🌹 Nascida na ilustre família Pazzi de Florença em 1566, Catarina recebeu um profundo chamado místico desde tenra idade, professando um voto de virgindade aos dez anos. Desejosa de receber a Sagrada Comunhão diariamente, ingressou na Ordem do Carmo e adotou o nome de Maria Madalena. Sua vida foi um contínuo milagre de penitência assombrosa, sofrimento físico e êxtases sublimes que a elevavam aos mais altos graus da contemplação. Ela suportou um período de cinco anos de lancinante desolação espiritual, severas tentações e dolorosas enfermidades, emergindo purificada para experimentar o matrimônio espiritual com Cristo, de quem recebeu a coroa de espinhos e os estigmas invisíveis. Ardentemente consumida pelo zelo da salvação das almas e pela reforma do clero e da Igreja, ela percorria os corredores do convento clamando a célebre frase: "O Amor não é amado!". Assumiu para si o heroico lema espiritual "Pati, non mori" (Padecer, não morrer), oferecendo-se como vítima expiatória pelos pecados do mundo. Esgotada por suas inenarráveis penitências e por uma prolongada doença que a purificou como ouro no crisol, entregou sua alma virginal a Deus em 25 de maio de 1607. Seu corpo incorrupto repousa na Igreja de Santa Maria Maddalena dei Pazzi, em Florença, monumento perene do valor redentor do sofrimento unido à Cruz de Nosso Senhor.
🛐 O apóstolo São Paulo, inflamado pelo zelo divino, adverte-nos na epístola de hoje que fomos desposados com um único esposo, a fim de sermos apresentados a Cristo como virgens castas. Esta pureza de fé e integridade de vida, que cintilou de modo incomum na penitente e mística trajetória de Santa Maria Madalena de Pazzi, representa o azeite salutar que deve conservar as nossas lâmpadas brilhando, à semelhança das virgens prudentes do Evangelho, sempre vigilantes e atentas aos passos do Esposo. No entanto, constatamos com dor que muitos homens de nossa época já não suportam a sã doutrina nem a incorruptível verdade revelada; arrastados por ilusões frívolas e pelos prazeres fugazes da carne, amontoam para si mesmos guias complacentes, dispostos a afagar as suas paixões desordenadas. Na audácia de seus corações obstinados, tentam amoldar a Esposa de Cristo aos ditames seculares, corrompendo-a por dentro, ignorando a premissa de que não fomos chamados para agradar aos homens, mas a Deus que perscruta o íntimo da alma. O verdadeiro cristão não mendiga a glória efêmera e o aplauso dos mortais. O Doutor Santo Agostinho nos ilumina ao explicar que as vasilhas de azeite são as consciências retas, onde se guarda o verdadeiro amor a Deus e o desapego das lisonjas do mundo. A santa carmelita chorava copiosamente ao ver as afrontas cometidas no seu século; que pranto não derramaria ao testemunhar a apostasia de nossos dias? Que o seu admirável exemplo, cuja alma ardente suplicava "padecer, não morrer", nos impulsione a manter inviolado o sagrado depósito da fé. Assim, quando ressoar o estrondoso clamor no meio da noite, não nos encontraremos vazios e adormecidos, mas prontos para adentrar o festim nupcial celeste, sustentando firmemente a lâmpada da caridade e da inegociável verdade católica.
Introito (Sl 44, 8) - Diléxisti justítiam, et odísti iniquitátem: proptérea unxit te Deus, Deus tuus, óleo lætítiæ præ compártibus tuis.
🛐 O santo do dia, Padre Lehmann
← Voltar📜 Epístola (II Coríntios 10, 17-18; 11, 1-2) - Irmãos: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. Pois não é aquele que se recomenda a si mesmo que é aprovado, mas aquele a quem Deus recomenda. Oxalá pudésseis suportar um pouco a minha insensatez! Sim, suportai-me. Porque zelo por vós com o zelo de Deus. Pois vos desposei com um único esposo, para vos apresentar a Cristo como virgem casta.
✝️ Evangelho (São Mateus 25, 1-13) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo e da esposa. Ora, cinco delas eram loucas e cinco prudentes. As loucas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. Tardando, porém, o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram. Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Eis que vem o esposo, saí-lhe ao encontro. Então todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não, para que talvez não falte a nós e a vós; ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. Tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as núpcias, e fechou-se a porta. Por fim, vieram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos. Mas ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que não vos conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.