São Lino, o primeiro sucessor de São Pedro na Cátedra Romana, governou a Igreja em um período de intensa tribulação e perseguição, aproximadamente entre os anos 67 e 76 da era cristã. Mencionado nominalmente pelo Apóstolo São Paulo em sua segunda carta a Timóteo (4, 21), a sua vida heroica constitui o glorioso testemunho da ininterrupta continuidade do primado apostólico. Na condição de primeiro elo na inquebrável cadeia de sucessão papal logo após o Príncipe dos Apóstolos, São Lino fortificou a nascente estrutura da Igreja de Roma, providenciando a ordenação dos primeiros bispos e estabelecendo veneráveis preceitos litúrgicos. O seu padecimento final, coroado com o martírio por decapitação, selou com o próprio sangue a santa fé que ele tão vigilantemente pastoreou. O testemunho da sua primazia é corroborado de modo irrefutável por Santo Ireneu de Lião, que na sua magna obra "Contra as Heresias" proclama que os bem-aventurados apóstolos, tendo fundado e edificado a Igreja, confiaram o sagrado ofício do episcopado a Lino, cujos restos mortais repousam junto aos de Pedro na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Olhai, amados irmãos, para a rocha inabalável sobre a qual repousam os vossos pés! Hoje a sagrada liturgia eleva os nossos olhos para São Lino, a primeira pedra angular assentada logo após o maciço rochedo que é São Pedro, para nos ensinar que a Igreja de Cristo não é uma invenção humana que morre com os seus fundadores, mas uma edificação divina que desafia os séculos. Pergunto-vos, com a alma ardente: qual foi o rebanho que Lino herdou e que o Introito de hoje o manda pastorear com caridade? Lino assumiu o leme da barca num oceano em fúria, quando o paganismo tentava afogar a pureza cristã com falsos prazeres e quando as primeiras serpentes da divisão já sibilavam mentiras para estraçalhar a fé. A sua grande obra, pela qual pagou com o pescoço sob a espada, foi precisamente fixar no chão manchado de sangue de Roma a ordem, a hierarquia e o sacrifício, impedindo que a religião recém-nascida se fragmentasse em filosofias vãs. Contemplai, por outro lado, a terrível ilusão que cega o nosso tempo! Ergue-se diante de nós um simulacro grotesco de santuário, uma paródia de culto onde o exterior imita a piedade, mas cujas entranhas estão podres de vaidade. Nessas assembleias teatrais, que adoram a si mesmas, pronuncia-se um vocabulário adocicado de harmonia terrena, enquanto o Deus vivo é veladamente empurrado para fora do santuário para que o homem soberbo seja colocado sob os holofotes. Retiraram o sacrifício e colocaram a festa ruidosa; apagaram a chama da sã doutrina para acender o fogo-fátuo das opiniões e aplausos mútuos. Fizeram do corpo místico uma reles associação recreativa, pois a mente mundana abomina a austeridade da cruz, embriagando-se no pântano das facilidades passageiras e buscando no culto apenas um afago psicológico. São Lino, ao contrário, foi o modelo supremo de quem não exerce o domínio pelo lucro infame, como ensina São Pedro na Epístola, mas que aponta o dedo firmemente para os céus, conduzindo as almas para longe deste lamaçal. Quando Pedro confessou no Evangelho: "Vós sois o Cristo, o Filho do Deus vivo!", ele não fundou um clube de simpatias. Ele lançou o alicerce granítico da Verdade. Santo Agostinho, com a sua mente iluminada, alerta-nos que, ao receber as benditas chaves, aquele pobre pescador abraçava em si a totalidade da Igreja; e São Leão Magno brada que esta majestade divina depositada em Pedro é inesgotável, transferindo-se incólume para os seus sucessores. Portanto, despertai do torpor, ó almas resgatadas! Repudiai as fábulas desta falsa cristandade que rasteja no pó e abraçai a fé perene dos santos mártires, pois somente sobre esta pedra, irrigada pelo sangue de Papas como Lino, o Senhor edifica o Seu tabernáculo e garante que as portas do inferno jamais hão de prevalecer!
Introito - (Jo 21, 15-17; Sl 29, 2) Si díligis me, Simon Petre, pasce agnos meos, pasce oves meas. Ps. Exaltábo te, Dómine, quóniam suscepísti me, nec delectásti inimícos meos super me. ℣. Glória Patri...Se tu me amas, Simão Pedro, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Sl. Eu Vos glorificarei, Senhor, porque me recebestes, e não permitistes que os meus inimigos se alegrassem à minha custa. ℣. Glória ao Pai...
Epístola (I Pe 5, 1-4. 10-11) - Caríssimi: Senióres ergo, qui in vobis sunt, óbsecro, consénior et testis Christi passiónum, qui et ejus, quæ in futúro revelánda est, glóriæ communicátor: páscite qui in vobis est gregem Dei, providéntes non coácte, sed spontánee secúndum Deum, neque turpis lucri grátia, sed voluntárie; neque ut dominántes in cleris, sed forma facti gregis ex ánimo. Et cum apparúerit princeps pastórum, percipiétis immarcescíbilem glóriæ corónam. Deus autem omnis grátiæ, qui vocávit nos in ætérnam suam glóriam in Christo Jesu, módicum passos ipse perfíciet, confirmábit, solidabítque. Ipsi glória et impérium in sǽcula sæculórum. Amen.Caríssimos: Aos anciãos entre vós exorto eu, ancião como eles e testemunha dos padecimentos de Cristo, como também companheiro na glória que se há de manifestar. Apascentai o rebanho de Deus que vos está confiado; tende cuidado dele, não constrangidos, mas de bom grado, segundo Deus, não por amor de lucro vil, mas por dedicação, não como que exercendo domínio sobre os Eleitos, mas fazendo-vos de coração modelos do rebanho. Quando então aparecer o Supremo Pastor recebereis a coroa imarcescível da glória. O Deus de toda a graça, que no Cristo Jesus nos chamou para a sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará. A Ele a glória e por todos os séculos. Amém.
Evangelho (Mt 16, 13-19) - In illo témpore: Venit Jesus in partes Cæsaréæ Philíppi, et interrogábat discípulos suos, dicens: Quem dicunt hómines esse Fílium hóminis? At illi dixérunt: Álii Joánnem Baptístam, álii autem Elíam, álii vero Jeremíam, aut unum ex prophétis. Dicit illis Jesus: Vos autem quem me esse dícitis? Respóndens Simon Petrus dixit: Tu es Christus, Fílius Dei vivi. Respóndens autem Jesus, dixit ei: Beátus es Simon Bar Jona: quia caro et sanguis non revelávit tibi, sed Pater meus, qui in cælis est. Et ego dico tibi, quia tu es Petrus, et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam, et portæ ínferi non prævalébunt advérsus eam. Et tibi dabo claves regni cælórum. Et quodcúmque ligáveris super terram, erit ligátum et in cælis: et quodcúmque sólveris super terram, erit solútum et in cælis.Naquele tempo, veio Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, e interrogou os seus discípulos: Na opinião dos homens quem é o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que Jeremias ou algum dos Profetas. Disse-lhes Jesus: E vós, quem julgais que eu sou? Tomando a palavra, Simão Pedro disse: Vós sois o Cristo, Filho de Deus vivo. E respondendo, Jesus disse: Bem-aventurado és tu, Simão Bar Jonas (filho de Jonas), porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas meu Pai que está nos céus. E por isso te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus. E tudo que ligares sobre a terra, será ligado nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus.