São Plácido, entregue ainda menino por seu nobre pai aos cuidados do grande patriarca São Bento no alto dos rochedos de Subiaco, tornou-se um dos mais puros e amados discípulos do fundador do monaquismo ocidental. A piedosa tradição relata que, tendo sido enviado à Sicília para plantar ali a semente da vida contemplativa monástica, coroou a sua vida de obediência heroica com o louro imperecível do martírio. Por volta do ano de 541, piratas sedentos de sangue e inimigos do nome cristão invadiram o seu refúgio de silêncio e oração, trucidando o santo abade juntamente com seus irmãos Eutíquio e Vitorino, sua irmã Flávia, e cerca de trinta monges de sua comunidade. O sangue destes eleitos regou o solo da Igreja, e suas venerandas relíquias repousam hoje gloriosamente na Igreja de São João de Malta, em Messina, atestando pelos séculos afora o preço de sacrifício pelo qual a verdadeira fé foi edificada.
Vede, meus irmãos, a impressionante advertência que o Filho de Deus profere hoje no Evangelho: "Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia". Que é o fermento senão aquela massa silenciosa que infla o pão, enchendo-o de ar e de um volume enganoso? Eis o terrível veneno que ronda os altares em todos os tempos, mas de modo muito agudo nestes nossos dias seduzidos pelo aplauso: a tentação de construir um cristianismo puramente de fachada. Quão fácil é erguer templos de exterior formoso, preservar velhos vocábulos e entoar hinos sobre afetos fraternos, enquanto a engrenagem profunda da religião gira em sentido inverso! Quando os olhos da assembleia já não se erguem para o Criador, mas se curvam enamorados sobre si mesmos; quando a liturgia divina, o formidável sacrifício incruento, degenera num mero espetáculo festivo para o congraçamento humano; quando o rigor luminoso da doutrina eterna se desmancha no caldo frouxo das conveniências passageiras, o que resta senão um sepulcro adornado? A fé deixa de ser o fogo que arranca a alma das trevas para as alturas celestiais, tornando-se tão somente o conforto psicológico de quem pertence a um grêmio terreno. É justamente para esmagar esta ilusão mortífera (esta farsa que afaga o homem mundano e expulsa o sacrifício redentor) que a Providência Divina nos lança ao rosto o testemunho dos santos. A missão do mártir não é outra senão golpear a cegueira de sua época. São Plácido e seus monges não abandonaram a riqueza do patriciado romano para ensaiar uma peça de teatro cívico. A Epístola ecoa o estrondo de suas vidas: eles aceitaram com alegria a espoliação de seus bens temporais porque enxergavam, com olhos de águia, um patrimônio imortal que traça não pode corroer. Eles nos interrogam hoje do fundo de seus claustros ensanguentados: de que tendes medo? Temeis aqueles que ferem a carne (que vos roubam a reputação, as facilidades e a comodidade) e esqueceis dAquele que tem o poder de lançar a alma na geena? Como nos ensinam os grandes luminares da doutrina, a coragem do mártir brota da certeza fulminante de que o tempo é pó e o Céu é tudo. Que a púrpura gloriosa de São Plácido purifique nossas almas deste fermento de morte, para que não ofereçamos a Deus um culto falso e oco, mas sim a substância viva de uma vida inteiramente consumida pela Sua adoração.
Salus autem justórum a Dómino: et protéctor eórum est in témpore tribulatiónis.
Noli æmulári in malignántibus: neque zeláveris faciéntes iniquitátem.
℣. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.
℟. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen.
Salus autem justórum a Dómino: et protéctor eórum est in témpore tribulatiónis.
A salvação dos justos, porém, está no Senhor; Ele é o seu refúgio na ocasião da tribulação.
Não invejeis os maus, nem tenhais emulação daqueles que cometem iniquidades.
℣. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.
℟. Como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.
A salvação dos justos, porém, está no Senhor; Ele é o seu refúgio na ocasião da tribulação.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Deus, qui nos concédis sanctórum Mártyrum tuórum Plácidi et Sociórum ejus natalítia cólere: da nobis in ætérna beatitúdine de eórum societáte gaudére.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
℟. Amen.
Pro S. Maria:
Orémus.
Concéde nos fámulos tuos, quǽsumus, Dómine Deus, perpétua mentis et córporis sanitáte gaudére: et, gloriósa beátæ Maríæ semper Vírginis intercessióne, a præsénti liberári tristítia, et ætérna pérfrui lætítia.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
℟. Amen.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
Ó Deus, que nos permitistes a graça de celebrarmos o nascimento no céu dos vossos Santos Mártires Plácido e seus companheiros, concedei-nos ainda a graça de gozarmos na sua companhia a bem-aventurança eterna.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
℟. Amém.
Comemoração de Santa Maria:
Oremos.
Concedei aos vossos servos, Senhor Deus, Vos suplicamos, o gozo da perpétua saúde da alma e do corpo, e que pela gloriosa intercessão da Bem-Aventurada Maria, sempre Virgem, sejamos livres das tristezas dos tempos presentes e alcancemos o gozo da eterna alegria.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
℟. Amém.
Léctio Epístolæ beáti Pauli Apóstoli ad Hebrǽos.
Fratres: Rememorámini prístinos dies, in quibus illumináti magnum certámen sustinuístis passiónum: et in áltero quidem oppróbriis et tribulatiónibus spectáculum facti: in áltero autem sócii táliter conversántium effécti. Nam et vinctis compássi estis, et rapínam bonórum vestrórum cum gáudio suscepístis, cognoscéntes vos habere meliórem et manéntem substántiam. Nolíte itaque amíttere confidéntiam vestram, quæ magnam habet remuneratiónem. Patiéntia enim vobis necessária est: ut, voluntátem Dei faciéntes, reportétis promissiónem. Adhuc enim módicum aliquántulum, qui ventúrus est, véniet, et non tardábit. Justus autem meus ex fide vivit.
℟. Deo grátias.
Lição da Epístola do Bem-Aventurado Apóstolo Paulo aos Hebreus.
Meus irmãos: Lembrai-vos dos primeiros dias em que, depois de haverdes recebido as luzes da fé, sofrestes grandes combates dolorosos, havendo sido, por um lado, expostos, diante de toda a gente, aos opróbrios e aos maus tratos, e, por outro lado, associados aos que sofreram iguais tormentos. Com efeito, vós compartilhastes as agruras dos prisioneiros e suportastes com alegria o despojo dos vossos bens, conhecendo que uma riqueza maior, que nunca seria arrebatada, vos estava reservada. Não percais a confiança que tendes, a qual deve alcançar uma recompensa de elevado valor. Com efeito, tendes necessidade de perseverança para que, depois de haverdes cumprido a vontade de Deus, alcanceis o prémio prometido. Esperai ainda algum tempo, e então chegará aquele que deve vir, o qual não tardará. Meu justo vive, pois, da sua fé.
℟. Graças a Deus.
Clamavérunt justi, et Dóminus exaudívit eos: et ex ómnibus tribulatiónibus eórum liberávit eos.
℣. Juxta est Dóminus his, qui tribuláto sunt corde: et húmiles spíritu salvábit. Allelúja, allelúja.
℣. Te Mártyrum candidátus laudat exércitus, Dómine. Allelúja.
Clamaram os justos; então o Senhor ouviu-os e livrou-os de todas suas aflições.
℣. O Senhor está próximo daqueles que têm o coração atribulado; e salvará os que têm o espírito humilhado. Aleluia, aleluia.
℣. O exército cândido dos mártires, ó Senhor, canta louvores em vossa honra! Aleluia.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Sequéntia ☩ sancti Evangélii secúndum Lucam.
℟. Glória tibi, Dómine.
In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis: Atténdite a ferménto pharisæórum, quod est hypócrisis. Nihil autem opértum est, quod non revelétur: neque abscónditum, quod non sciátur. Quóniam, quæ in ténebris dixístis, in lúmine dicéntur: et quod in aurem locúti estis in cubículis, prædicábitur in tectis. Dico autem vobis amícis meis: Ne terreámini ab his, qui occídunt corpus, et post hæc non habent ámplius quid fáciant. Osténdam autem vobis, quem timeátis: timéte eum, qui postquam occíderit, habet potestátem míttere in gehénnam. Ita dico vobis: hunc timéte. Nonne quinque pásseres véneunt dipóndio, et unus ex illis non est in oblivióne coram Deo? Sed et capílli cápitis vestri omnes numeráti sunt. Nolíte ergo timére: multis passéribus pluris estis vos. Dico autem vobis: Omnis, quicúmque conféssus fúerit me coram homínibus, et Fílius hóminis confitébitur illum coram Angelis Dei.
℟. Laus tibi, Christe.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Continuação ☩ do santo Evangelho segundo São Lucas.
℟. Glória a Vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Acautelai-vos com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia, pois nada há oculto que não chegue a ser descoberto, nem segredo que não venha a ser revelado. Até aquelas cousas que dissestes nas trevas serão publicadas à luz; e o que dissestes ao ouvido, no recôndito dos vossos cubículos, será apregoado sobre os telhados. Digo-vos, porém, a vós, que sois meus amigos: não tenhais receio daqueles que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada. Sabeis a quem deveis temer? Temei aquele que, depois de haver dado a morte, tem ainda o poder de lançar no inferno. Sim; eu vo-lo digo: temei este. Porventura se não vendem cinco pássaros por dois ceitis? Contudo, nem um só deles fica em esquecimento diante de Deus! Até os cabelos da vossa cabeça estão contados! Não tenhais, pois, receio. Vós valeis mais do que muitos pássaros. Também vos digo: todo aquele que me confessar diante dos homens, o Filho do homem o reconhecerá igualmente diante dos Anjos de Deus».
℟. Louvores a Vós, ó Cristo.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Justórum ánimæ in manu Dei sunt, et non tanget illos torméntum malítiæ: visi sunt óculis insipiéntium mori: illi autem sunt in pace, allelúja.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
As almas dos justos estão nas mãos de Deus e o tormento da malícia as não tocará! Aos olhos dos insensatos pareciam quase a morrer, todavia estão na paz. Aleluia.
Quod dico vobis in ténebris, dícite in lúmine, dicit Dóminus: et quod in aure audítis, prædicáte super tecta.
O que vos digo nas trevas dizei-o às claras, diz o Senhor; e o que vos disse ao ouvido pregai-o em cima dos telhados.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Præsta nobis, quǽsumus, Dómine: intercedéntibus sanctis Martýribus tuis Plácido et Sóciis ejus; ut, quod ore contíngimus, pura mente capiámus.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
℟. Amen.
Pro S. Maria:
Orémus.
Sumptis, Dómine, salútis nostræ subsídiis: da, quǽsumus, beátæ Maríæ semper Vírginis patrocíniis nos ubíque prótegi; in cujus veneratióne hæc tuæ obtúlimus majestáti.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
℟. Amen.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
Senhor, por intercessão dos vossos santos Mártires Plácido e seus companheiros, dignai-Vos conceder-nos a graça de guardarmos com o coração sempre puro o que a nossa boca agora recebeu.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
℟. Amém.
Comemoração de Santa Maria:
Oremos.
Tendo recebido, Senhor, os auxílios da nossa salvação, concedei-nos, Vos suplicamos, que sejamos protegidos em todos os lugares pelo patrocínio da bem-aventurada sempre Virgem Maria, em cuja honra oferecemos estes dons à vossa majestade.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
℟. Amém.