28 dez
Os Santos inocentes, mártires


👶Os Santos Inocentes são os meninos de Belém e arredores, com dois anos ou menos, que foram assassinados por ordem do rei Herodes na tentativa desesperada de eliminar o Messias recém-nascido. Considerados as primícias dos mártires, estes pequeninos deram a vida por Cristo sem o saberem, sendo batizados no próprio sangue. A Igreja os venera como flores do martírio que, antes mesmo de poderem falar, confessaram o Salvador. Sua comemoração remonta aos primeiros séculos, centrada na Basílica de São Paulo Extramuros em Roma, e simboliza a pureza e a entrega total a Deus, ocorrendo seu martírio por volta do ano 2 d.C., logo após a Natividade do Senhor.

📜Introito (Sl 8, 3 | ib., 2)

Ex ore infántium, Deus, et lacténtium perfecísti laudem propter inimícos tuos. Dómine, Dóminus noster: quam admirábile est nomen tuum in univérsa terra! 
Ó Deus, fizestes com que as crianças e os meninos de peito Vos louvassem, para confundir os vossos inimigos. Ó Senhor, Senhor nosso, como é admirável o vosso Nome em toda a terra!

📜Epístola (Ap 14, 1-5)

Naqueles dias, vi o Cordeiro, que estava de pé, sobre o monte Sião, e com Ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam inscritos nas frontes o seu Nome e o Nome de seu Pai. E ouvi uma voz do céu, semelhante ao rumor de muitas águas, e ao estampido de um forte trovão. A voz que ouvi, era como a de harpistas que tocam os seus instrumentos. Cantavam como que um cântico novo diante do trono e diante dos quatro animais e dos anciãos. E ninguém podia cantar o cântico senão os cento e quarenta e quatro mil, que da terra haviam sido resgatados. Esses são os que não se contaminaram com mulheres, porque são virgens. Eles acompanham o Cordeiro onde quer que vá. Foram resgatados dentre os homens, como primícias para Deus e para o Cordeiro. E em sua boca não se achou mentira, porque estão sem mácula diante do trono de Deus.

📜Evangelho (Mt 2, 13-18)

Naquele tempo, um Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe, e foge para o Egito, e permanece ali, até que eu te avise, porque Herodes procurará o Menino para O matar. José, erguendo-se, tomou, ainda noite, o Menino e sua Mãe, e retirou-se para o Egito. E ali esteve até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor anunciara pela palavra do Profeta: Do Egito chamei o meu Filho. Vendo então Herodes que fora enganado pelos Magos, irou-se em extremo, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus arredores, da idade de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Assim se cumpriu o que predissera o profeta Jeremias, anunciando: Uma voz se ouviu em Ramá, grandes prantos e lamentações: Raquel chora os seus filhos, e não se quer consolar, porque eles já não existem.

⚔️O Martírio do Silêncio e a Glória da Inocência

🛡️A celebração dos Santos Inocentes revela o mistério da providência divina que extrai a glória do sofrimento aparentemente absurdo, pois, como afirma Santo Agostinho, estes meninos confessaram a Cristo não por palavras, mas morrendo por Ele (Sermão 373, 3). No contexto da liturgia tradicional anterior a 1950, o uso do roxo e a omissão do Glória e do Te Deum nas missas feriais sublinham o lamento de Raquel e a crueldade da perseguição terrena, enquanto a Epístola do Apocalipse nos transporta para a visão celestial onde esses mesmos pequeninos aparecem como as primícias imaculadas diante do Cordeiro. São Tomás de Aquino explica que a inocência batismal ou o martírio suprem a falta do uso da razão para a salvação, elevando esses infantes à dignidade de testemunhas fundamentais da Redenção (Suma Teológica, III, q. 66, a. 11). A fuga para o Egito, narrada no Evangelho, demonstra que a vida do Salvador é preservada não por medo, mas para que o sacrifício definitivo ocorresse no tempo fixado pelo Pai, permitindo que o sangue dos inocentes se tornasse a semente da Igreja. O Catecismo da Igreja Católica recorda que o martírio é o supremo testemunho da verdade da fé (CIC 2473), e nestas crianças vemos a realização profética do Salmo 8, onde o louvor perfeito emana dos que ainda amamentam. Assim, a liturgia nos convida a uma "infância espiritual" que, livre de mentiras e máculas, segue o Cordeiro por onde quer que Ele vá, transformando a transitoriedade da vida presente em um penhor de eternidade.

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