Santa Tecla, aclamada pela Tradição imemorial como a protomártir entre as mulheres, desponta no alvorecer da Igreja como um farol inabalável de pureza e intrepidez. Jovem nobre da cidade de Icônio, no primeiro século, teve sua alma cativada pela pregação fulgurante de São Paulo Apóstolo e, com o coração arrebatado pelas coisas do alto, rompeu com as lisonjas de um noivado terreno para entregar sua virgindade de modo irrevogável ao Esposo Celestial. A fúria do mundo, cega às realidades sobrenaturais, não suportou tal eleição divina: a donzela foi condenada e atirada às chamas, que milagrosamente recuaram lavadas por uma tempestade providencial; depois, foi exposta às feras, que perderam sua selvageria e se deitaram mansas a seus pés. Sua vida heroica - um contínuo calvário encerrado no repouso da glória após décadas de testemunho - ensina-nos a urgência de manter a lâmpada da fé acesa e abastecida contra as tempestades do século. A veneração milenar a esta fidelíssima esposa de Cristo encontra um de seus berços mais augustos no Mosteiro de Santa Tecla, incrustado nas rochas sagradas da Síria, onde seu legado respira até o fim dos tempos.
Introito - (Sl 118, 46-47; 1) Loquébar de testimóniis tuis in conspéctu regum, et non confundébar: et meditábar in mandátis tuis, quæ diléxi nimis. Ps. 118, 1 Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. ℣. Glória Patri...Falava dos vossos testemunhos na presença dos reis, e não me envergonhava: e meditava nos vossos mandamentos, que eu amava soberanamente. Sl. Bem-aventurados os imaculados no caminho: que andam na lei do Senhor. ℣. Glória ao Pai...
Olhai, amados irmãos, para o imponente afresco que o Evangelho nos pinta nesta sagrada liturgia: o cortejo noturno, as dez virgens, o sono comum da morte e o grito estrondoso da meia-noite! Que mistério tremendo se esconde no azeite destas lâmpadas? Todas as dez adormeceram, todas possuíam suas ânforas, todas se vestiam para a festa. Contudo, cinco trouxeram o vasilhame vazio. Quão perfeitamente estas virgens loucas retratam a tragédia de uma religiosidade que ostenta a casca, mas esvaziou-se do miolo! Vemos hoje, espalhados pelo mundo, agrupamentos que carregam o nome de cristãos, mas que erguem templos de vento. Tais assembleias adoram o palco humano; preservam o palavreado fraterno, o verniz de uma comunidade acolhedora e os ritos festivos, mas a chama viva da graça santificante lhes fugiu por entre os dedos. Transformaram o altar, que é lugar de sacrifício incruento e escada para o Paraíso, em um mero espelho onde o homem admira a si mesmo. Onde está o azeite do temor de Deus? Onde está o óleo perfumado da doutrina imutável? Evaporaram-se, trocados por um clube de opiniões humanas onde a cruz é varrida para debaixo do tapete do conforto mundano. Mas o glorioso Santo Agostinho adverte-nos com voz de trovão: o azeite da verdadeira caridade não se pode tomar emprestado; ele custa o suor da oração, as lágrimas da penitência e a humilhação diante dos sacramentos. Sem essa vida interior, como recorda o magno São Gregório, a primeira ventania da tribulação apagará o pavio trêmulo das aparências. E é exatamente contra este veneno do naturalismo - esta ilusão de que podemos entrar nas Bodas do Cordeiro sem o óleo do sacrifício - que Santa Tecla foi suscitada. Cada eleito de Deus desce à arena do mundo com a espada forjada para degolar a serpente de seu próprio tempo. Se a antiguidade idólatra exigia a adoração da carne e do Estado, a nossa época envenena as almas com a facilidade e o culto do bem-estar material, convidando o sobrenatural a retirar-se pelos fundos. A virgem de Icônio levanta-se hoje para esbofetear essa tibieza. Ela, que não temeu as chamas nem os leões famintos, recorda-nos que a cidadania do cristão está fincada na Eternidade. Não vendamos nosso azeite sagrado pelas palmas do mundo! Conservemos a substância da Fé, para que, quando o Esposo romper os céus à meia-noite, não ouçamos da boca da Verdade o terrível veredito de quem se perdeu nas sombras: Em verdade vos digo, não vos conheço.
Epístola (Eclo 51, 1-8 e 12) - Confitébor tibi, Dómine, Rex, et collaudábo te Deum Salvatórem meum. Confitébor nómini tuo: quóniam adjútor et protéctor factus es mihi, et liberásti corpus meum a perditióne, a láqueo linguæ iníquæ, et a lábiis operántium mendácium, et in conspéctu astántium factus es mihi adjútor. Et liberásti me secúndum multitúdinem misericórdiæ nóminis tui a rugiéntibus, præparátis ad escam, de mánibus quæréntium ánimam meam, et de portis tribulatiónum, quæ circumdedérunt me: a pressúra flámmæ, quæ circúmdedit me, et in médio ignis non sum æstuátus: de altitúdine ventris ínferi, et a lingua coinquináta, et a verbo mendácii, a rege iníquo, et a lingua injústa. Laudábit usque ad mortem ánima mea Dóminum: quóniam éruis sustinéntes te, et líberas eos de mánibus géntium, Dómine, Deus noster.
Livro da Sabedoria. Glorificar-Vos-ei, ó Senhor, meu Rei, e louvar-Vos-ei, ó Deus, Salvador meu. Celebrarei o vosso Nome porque Vos fizestes meu auxílio e meu protetor e livrastes o meu corpo da perdição, do laço da língua iníqua e dos lábios dos mentirosos. Diante dos meus adversários Vos declarastes o meu defensor. Livrastes-me, segundo a vossa grande misericórdia, dos que rugiam preparados para me devorar; das mãos dos que procuravam tirar-me a vida; do poder das tribulações que me cercavam, da violência da chama que me envolvia, e, no meio do fogo, não senti calor; das profundezas do inferno e da língua impura, da palavra de mentira, de um rei iníquo e da língua injusta. Minha alma louvará o Senhor até a morte, porque Vós livrais dos perigos aqueles que em Vós esperam, e os salvais das mãos dos gentios, ó Senhor, nosso Deus.
Evangelho (Mt 25, 1-13) - In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis parábolam hanc: Símile erit regnum cælórum decem virgínibus: quæ accipiéntes lámpades suas exiérunt óbviam sponso et sponsæ. Quinque autem ex eis erant fátuæ, et quinque prudéntes: sed quinque fátuæ, accéptis lampádibus, non sumpsérunt óleum secum: prudéntes vero accepérunt óleum in vasis suis cum lampádibus. Moram autem faciénte sponso, dormitavérunt omnes et dormiérunt. Média autem nocte clamor factus est: Ecce, sponsus venit, exíte óbviam ei. Tunc surrexérunt omnes vírgines illæ, et ornavérunt lámpades suas. Fátuæ autem sapiéntibus dixérunt: Date nobis de óleo vestro: quia lámpades nostræ exstinguúntur. Respondérunt prudéntes, dicéntes: Ne forte non suffíciat nobis, et vobis, ite pótius ad vendéntes, et émite vobis. Dum autem irent émere, venit sponsus: et quæ parátæ erant, intravérunt cum eo ad núptias, et clausa est jánua. Novíssime vero véniunt et réliquæ vírgines, dicéntes: Dómine, Dómine, áperi nobis. At ille respóndens, ait: Amen, dico vobis, néscio vos. Itaque vigiláte, quia nescítis diem, neque horam.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo e da esposa. Cinco porém, dentre elas, eram loucas e cinco prudentes. Ora, as cinco loucas, tomando as suas lâmpadas, não trouxeram azeite consigo. As prudentes, porém, com as suas lâmpadas, tomaram azeite em suas vasilhas. Tardando o esposo a chegar, todas elas tiveram sono e adormeceram. Quando era meia noite, ouviu-se um grito: Eis que chega o esposo, saí-lhe ao encontro. Então se levantaram todas essas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos de vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Responderam as prudentes: Talvez não seja ele suficiente para nós e para vós; ide antes aos que o vendem e comprai-o para vós. Mas, enquanto elas foram comprá-lo, veio o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas; e a porta foi fechada. Mais tarde vieram também as outras virgens e chamaram: Senhor, Senhor, abri-nos. Ele lhes respondeu, dizendo: Em verdade vos digo: eu não vos conheço. Vigiai pois, porque não sabeis o dia nem a hora.