sábado, 29 de agosto de 2026

29 Agosto ✧ Santa Sabina, Mártir ✧ a pérola preciosa adquirida pelo sacrifício da própria vida

Introito - (Sl 118, 95-96; 1) Me exspectavérunt peccatóres, ut pérderent me: testimónia tua, Dómine, intelléxi: omnis consummatiónis vidi finem: latum mandátum tuum nimis. Ps. Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen. - Me exspectavérunt... Os pecadores esperaram-me para me perderem; porém, Senhor, fixei a minha atenção nos vossos preceitos. Vi o fim de toda a perfeição: só o vosso mandamento é infinito. Sl. Bem-aventurados os imaculados no caminho, que andam na lei do Senhor. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém. - Os pecadores esperaram-me...


Ilustre matrona da mais nobre estirpe romana e viúva do senador Valentim, Santa Sabina foi arrancada das trevas do paganismo pelo testemunho luminoso e a piedade heroica de sua virtuosa serva, Santa Serápia. Ao testemunhar a escrava selar com o próprio sangue a confissão da fé sob a perseguição do imperador Adriano, a nobre senhora não hesitou em resgatar seu corpo sagrado para sepultá-lo com veneração, assumindo publicamente o doce jugo de Cristo. Despojando-se das honras patrícias, dos vestidos suntuosos e das riquezas perecíveis deste mundo, enfrentou com serenidade invencível o tribunal do prefeito Elpídio, confessando que seu único tesouro e glória era adorar o Deus vivo, sendo martirizada pela espada por volta do ano 126, cujo corpo imortal repousa em Roma sob o altar-mor da célebre Basílica de Santa Sabina no Monte Aventino.

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Considerai, ó fiéis, a sublime comparação evangélica: a que se assemelha o Reino dos céus senão a um negociante que, encontrando uma única pérola de valor inestimável, vai, vende sem hesitar todos os seus bens e a compra com júbilo incontido? Que contraste impressionante entre esta santa loucura da graça e a covardia da mentalidade deste século! O homem mundano deseja a recompensa da eternidade sem suportar a perda de seus apegos terrenos; procura uma fé confortável, destituída de cruz e de renúncia, que afague a sua carne e não exija o sacrifício de suas ambições passageiras. Multiplicam-se os ardis sutis que pretendem conciliar a amizade com Cristo e as concessões com o espírito corrompido do mundo, esquecendo que o coração dividido é abominável ao Altíssimo. Vede como a parábola da rede adverte com severidade inexorável a consumação dos tempos: na praia da eternidade, os anjos farão a triagem definitiva, e os peixes maus, que viveram comodamente na podridão de seus pecados sob a aparência de piedade, serão precipitados na fornalha ardente onde há choro e ranger de dentes perpétuos! Santa Sabina compreendeu que o sangue dos mártires é a moeda de ouro que adquire a pérola imperecível. Ela não calculou o preço de sua nobreza terrena nem recuou diante da fúria dos juízes iníquos; desceu à arena como quem marcha para as núpcias divinas, sabendo que as chamas e a espada dos homens nada podem contra a alma resguardada pela Providência. Sacudi, pois, a vossa tibieza! Não permitais que as promessas ilusórias do mundo vos roubem a herança imutável; vendei os vossos respeitos humanos, arrancai os ídolos ocultos em vossos corações e abraçai com fervor inquebrantável a santa ortodoxia e a severidade salvadora da fé tradicional, para que no juízo derradeiro sejais contados no cesto dos justos.


Epístola (Eccli 51, 1-8. 12) - Confitébor tibi, Dómine, Rex, et collaudábo te Deum Salvatórem meum. Confitébor nómini tuo: quóniam adjútor et protéctor factus es mihi, et liberásti corpus meum a perditióne, a láqueo línguæ iníquæ, et a lábiis operántium mendácium, et in conspéctu astántium factus es mihi adjútor. Et liberásti me secúndum multitúdinem misericórdiæ nóminis tui a rugiéntibus, præparátis ad escam, de mánibus quæréntium ánimam meam, et de portis tribulatiónum, quæ circumdedérunt me: a pressúra flammæ, quæ circúmdedit me, et in médio ignis non sum æstuáta: de altitúdine ventris ínferi, et a lingua coinquináta, et a verbo mendácii, a rege iníquo, et a lingua injústa: laudábit usque ad mortem ánima mea Dóminum: quóniam éruis sustinéntes te, et líberas eos de mánibus géntium, Dómine Deus noster. Eu Vos glorificarei, ó Senhor Rei, e Vos louvarei, ó Deus, meu Salvador. Glorificarei o vosso Nome, porque fostes meu auxílio e meu protetor, e livrastes o meu corpo da perdição, do laço da língua iníqua e dos lábios dos que tramam a mentira; e na presença dos circunstantes fostes o meu auxílio. E livrastes-me, segundo a multidão da misericórdia do vosso Nome, dos que rugiam preparados para me devorar, das mãos dos que buscavam a minha vida, e das portas das tribulações que me cercavam; da violência das chamas que me rodeavam, e no meio do fogo não me queimei; das profundezas do seio do abismo, da língua impura, da palavra mentirosa, do rei iníquo e da língua injusta. A minha alma louvará ao Senhor até a morte, porque livrais os que em Vós confiam e os salvais das mãos das nações, ó Senhor, nosso Deus.


Evangelho (Mt 13, 44-52) - In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis parábolam hanc: Símile est regnum cælórum thesáuro abscóndito in agro: quem qui invénit homo, abscóndit, et præ gáudio illíus vadit, et vendit univérsa quæ habet, et emit agrum illum. Íterum símile est regnum cælórum hómini negotiatóri, quærénti bonas margarítas. Invénta autem una pretiósa margaríta, ábiit, et véndidit ómnia quæ hábuit, et emit eam. Íterum símile est regnum cælórum sagénæ missæ in mare, et ex omni génere píscium congregánti. Quam, cum impléta esset, educéntes, et secus litus sedéntes, elegérunt bonos in vasa, malos autem foras misérunt. Sic erit in consummatióne sǽculi: exíbunt Angeli, et separábunt malos de médio justórum, et mittent eos in camínum ignis: ibi erit fletus et stridor déntium. Intellexístis hæc ómnia? Dicunt ei: Etiam. Ait illis: Ídeo omnis scriba doctus in regno cælórum símilis est hómini patrifamílias, qui profert de thesáuro suo nova et vétera. Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, o qual um homem encontra e torna a esconder; e, cheio de alegria por isso, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. O Reino dos céus é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. E, tendo encontrado uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que possuía e a comprou. O Reino dos céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que recolhe peixes de toda espécie. Quando está cheia, puxam-na para a praia e, sentando-se, recolhem os bons em cestos e deitam fora os ruins. Assim será no fim dos tempos: sairão os Anjos e separarão os maus do meio dos justos, e os lançarão na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. Entendestes todas estas coisas? Responderam-lhe: Sim. E Ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instruído no Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.