domingo, 19 de julho de 2026

VIII Domingo depois de Pentecostes ✧ a prudência dos filhos da luz

Introito - Suscépimus, Deus, misericórdiam tuam in médio templi tui. Secúndum nomen tuum, Deus, ita et laus tua in fines terræ: justítia plena est déxtera tua. Psalmus. Magnus Dóminus, et laudábilis nimis: in civitáte Dei nostri, in monte sancto ejus. Gloria Patri...Alcançamos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio de vosso templo. Como vosso Nome, ó Deus, assim o vosso louvor se estende até os confins da terra; vossa Destra está cheia de justiça. Sl. Grande é o Senhor e mui digno de louvores; na cidade de nosso Deus, na sua montanha santa. Glória ao Pai...


O Oitavo Domingo depois de Pentecostes insere-se no longo e sagrado tempo litúrgico que simboliza a peregrinação terrestre da Igreja, assistida perenemente pelo Espírito Santo, desde a descida do Paráclito no Cenáculo até a consumação dos séculos. É a época da militância espiritual, na qual os fiéis são convocados a produzir frutos de santidade em meio às adversidades de um mundo decaído. Na Roma Antiga, os cristãos que se congregavam na Basílica de São Pedro compreendiam, através desta venerável liturgia, a urgente necessidade de administrar com sabedoria os bens passageiros, recordando sempre que os grandes impérios e as glórias terrenas haveriam de ruir e virar pó, enquanto o Reino de Deus, cravado no sacrifício perene e na verdade imutável, permaneceria inabalável como o nosso verdadeiro tabernáculo eterno.

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Ergue o teu olhar, ó alma cristã, e contempla a formidável distância entre a majestade puríssima deste altar e a miséria de um mundo que jaz nas trevas. No santo e tremendo sacrifício de hoje, a Igreja, qual mãe aflita e zelosa, faz ressoar a voz do Apóstolo Paulo e do próprio Cristo para nos arrancar do torpor da morte. Vivemos dias turvos, nos quais o espírito do século tenta, com astúcia serpentina, penetrar no recinto sagrado, sussurrando aos corações enfraquecidos que a doutrina da cruz é pesada demais e que os ensinamentos graníticos dos santos podem ser suavizados e remodelados para mendigar a simpatia dos homens. Prometem aos incautos uma religião de facilidades e estofos, despida do Calvário, onde os sorrisos mundanos substituem a reverência ao Deus Altíssimo, e onde mudanças venenosas e sutis se disfarçam sob o manto de uma falsa piedade. Contudo, São Paulo nos fere a consciência com voz de trovão: se viverdes segundo a carne, morrereis! Não fomos lavados no Sangue ardente do Cordeiro para rastejar nos prazeres efêmeros, agradando a criaturas de barro; recebemos o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Pai! Como autênticos filhos da luz, observai o feitor infiel do Evangelho. O Senhor não enaltece a sua fraude, mas admira a energia febril com que os filhos deste mundo lutam e tramam por riquezas passageiras. Que imensa e dolorosa vergonha para nós, filhos de Deus e herdeiros do Céu, quando somos ultrapassados em sagacidade e zelo pelos amantes do dinheiro! Eles perdem o sono e a paz por aplausos enganosos e por uma glória que as traças corroem; nós, ao revés, dormimos languidamente enquanto o tesouro inestimável da fé sofre golpes mascarados e covardes. Desperta, ó filho da luz! Emprega as coisas transitórias - as tuas energias, os teus bens, os teus parcos dias - não para te amoldares às inovações comodistas que o mundo tanto exalta, mas para granjear a verdadeira amizade divina, ordenando tudo para a caridade sobrenatural que te abrirá os tabernáculos celestes. Aquele que se deixa guiar pelo Espírito Santo crucifica a carne, repudia os enganos de uma paz falsa que teme o sofrimento e abraça com fervor invencível o sacrifício. Que a tua alma, alcançando hoje a misericórdia inesgotável no meio do templo do Senhor, jamais se deixe enganar pelas luzes artificiais deste século, mas caminhe com a valentia dos mártires rumo à eterna herança de Jesus Cristo.


Epístola (Rm 8, 12-17) - Irmãos: Nós não somos devedores à carne, para que vivamos segundo a carne. Porque se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis. Pois todos os que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Com efeito, não recebestes o espírito de servidão para continuardes no temor; mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Abba! (Pai!) E este Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, também somos herdeiros; herdeiros de Jesus e co-herdeiros do Cristo.


Evangelho (Lc 16, 1-9) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: Havia um homem rico que tinha um feitor; e este foi acusado perante ele de haver dissipado os seus bens. Então ele o chamou e lhe disse: Que é isto que ouço dizer de ti? Dá conta de tua administração, porque já não poderás ser feitor. Disse o feitor consigo: Que farei, visto que o meu senhor me tira a administração? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. Sei o que hei de fazer, para que, quando for destituído da administração, encontre quem me receba em sua casa. Chamou cada um dos devedores de seu senhor, e disse ao primeiro: Quanto deves a meu senhor? Ele respondeu: Cem medidas de azeite. E o feitor disse: Toma a tua obrigação; senta-te depressa, e escreve cinquenta. Depois disse a outro: E tu, quanto deves? Ele respondeu: Cem alqueires de trigo. Disse-lhe o feitor: Toma as tuas letras, e escreve oitenta. E o senhor louvou o feitor infiel, por ter agido com inteligência, porque os filhos deste mundo entre si são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. Portanto, também eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da iniquidade, para que, quando chegar a vossa hora, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.

Homilia do Padre Gilberto (Capela São José do Patrocínio)

Homilia do Don Alberto Secci (Vocogno in Val Vigezzo) [IT]