São Bruno nasceu na cidade de Colônia, na Alemanha, por volta do ano 1030, no seio de uma família de notável nobreza. Dotado de inteligência penetrante, tornou-se um teólogo de imensa envergadura e professor exímio, chegando a dirigir a célebre escola da catedral de Reims. Contudo, a sua alma sedenta de eternidade sentia profunda náusea diante da degradação eclesiástica do seu tempo; os clérigos buscavam glórias passageiras, e a corrupção manchava os altares. Recusando energicamente a elevação ao arcebispado e pisando todas as honras terrenas, Bruno abandonou o mundo para abraçar o abismo da solidão e da penitência. No ano de 1084, acompanhado por seis companheiros inflamados pelo mesmo amor a Deus, embrenhou-se no inóspito deserto montanhoso de Chartreuse, nos Alpes franceses, onde fundou a severíssima Ordem dos Cartuxos. Esta santa milícia estabeleceu uma regra de perpétuo silêncio, rigoroso eremitismo, jejuns contínuos e altíssima contemplação. Mais tarde, por santa obediência, foi chamado a Roma pelo Papa Urbano II, seu antigo discípulo, para auxiliá-lo com seus conselhos. Contudo, o coração do monge suspirava pelo ermo. Obtendo permissão para retirar-se novamente, fundou um segundo mosteiro no sul da Itália, onde entregou sua puríssima alma a Deus no ano de 1101. O seu corpo repousa na venerável Cartuxa de Serra San Bruno, na Calábria, santuário vivo de perpétua adoração.
Contemplai, meus irmãos, o formidável abismo que separa a sabedoria dos céus da loucura desta terra! Ouçamos o eco do deserto cartuxo que hoje faz estremecer as abóbadas das nossas consciências endurecidas. Para que fugiu São Bruno do convívio dos poderosos e das lisonjas de Reims? Ele enxergou, com o olhar purificado pela graça, o veneno devastador do seu século (um veneno que, ai de nós, inebria também a nossa pobre época): a tentação diabólica de rebaixar a Esposa de Cristo a um mero ajuntamento filantrópico. Há, meus filhos, uma religiosidade de fachada, uma farsa espiritual que domina a arte do espetáculo humano. Nela, o templo augusto transforma-se num palco de vaidades, onde o homem, tomado por absurda soberba, expulsa o seu Criador para colocar-se no centro da adoração. Preservam-se os paramentos e as melodias antigas, repetem-se discursos açucarados de companheirismo e bem-estar, mas a seiva divina foi drenada! O terrível e adorável Sacrifício é rebaixado a uma ceia de confraternização, a doutrina imutável e redentora é leiloada no mercado das opiniões mundanas, e a Fé viva definha, reduzindo-se ao conforto mesquinho de pertencer a um agrupamento social. É a tragédia suprema: a criatura usurpa o trono do Fim Último, e a cruz gloriosa é banida para dar lugar aos prazeres passageiros. Contra esta perversão que foge da mortificação e mendiga o aplauso da modernidade, ergue-se o gigante São Bruno. A sua prodigiosa vocação foi uma espada desembainhada contra o mundanismo clerical e a futilidade eclesiástica. A sua vida clama-nos que não há acordo possível entre o altar de Deus e as comodidades do mundo! Como nos exorta o grande Bispo de Hipona, a vigilância cristã exige que reprimamos os apetites da carne - eis os nossos rins cingidos - e que brilhemos com o fogo inextinguível da caridade autêntica - eis as nossas lâmpadas acesas. Bruno não depositou o seu coração no ouro que enferruja e nas riquezas tirânicas, como louva a Epístola de hoje, mas fez-se imaculado perante o Justo Juiz. No silêncio gelado da Cartuxa, cada instante é um aguardar fremente pelo Esposo que pode bater à porta na segunda ou na terceira vigília da noite. E nós? Teremos as nossas lâmpadas apagadas pelo ruído ensurdecedor das vaidades? Despertemos do sono da mediocridade! Rejeitemos esta falsa piedade feita à medida dos caprichos humanos; abracemos a aspereza redentora do combate interior, para que, quando o Filho do homem vier em Sua majestade, nos encontre vigiando, prontos para a ceia eterna, onde Ele mesmo servirá os que permaneceram fiéis até o fim.
Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium: lex Dei ejus in corde ipsíus.
Noli æmulári in malignántibus: neque zeláveris faciéntes iniquitátem.
℣. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.
℟. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen.
Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium: lex Dei ejus in corde ipsíus.
A boca do justo fala com sabedoria: e a sua língua proclama a justiça. A lei do seu Deus estará no seu coração.
Não vos irriteis contra os maus, nem tenhais inveja daqueles que cometem iniquidades.
℣. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.
℟. Como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.
A boca do justo fala com sabedoria: e a sua língua proclama a justiça. A lei do seu Deus estará no seu coração.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Sancti Brunónis Confessóris tui, quǽsumus, Dómine, intercessiónibus adjuvémur: ut, qui majestátem tuam gráviter delinquéndo offéndimus, ejus méritis et précibus, nostrórum delictórum véniam consequámur.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
℟. Amen.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
Que a intercessão do vosso Santo Confessor Bruno nos auxilie, Senhor, Vos rogamos, a fim de que, havendo ofendido gravemente a vossa majestade, obtenhamos o perdão dos nossos pecados pelos méritos e preces do mesmo santo.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
℟. Amém.
Léctio libri Sapiéntiæ.
Beátus vir, qui invéntus est sine mácula, et qui post aurum non ábiit, nec sperávit in pecúnia et thesáuris. Quis est hic, et laudábimus eum? fecit enim mirabília in vita sua. Qui probátus est in illo, et perféctus est, erit illi glória ætérna: qui potuit tránsgredi, et non est transgréssus: fácere mala, et non fecit: ídeo stabilíta sunt bona illíus in Dómino, et eleemósynas illíus enarrábit omnis ecclésia sanctórum.
℟. Deo grátias.
Lição do Livro da Sabedoria.
Bem-aventurado o homem que foi julgado sem mácula; que não correu após o ouro; e não pôs as esperanças nem no dinheiro, nem nos tesouros! Quem é ele, para que o louvemos? Porquanto operou cousas admiráveis durante a vida. Aquele que foi provado pelo ouro e foi julgado perfeito alcançará a glória eterna; pois poderia ter violado o mandamento, e o não violou; poderia ter praticado acções más, e as não praticou. É por esta razão que seus bens lhe estarão assegurados no Senhor e que toda a assembleia dos justos proclamará as boas acções que praticou.
℟. Graças a Deus.
Justus ut palma florébit: sicut cedrus Líbani multiplicábitur in domo Dómini.
℣. Ad annuntiándum mane misericórdiam tuam, et veritátem tuam per noctem. Allelúja, allelúja.
℣. Beátus vir, qui suffert tentatiónem: quóniam, cum probátus fúerit, accípiet corónam vitæ. Allelúja.
O justo florescerá, como a palmeira, e crescerá, como o cedro do Líbano, na casa do Senhor.
℣. Para publicar de manhã a vossa misericórdia; e de noite a vossa verdade. Aleluia, aleluia.
℣. Bem-aventurado o varão que sabe sofrer a tentação, porque, quando acabar a tentação, receberá a coroa da vida. Aleluia.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
℣. Sequéntia ☩ sancti Evangélii secúndum Lucam.
℟. Glória tibi, Dómine.
In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis: Sint lumbi vestri præcíncti, et lucernæ ardéntes in mánibus vestris, et vos símiles homínibus exspectántibus dóminum suum, quando revertátur a núptiis: ut, cum vénerit et pulsáverit, conféstim apériant ei. Beáti servi illi, quos, cum vénerit dóminus, invénerit vigilántes: amen, dico vobis, quod præcínget se, et fáciet illos discúmbere, et tránsiens ministrábit illis. Et si vénerit in secúnda vigília, et si in tértia vigília vénerit, et ita invénerit, beáti sunt servi illi. Hoc autem scitóte, quóniam, si sciret paterfamílias, qua hora fur veníret, vigiláret útique, et non síneret pérfodi domum suam. Et vos estóte paráti, quia, qua hora non putátis, Fílius hóminis véniet.
℟. Laus tibi, Christe.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
℣. Continuação ☩ do santo Evangelho segundo S. Lucas.
℟. Glória a Vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Estejam cingidos os vossos rins; tende nas vossas mãos lâmpadas acesas; sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor quando volta das bodas, para que, quando chegar e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos que seu senhor, quando chegar, os achar vigilantes. Em verdade vos digo que se cingirá, e, mandando-os sentar à mesa, passará por entre eles e os servirá. E, se chegar na segunda ou terceira vigília e assim os achar, bem-aventurados são esses servos. Ora, sabei que, se o pai de família conhecesse a hora em que viria o ladrão, vigiava, sem dúvida, para que sua casa não fosse assaltada. Vós, pois, estai preparados, porque o Filho do homem virá à hora em que menos cuidais».
℟. Louvores a Vós, ó Cristo.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Véritas mea et misericórdia mea cum ipso: et in nómine meo exaltábitur cornu ejus.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
A minha fidelidade e a minha misericórdia estarão com ele: e o seu poder elevar-se-á pelo meu nome.
Beátus servus, quem, cum vénerit dóminus, invénerit vigilántem: amen, dico vobis, super ómnia bona sua constítuet eum.
Bem-aventurado o servo que o Senhor, quando vier, achar vigilante. Em verdade vos digo que lhe dará a administração de todos seus bens.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Quǽsumus, omnípotens Deus: ut, qui cœléstia aliménta percépimus, intercedénte beáto Brunóne Confessóre tuo, per hæc contra ómnia advérsa muniámur.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
℟. Amen.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
Ó Deus omnipotente, Vos imploramos, havendo nós recebido o alimento celestial, fazei que, por intercessão do B. Confessor Bruno sejamos fortificados contra todas as adversidades.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
℟. Amém.