🎵 Introito (Eclo 45, 30; Sl 131, 1)
Státuit ei Dóminus testaméntum pacis, et príncipem fecit eum: ut sit illi sacerdótii dígnitas in aetérnum. Ps. Meménto, Dómine, David: et omnis mansuetúdinis ejus.
O Senhor fez com ele uma aliança de paz, constituindo-o príncipe, a fim de que tivesse para sempre a dignidade sacerdotal. Sl. Lembrai-Vos, Senhor, de Davi e de toda a sua submissão.
📖 Epístola (Eclo 44, 16-27; 45, 3-20)
Eis o grande sacerdote que nos dias de sua vida agradou a Deus e foi considerado justo; no tempo da ira, tornou-se a reconciliação dos homens. Ninguém o igualou na observância das leis do Altíssimo. Por isso o Senhor jurou que o havia de glorificar em sua descendência. Abençoou nele todas as nações e confirmou sua aliança sobre a sua cabeça. Distinguiu-o com as suas bênçãos; conservou-lhe a sua misericórdia e ele achou graça diante do Senhor. Enalteceu-o diante dos reis e deu-lhe uma coroa de glória. Fez com ele uma aliança eterna; deu-lhe o sumo sacerdócio, e encheu-o de felicidade na glória, para exercer o sacerdócio, cantar louvores a seu Nome e oferecer-Lhe dignamente incenso de agradável odor.
✝️ Evangelho (Mt 25, 14-23)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: Um homem, indo viajar para longe, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e ao terceiro um, a cada qual segundo a sua capacidade. E partiu logo depois. Aquele que havia recebido os cinco talentos, foi-se e negociou com eles, e lucrou outros cinco. Da mesma sorte, o que recebera os dois talentos ganhou também outros dois. Mas o que havia recebido um só, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor. Passado muito tempo, voltou o senhor desses servos, e chamou-os a contas. Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo-lhe: Senhor, vós me entregastes cinco talentos; eis outros cinco mais que lucrei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, porque foste fiel no pouco, sobre muito te porei; entra na alegria de teu senhor. Apresentou-se também o que recebera os dois talentos e disse: Senhor, vós me entregastes dois talentos; eis aqui outros dois mais que eu ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, porque foste fiel no pouco, sobre muito te porei; entra na alegria de teu Senhor.
💡 A Negociação dos Talentos e a Metamorfose da GraçaA liturgia de hoje nos apresenta, através da figura de Santo André Corsini e da parábola dos talentos, a dinâmica essencial da vida cristã: a transformação da natureza pela graça e a responsabilidade ativa da caridade. O "lobo" que se torna "cordeiro" na vida de Santo André não é a aniquilação do temperamento, mas a sua retificação e elevação sobrenatural; a energia antes dissipada no vício é convertida, pelo comércio da graça, em zelo apostólico, cumprindo o que diz o Evangelho sobre aquele que "negociou" com os talentos. Os talentos não são apenas dons naturais, mas, como ensina a tradição, representam a graça e a Palavra de Deus confiadas ao fiel. O servo mau é condenado não por fazer o mal, mas por uma omissão estéril, movido pelo medo e não pelo amor, enterrando o dom divino na "terra" da mundanidade ou da preguiça espiritual. Santo André, ao contrário, encarna o "Servo Bom e Fiel" e o "Sumo Sacerdote" da Epístola que se torna "reconciliação" no tempo da ira. Ele administrou o tesouro da paz social e eclesial, pacificando cidades em guerra, compreendendo que o bispo, como administrador dos mistérios de Deus, não pode reter para si a santidade, mas deve fazê-la frutificar no corpo da Igreja. A glória prometida - "entra na alegria do teu Senhor" - é a recompensa não apenas da conservação da fé, mas da sua frutificação operosa na caridade, pois "o amor não pode ser ocioso; se existe, opera grandes coisas; se se recusa a agir, não é amor" (São Gregório Magno, Homilia sobre os Evangelhos).