Introito (Sl 78, 11-12.10) - Intret in conspectu tuo, Domine, gemitus compeditorum: redde vicinis nostris septuplum in sinu eorum: vindica sanguinem sanctorum tuorum, qui effusus est. (Sl 78, 1) Deus, venerunt gentes in hereditatem tuam: polluerunt templum sanctum tuum: posuerunt Ierusalem in pomorum custodiam. Gloria Patri...
Santos Basílides, Cirino, Nabor e Nazário foram ilustres soldados do Império Romano que, reconhecendo a vacuidade das honras terrenas e o engano das glórias perecíveis, alistaram-se na suprema milícia de Cristo sob a feroz perseguição de Diocleciano. Desdenhando as promessas de falsas divindades e enfrentando o flagelo com inabalável serenidade, entregaram seus pescoços à espada de seus algozes nos primeiros anos do século IV, selando com o próprio sangue a profissão da verdadeira Fé. O martírio, supremo ato de caridade, transformou suas mortes em triunfo celestial, de tal modo que o amor a Deus se provou imensamente superior a qualquer pavor incutido pelos homens. Seus corpos, relíquias preciosíssimas de uma Igreja forjada no sacrifício heroico, repousaram originalmente ao longo da célebre Via Aurelia, onde os cristãos das catacumbas, imersos nas trevas subterrâneas porém iluminados pela Luz Inextinguível, acorriam para venerar a memória daqueles que não amaram a própria vida neste mundo, a fim de guardá-la para a eternidade gloriosa.
Observemos, amados, o espetáculo formidável que a liturgia hoje nos descortina! O altar católico ergue-se como um farol de advertência divina contra as ilusões de nossa época. Que clamam os santos Basílides e seus valorosos companheiros senão que a verdade imutável exige renúncia irrestrita? Em seu tempo, como no nosso, grassava a tentação de afrouxar os laços da fé, incensando os ídolos em voga para assegurar a tranquilidade e evitar o cadafalso. Mas eles repudiaram a sedução de uma crença esvaziada de peso e de dor. Hoje, contemplamos com assombro o avanço de falsos guias que, embriagados pelo aplauso das multidões e movidos por paixões desregradas, buscam desfigurar o Corpo Místico a partir de suas próprias entranhas. Desejam moldar os sagrados mistérios ao paladar de uma sociedade doente, substituindo o rigor do Calvário por narrativas aprazíveis e comodidades terrestres. Mas o rubro sangue destes soldados atesta que não existe triunfo onde se repudia a Cruz. Não recuaram diante das ameaças imperiais, nem se deixaram ludibriar por desvios disfarçados de renovação, preferindo o aço do carrasco a macular o depósito recebido. Acaso pensamos que as ciladas de hoje são menos perigosas por se apresentarem sob a máscara da inovação paulatina ou de ambiguidades calculadas? O veneno da concessão sorrateira, a ânsia febril de afagar as fragilidades humanas rebaixando a santidade divina, eis a grande tribulação de nossos dias! A semente da eternidade não germina nos atalhos fáceis do compromisso, mas na imolação invisível e real perpetuada neste Santo Sacrifício da Missa. Como advertem os grandes Padres da Igreja, a coroa imarcescível pertence apenas àqueles que, desprezando a falsa luz das fábulas contemporâneas e a glória que murcha, mantêm a integridade de sua profissão de fé. Despertai, almas entorpecidas! Olhai para este altar sagrado, não como um palco de vaidades humanas, mas como o tabor sangrento do Cordeiro imolado. Unamo-nos ao gemido triunfante dos mártires, banindo de nossas mentes as artimanhas do século e ofertando nossos corações, purificados e firmes, ao único Senhor que não nos engana e cuja majestade não conhece ocaso.
Introito (Sl 78, 11-12.10) - Chegue à tua presença, Senhor, o gemido dos cativos: retribui aos nossos vizinhos sete vezes no seio deles: vinga o sangue de teus Santos, que foi derramado. (Sl 78, 1) Ó Deus, as nações invadiram a tua herança: profanaram teu templo santo: fizeram de Jerusalém um pomar de guardas. Glória ao Pai...
Epístola (Rm 8, 18-23) - Irmãos: Tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que há de ser revelada em nós. Pois a criação, em ardente expectativa, anseia pela manifestação dos filhos de Deus. A criação foi sujeita à vaidade - não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou - na esperança de que também a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção, para participar da liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre dores de parto até agora. E não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, também nós gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção filial, a redenção do nosso corpo.
Evangelho ...