Introito - Si díligis me, Simon Petre, pasce agnos meos, pasce oves meas. Allelúia, allelúia. Ps. Exaltábo te, Dómine, quóniam suscepísti me, nec delectásti inimícos meos super me.Se tu me amas, Simão Pedro, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Aleluia, aleluia. Salmo. Eu Vos glorificarei, Senhor, porque me recebestes, e não permitistes que os meus inimigos se alegrassem à minha custa.
Elevado à Cátedra de Pedro no ano de 254, o glorioso Papa São Estêvão I empunhou o leme da Barca de Cristo em meio a tempestades formidáveis, enfrentando não apenas a fúria sanguinolenta dos imperadores pagãos, mas, sobretudo, as rachaduras internas causadas por cismas e falsas doutrinas. Quando vozes influentes e intelectuais da época exigiam indevidamente que os hereges fossem rebatizados ao retornarem à Igreja, este intrépido Vigário de Cristo ergueu-se como uma montanha inabalável contra a adulteração dos sacramentos, proclamando a sua célebre e imortal sentença: "Nihil innovetur, nisi quod traditum est" (Que nada seja inovado, a não ser o que foi transmitido). Pela defesa granítica desta pureza inviolável da fé, coroou o seu múnus pontifical com a púrpura do martírio no ano de 257, sendo decapitado, segundo a piedosa tradição, no próprio trono episcopal enquanto celebrava os santos mistérios nas catacumbas. Os seus veneráveis restos mortais, depositados nas Catacumbas de São Calisto, recordam eternamente à Cristandade que o sangue dos pontífices é a argamassa divina que sustenta os alicerces da Tradição.
Contemplemos, almas redimidas pelo Sangue do Cordeiro, a majestade terrível e consoladora do Primado Romano, que resplandece como um sol meridiano na liturgia de hoje! No Evangelho, ouvimos a voz criadora do Verbo declarar que sobre a fraqueza humana de Simão edificaria uma fortaleza espiritual inexpugnável, contra a qual os abismos infernais jamais cantariam vitória. Como essa promessa divina contrasta com a ruína de tantas mentalidades contemporâneas! Em nossos dias infelizes, vemos as muralhas da Cristandade serem assediadas por um mal silencioso, um engano melífluo que repudia a rudeza do sacrifício para abraçar os afagos do mundo. Sob o disfarce sedutor da misericórdia humana, multiplicam-se inovações venenosas, mudanças cirúrgicas e concessões ardilosas, criadas unicamente para agradar às plateias e apagar o escândalo da Cruz, transformando o santuário num espelho turvo das modas passageiras. Mas olhai para o grande São Estêvão I! Diante da grande provação de sua época, quando a tentação de alterar a praxe imemorial batia às portas de Roma, ele não convocou assembleias para buscar aplausos, nem adaptou a Sã Doutrina aos caprichos de mentes brilhantes. Ele desferiu o golpe de misericórdia sobre a heresia com o escudo inquebrantável da Tradição Apostólica! Acaso o Primeiro Papa, na Epístola de hoje, nos exorta a apascentar o rebanho movidos por lucros vis de popularidade? De modo algum! Ele nos convoca a suportar os padecimentos de Cristo. Como ensinam os grandes luminares e Padres da Igreja, o lobo não devora o rebanho apenas com dentes expostos; muitas vezes, veste-se de pastor flexível, sugerindo que a doutrina perca as suas arestas vivas para não ofender o século. Quando a cabeça venerável de Estêvão rolou sobre as lajes frias das catacumbas, manchando de púrpura os sagrados paramentos, o seu sangue selou a condenação eterna de todo espírito de novidade. Despertemos, pois, do nosso sono cômodo e covarde! Queiramos antes ser decapitados pelas mãos do mundo a renunciar a um só til do depósito sagrado que nos foi entregue. Que as chaves entregues a Pedro não nos abram as portas das facilidades terrenas, mas nos concedam a coragem indomável para alcançar a coroa imarcessível da glória.
Epístola (I Pe 5, 1-4, 10-11) - Caríssimos: Aos anciãos entre vós exorto eu, ancião como eles e testemunha dos padecimentos de Cristo, como também companheiro na glória que se há de manifestar; apascentai o rebanho de Deus que vos está confiado, tende cuidado dele, não constrangidos, mas de bom grado, segundo Deus, não por amor de lucro vil, mas por dedicação, não como que exercendo domínio sobre os Eleitos, mas fazendo-vos de coração modelos do rebanho; e, quando então aparecer o Supremo Pastor, recebereis a coroa imarcessível da glória. O Deus de toda a graça, que no Cristo Jesus nos chamou para a sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará. A Ele a glória e o império por todos os séculos. Amém.
Evangelho (Mt 16, 13-19) - Naquele tempo, veio Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, e interrogou os seus discípulos: Na opinião dos homens quem é o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que Jeremias ou algum dos Profetas. Disse-lhes Jesus: E vós, quem julgais que eu sou? Tomando a palavra, Simão Pedro disse: Vós sois o Cristo, Filho de Deus vivo. E respondendo, Jesus disse: Bem-aventurado és tu, Simão Bar Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas meu Pai que está nos céus. E por isso te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus. E tudo que ligares sobre a terra, será ligado nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus.