgamento do Deus Onipotente. Quando a tibieza penetra no santuário e os ministros se calam por medo de desagradar às multidões ou de sofrerem perseguição, a verdade é novamente decapitada no prato das conveniências temporais. O Altíssimo, porém, estabeleceu o seu verdadeiro profeta como coluna de ferro e muro de bronze inexpugnável: eles guerrearão com fúria, armarão ciladas e derramarão o sangue dos justos, mas a palavra de Deus jamais poderá ser acorrentada ou vencida. Aprendei de São João Batista a não negociar a pureza da doutrina por promessas passageiras ou temores vis; erguei vossa voz contra as seduções do pecado, mortificai as paixões desordenadas e permanecei inabaláveis na fé tradicional, pois aquele que perde a sua vida terrena por amor à justiça imutável conquistará para sempre a imortalidade nos tabernáculos do Rei Eterno.
Epístola (Jr 1, 17-19) - In diébus illis: Factum est verbum Dómini ad me, dicens: Accínge lumbos tuos, et surge, et lóquere ad Juda ómnia quæ ego præcípio tibi. Ne formídes a fácie eórum: nec enim timére te fáciam vultum eórum. Ego quippe dedi te hódie in civitátem munítam, et in colúmnam férream, et in murum ǽreum, super omnem terram, régibus Juda, princípibus ejus, et sacerdótibus, et pópulo terræ. Et bellábunt advérsum te, et non prævalébunt: quia ego tecum sum, ait Dóminus, ut líberem te. Naqueles dias, foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: Cinge os teus rins, levanta-te e dize a Judá tudo o que Eu te ordenar. Não temas a sua presença, pois Eu não te farei temer diante deles. Porque Eu te constituí hoje como uma cidade fortificada, como uma coluna de ferro e um muro de bronze contra toda a terra, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o povo da terra. E combaterão contra ti, mas não prevalecerão, porque Eu estou contigo, diz o Senhor, para te livrar.
Evangelho (Mc 6, 17-29) - In illo témpore: Misit Heródes, ac ténuit Joánnem, et vinxit eum in cárcere propter Herodíadem uxórem Philíppi fratris sui, quia dúxerat eam. Dicébat enim Joánnes Heródi: Non licet tibi habére uxórem fratris tui. Heródias autem insidiabátur illi: et volébat occídere eum, nec póterat. Heródes enim metuébat Joánnem, sciens eum virum justum et sanctum: et custodiébat eum, et audíto eo multa faciébat, et libénter eum audiébat. Et cum dies opportúnus accidísset, Heródes natális sui cœnam fecit princípibus, et tribúnis, et primis Galilǽæ: cúmque introísset fília ipsíus Herodíadis, et saltásset, et placuísset Heródi, simulque recumbéntibus; rex ait puéllæ: Pete a me quod vis, et dabo tibi. Et jurávit illi: Quia quidquid petíeris dabo tibi, licet dimídium regni mei. Quæ cum exísset, dixit matri suæ: Quid petam? At illa dixit: Caput Joánnis Baptístæ. Cumque introísset statim cum festinatióne ad regem, petívit dicens: Volo ut protínus des mihi in disco caput Joánnis Baptístæ. Et contristátus est rex: propter jusjurándum, et propter simul recumbéntes nóluit eam contristáre: sed misso spiculatóre, præcépit afférri caput ejus in disco. Et decollávit eum in cárcere, et áttulit caput ejus in disco: et dedit illud puéllæ, et puélla dedit matri suæ. Quo audíto, discípuli ejus venérunt, et tulérunt corpus ejus: et posuérunt illud in monuménto. Naquele tempo, Herodes mandara prender João e o acorrentara na prisão por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, que ele desposara. Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito ter a mulher de teu irmão. Herodíades, porém, armava-lhe ciladas e queria matá-lo, mas não podia. Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo, e o protegia; e, ouvindo-o, fazia muitas coisas e o escutava de boa vontade. Chegando, porém, um dia oportuno, em que Herodes, no seu aniversário, ofereceu um banquete aos grandes de sua corte, aos tribunos e aos principais da Galileia, entrou a filha da referida Herodíades e dançou, agradando a Herodes e aos convivas. Disse então o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. E jurou-lhe: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino. Ela, tendo saído, disse à sua mãe: Que pedirei? Esta respondeu: A cabeça de João Batista. E, entrando logo apressadamente à presença do rei, fez o seu pedido, dizendo: Quero que neste instante me dês num prato a cabeça de João Batista. Entristeceu-se o rei; todavia, por causa do juramento e dos convivas, não quis recusar-lha. Enviou imediatamente um carrasco com a ordem de trazer a cabeça dele num prato. O carrasco foi, decapitou-o no cárcere e trouxe a cabeça num prato, entregando-a à jovem, e a jovem a deu à sua mãe. Ouvindo isto, os seus discípulos vieram, levaram o seu corpo e o puseram num sepulcro.