Introito - (Sl 36, 30-31; 1) Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium: lex Dei ejus in corde ipsíus. Ps. Noli æmulári in malignántibus: neque zeláveris faciéntes iniquitátem. Glória Patri... A boca do justo meditará a sabedoria e a sua língua falará a justiça: a lei do seu Deus está no seu coração. Sl. Não tenhas ciúme dos maus, nem invejes os que praticam a iniquidade. Glória ao Pai...
Nascido pagão e regenerado pelas águas do santo batismo pelas mãos de Santo Adalberto de Praga, Santo Estêvão foi ungido o primeiro Rei da Hungria no Natal do ano 1000, cingindo a coroa apostólica enviada pelo Sumo Pontífice Silvestre II para transformar uma nação bárbara e idólatra em sólido baluarte da cristandade. Governando com admirável equilíbrio de justiça e caridade evangélica, fundou arcebispados, erigiu mosteiros beneditinos, defendeu os direitos dos fracos e colocou a sua coroa terrena sob a perpétua vassalagem e patrocínio da Bem-Aventurada Virgem Maria. Monarca austero e legislador cristão que usava o poder temporal unicamente como instrumento sagrado para a salvação eterna de seus súditos, combateu os rebeldes pagãos com firmeza inabalável até repousar piamente no Senhor em 1038, sendo venerado na Cidade Eterna na insigne Basílica de Santo Estêvão Redondo no Monte Celio.
Ouvi, ó cristãos, o terrível clamor da embaixada ímpia relatada na parábola evangélica: "Não queremos que este homem reine sobre nós!" Não é este, porventura, o brado insensato e blasfemo da modernidade apóstata, que baniu Cristo Jesus de suas leis, de suas escolas e de seus tribunais para erigir o altar idolátrico da soberania puramente humana? As nações secularizadas julgam-se livres ao sacudirem o jugo suave da verdade, mas precipitam-se no abismo da anarquia moral e da tirania dos vícios. Vede como a Escritura louva com exultação o governante católico: bem-aventurado aquele que, provado no cume das riquezas e das coroas temporais, não correu atrás do vil ouro e, podendo praticar o mal impunemente aos olhos dos homens, guardou imaculada a lei do seu Deus! Santo Estêvão compreendeu que todo o cetro terreno é mero empréstimo concedido pelo Supremo Rei e que uma prestação de contas rigorosíssima aguarda os príncipes deste século. Ele não escondeu a mina da autoridade em um lenço de covardia ou negligência pastoral para agradar aos caprichos do paganismo; multiplicou os talentos da fé, fez florescer a virtude e colocou o peso de sua coroa aos pés da Mãe Imaculada. Que condenação esmagadora recairá sobre aquele administrador preguiçoso que, dominado pelo respeito humano e pelo torpor mundano, paralisa a ação da graça e silencia as verdades da salvação por medo de desagradar ao mundo! Como ensinam os santos padres, seremos julgados com severidade infalível não apenas pelos males que perpetramos, mas pelas obras santas que deixamos de realizar por omissão ou tibieza. Despertai, pois, do conformismo estéril! Negociai sem descanso os dons sobrenaturais que a Providência depositou em vossas mãos, submetei inteiramente vossas vontades ao império de Cristo e trabalhai com zelo apostólico, para que, no regresso glorioso do divino Senhor, possais ouvir o louvor jubiloso: "Muito bem, servo bom e fiel; entra na alegria do teu Senhor!"
Epístola (Eclo 31, 8-11) - Beátus vir, qui invéntus est sine mácula, et qui post aurum non ábiit, nec sperávit in pecúnia et thesáuris. Quis est hic, et laudábimus eum? fecit enim mirabília in vita sua. Qui probátus est in illo, et perféctus est, erit illi glória ætérna: qui pótuit trángredi, et non est transgréssus: fácere mala, et non fecit: ídeo stabílita sunt bona illíus in Dómino, et eleemósynas illíus enarrábit omnis ecclésia sanctórum. Bem-aventurado o homem que foi encontrado sem mancha, que não andou após o ouro, nem pôs a sua esperança no dinheiro ou nos tesouros. Quem é este, e nós o louvaremos? Porque fez coisas admiráveis em sua vida. Aquele que foi provado pelo ouro e achado perfeito, terá glória eterna; pôde transgredir a lei, e não a transgrediu; pôde fazer o mal, e não o fez. É por isso que os seus bens estão firmados no Senhor, e toda a assembleia dos santos proclamará as suas esmolas.
Evangelho (Lc 19, 12-26) - In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis parábolam hanc: Homo quidam nóbilis ábiit in regiónem longínquam accípere sibi regnum, et reverti. Vocátis autem decem servis suis, dedit eis decem mnas, et ait ad illos: Negotiámini dum vénio. Cives autem ejus óderant eum: et misérunt legatiónem post illum, dicéntes: Nólumus hunc regnáre super nos. Et factum est ut redíret accépto regno: et jussit vocári servos, quibus dedit pecúniam, ut sciret quantum quisque negotiátus esset. Venit autem primus, dicens: Dómine, mna tua decem mnas acquisívit. Et ait illi: Euge bone serve, quia in módico fuísti fidélis, eris potestátem habens super decem civitátes. Et alter venit, dicens: Dómine, mna tua fecit quinque mnas. Et huic ait: Et tu esto super quinque civitátes. Et alter venit, dicens: Dómine, ecce mna tua, quam hábui repósitam in sudário: tímui enim te, quia homo austérus es: tollis quod non posuísti, et metis quod non seminásti. Dicit ei: De ore tuo te júdico, serve nequam. Sciébas quod ego homo austérus sum, tollens quod non pósui, et metens quod non seminávi: et quare non dedísti pecúniam meam ad mensam, ut ego véniens cum usúris útique exegíssem illam? Et adstántibus dixit: Auférte ab illo mnam, et date illi qui decem mnas habet. Et dixérunt ei: Dómine, habet decem mnas. Dico autem vobis, quia omni habénti dábitur, et abundábit: ab eo autem qui non habet, et quod habet auferétur ab eo. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse de um reino e depois voltar. Chamando dez de seus servos, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu volte. Mas os seus concidadãos odiavam-no e enviaram atrás dele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. E aconteceu que, tendo ele voltado, investido do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, para saber quanto cada um tinha negociado. Apresentou-se o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez minas. E ele disse-lhe: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. Veio o segundo e disse: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. A este disse igualmente: Tu também governarás cinco cidades. Veio outro e disse: Senhor, eis aqui a tua mina, que guardei embrulhada num lenço; pois tive medo de ti, por seres homem severo, que tiras o que não depositaste e ceifas o que não semeaste. Ele respondeu-lhe: Pela tua própria boca te julgo, servo mau. Sabias que sou homem severo, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei; por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu o recebesse com juros? E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas. E eles disseram: Senhor, ele já tem dez minas. Digo-vos, porém: A todo o que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem ser-lhe-á tirado.