domingo, 9 de agosto de 2026

XI Domingo depois de Pentecostes ✧ o ephphetha divino e a cura da surdez espiritual

Introito - Deus in loco sancto suo: Deus qui inhabitáre facit unánimes in domo: ipse dabit virtútem et fortitúdinem plebi suæ.Ps. Exsúrgat Deus, et dissipéntur inimíci ejus: et fúgiant, qui odérunt eum, a fácie ejus. ℣. Glória Patri... Deus está em seu santuário; Deus que reúne em sua casa os que são unânimes, Ele mesmo dá a seu povo, força e coragem. Sl. Levante-se Deus, e os seus inimigos sejam dispersos, e os que O odeiam fujam de sua presença.


A sagrada liturgia do Décimo Primeiro Domingo depois de Pentecostes nos transporta majestosamente às margens do mar da Galileia, onde o Verbo Encarnado manifesta seu poder soberano sobre as ruínas da natureza humana decaída. Neste tempo litúrgico, em que a Igreja peregrina amadurece sob a ação vigorosa do Espírito Santo, os textos sagrados ressoam como um toque de clarim, chamando-nos a despertar do torpor do pecado. O milagre da cura do surdo-mudo transcende a mera restauração física; é o quadro perfeitíssimo da nossa redenção. A alma, outrora surda para os apelos celestes e muda para o louvor divino, é recriada pelo toque vivificador de Cristo. É no coração da catolicidade, voltando nossos olhos espirituais para a Basílica de São Pedro no Vaticano, que reafirmamos a fé inabalável transmitida pelos Apóstolos, confessando que somente a graça de Deus pode nos arrancar da mudez espiritual e nos reunir, unânimes e fortificados, na Casa do Senhor.

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Meus amados, contemplai o formidável mistério que se desenrola diante de vossos olhos na liturgia de hoje! O médico divino aproxima-se do homem cujos ouvidos estavam selados e cuja língua jazia acorrentada. Ao colocar os dedos naqueles ouvidos surdos, não nos revela Ele o poder do próprio Espírito Santo, que penetra as trevas da nossa inteligência obscurecida? E ao tocar a língua com sua saliva abençoada, não vemos ali a manifestação inefável do Verbo que se fez carne, comunicando-nos a vida sobrenatural por meio de sua sagrada humanidade? O Senhor ergue os olhos ao Céu e suspira. Oh, abismo de compaixão! Aquele que sustenta os astros no firmamento suspira ao contemplar a miséria da nossa raça, profundamente aprisionada na surdez da incredulidade e na mudez do pecado. Hoje, porém, não presenciamos nós uma surdez ainda mais terrível e estritamente voluntária? Olhai para o nosso século! Vede como o espírito deste mundo, inebriado pelos vapores das vaidades e pelas facilidades passageiras, tapou obstinadamente os próprios ouvidos para não escutar as verdades eternas da Cruz. Há uma enfermidade tenebrosa, uma revolta sutil que penetrou até mesmo nos sagrados recintos, onde corações mornos tentam forjar uma religião de confortos, despida de mortificação e sacrifício, desenhada não para agradar ao terrível e santo Deus, mas para mendigar aplausos e sorrisos de uma sociedade corrompida. Com artifícios venenosos e mutações astutas da verdade, buscam silenciar o escândalo da Redenção, transformando a augusta liturgia em um pálido teatro para lisonjear os homens. Mas o Apóstolo São Paulo clama hoje na Epístola, como um trovão a rasgar a noite do erro: "Faço-vos lembrar o Evangelho que já vos preguei... que o Cristo morreu por nossos pecados". Eis o rochedo da nossa salvação! Não podemos permitir que o sangue de Cristo seja derramado em vão! É urgente que o brado onipotente do Redentor - "Ephphetha", Abre-te! - ressoe hoje nos sepulcros de nossas almas. Peçamos que Ele arranque as escamas do nosso orgulho, para que possamos beber a pura pregação católica, e que desate as amarras da nossa covardia para confessarmos destemidamente a fé de sempre. Acordai, vós que dormis no torpor do século! Rejeitai as ilusões de um cristianismo sem cruz. Aproximai-vos da fonte sacramental, para que, ouvindo a voz do Bom Pastor neste tempo de exílio, possamos cantar perfeitamente os seus louvores na pátria da luz inacessível.


Epístola (I Cor 15, 1-10) - Irmãos: Faço-vos agora lembrar o Evangelho que já vos preguei e que recebestes, e no qual também perseverais. Nele também sois salvos, se o guardais do mesmo modo que vo-lo preguei. De contrário em vão tereis abraçado a fé. Antes de tudo eu vos ensinei o que eu mesmo aprendi: que o Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, como está escrito. Foi visto por Cefas, e depois pelos onze Apóstolos. Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos juntos: muitos deles ainda hoje vivem e alguns já morreram. Apareceu depois a Tiago, e em seguida a todos os Apóstolos. Por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o mínimo dos Apóstolos, e não sou digno de ser chamado Apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. Pela graça de Deus, no entanto, sou o que sou, e a sua graça não ficou sem efeito em mim.


Evangelho (Mc 7, 31-37) - Naquele tempo, saindo Jesus da região de Tiro, veio por Sidon ao mar de Galileia, atravessando o território da Decápole. E trouxeram-Lhe um surdo-mudo e Lhe rogaram impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tomando-o dentre o povo, de parte, meteu os dedos em seus ouvidos e tocou-lhe a língua com a saliva. Depois ergueu os olhos para o céu, suspirou, e disse-lhe: Ephphetha, isto é, abre-te. E imediatamente se lhe abriram os ouvidos e se lhe soltou a prisão da língua, e ele falou distintamente. Então Jesus lhes ordenou que a ninguém o dissessem. Não obstante, quanto mais o proibia, tanto mas o divulgavam, e mais admirados, diziam: Tudo tem feito bem; fez os surdos ouvirem e os mudos falarem.

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