07 jan
Na oitava da Epifania


👑 Durante a Oitava da Epifania, a Santa Igreja prolonga a exultação pela manifestação de Jesus Cristo aos gentios, representados pelos Reis Magos, reafirmando a universalidade da Salvação que não se restringe a um único povo, mas se estende a todas as nações da terra. Este período litúrgico convida os fiéis a meditarem profundamente sobre a realeza divina do Menino Jesus e a resposta humana à graça: enquanto os chefes dos sacerdotes possuíam a ciência das Escrituras mas permaneceram inertes, os Magos, movidos pela fé e guiados por um sinal celeste, empreenderam uma jornada de conversão e adoração. A liturgia renova diariamente o convite para que ofereçamos ao Rei dos Reis não apenas dons materiais, mas o ouro da caridade, o incenso da oração devota e a mirra da mortificação dos nossos sentidos, transformando nossa vida em uma contínua epifania da presença de Deus no mundo.

🎵 Introito (Ml 3, 1; 1Cr 29, 12 | Sl 71, 1)
Ecce, advénit dominátor Dóminus: et regnum in manu ejus et potéstas et impérium. Ps. Deus, judícium tuum Regi da: et justítiam tuam Fílio Regis.
Eis que aí vem o soberano Senhor; em sua mão está o Reino, o Poder e o Império. Sl. Ó Deus, dai o vosso julgamento ao Rei; e a vossa justiça ao Filho do Rei.

📜 Epístola (Is 60, 1-6)
Levanta-te, Jerusalém, e resplandece, porque já veio a tua luz, e a glória do Senhor nasceu sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos, mas sobre ti se levanta o Senhor e em ti se manifesta a sua glória. E as nações caminham ao fulgor de tua luz, e os reis, ao esplendor de tua aurora. Ergue os olhos em derredor, e vê: todos os povos se congregam e vêm a ti; teus filhos vêm de longe, e tuas filhas surgem de todos os lados. Então verás e transbordarás de alegria, teu coração se maravilhará e se dilatará, quando a ti vier a multidão de além dos mares, e os grandes, dentre os pagãos, se acercarem de ti. Serás como inundada pela afluência de camelos e dromedários de Madiã e Efa; todos virão de Sabá, trazendo ouro e incenso, e proclamando os louvores do Senhor.

📖 Evangelho (Mt 2, 1-12)
Tendo Jesus nascido em Belém de Judá, nos dias do Rei Herodes, eis que do Oriente vieram uns Magos a Jerusalém, perguntando: Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo. Ouvindo isto, o rei Herodes turbou-se e com ele toda Jerusalém. E convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, indagava deles onde havia de nascer o Cristo. E eles disseram: Em Belém de Judá, porque assim está escrito pelo Profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia, que há de governar o meu povo de Israel. Então Herodes chamando secretamente os Magos, inquiriu cuidadosamente deles o tempo em que lhes aparecera a estrela. E enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide e perguntai diligentemente pelo Menino, e assim que O achardes, fazei-mo saber para que eu vá também e O adore. Tendo eles ouvido as palavras do Rei, foram-se. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando, parou sobre o lugar em que estava o Menino. Vendo a estrela, exultaram com grandíssima alegria. E entraram na casa, e acharam o Menino com Maria, sua Mãe (aqui todos se ajoelham) e, prostrando-se, O adoraram. E abertos os seus tesouros ofereceram-Lhe como presentes, ouro, incenso e mirra. E, sendo avisados em sonho que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho a seu país.

🕯️ A Estrela da Graça e o Caminho da Conversão

A narrativa dos Reis Magos, que lemos hoje, não é apenas um evento histórico, mas uma alegoria profunda da alma em busca da Verdade. Santo Agostinho, em seus sermões sobre a Epifania, observa com agudeza a ironia trágica dos escribas e sacerdotes de Jerusalém: eles possuíam as Escrituras que indicavam o local do nascimento do Messias, agindo como marcos de estrada que apontam o caminho aos outros, mas permanecem imóveis e sem vida. Em contraste, os Magos, gentios sem a Lei escrita, seguiram a lei natural e a inspiração da graça divina — simbolizada pela estrela — e encontraram o Salvador. São Tomás de Aquino nos ensina que esta estrela não era um corpo celeste comum, mas um sinal visível da graça invisível que ilumina o intelecto e inflama a vontade. Ao encontrarem o Menino, a adoração dos Magos culmina na oferta de seus dons, que representam a totalidade da vida cristã: o ouro da sabedoria e do reconhecimento da realeza de Cristo; o incenso da oração, que reconhece Sua divindade; e a mirra, que aceita a Sua humanidade passível de sofrimento e morte redentora. O detalhe final do Evangelho é crucial para a nossa vida espiritual: "regressaram por outro caminho". Como observa o Venerável Fulton Sheen, ninguém pode encontrar Cristo e voltar pelo mesmo caminho antigo da vida. O encontro verdadeiro com o Verbo Encarnado exige uma metanoia, uma mudança de rota. Não podemos retornar aos caminhos de Herodes — o caminho do mundo, do poder e do egoísmo — mas devemos trilhar a nova via da virtude, fortificados pelo alimento eucarístico, onde o mesmo Cristo de Belém se faz presente, não mais envolto em faixas, mas sob as espécies de pão e vinho, para reinar em nossos corações.

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