domingo, 26 de julho de 2026

IX Domingo depois de Pentecostes ✧ as lágrimas do salvador e a purificação do templo

Introito - Ecce Deus ádjuvat me, et Dóminus suscéptor est ánimæ meæ: avérte mala inimícis meis, et in veritáte tua dispérde illos, protéctor meus, Dómine. Ps. Deus, in nómine tuo salvum me fac: et in virtúte tua líbera me. Gloria Patri...Eis que Deus me ajuda e o Senhor é o amparo da minha alma. Fazei recair os males sobre os meus inimigos, e por vossa verdade destruí-os, ó Senhor, meu protetor. Sl. Ó Deus, salvai-me pelo vosso Nome e livrai-me por vosso poder. Glória ao Pai...


O Nono Domingo depois de Pentecostes insere-se no profundo tempo litúrgico que se segue à descida do Espírito Santo, período em que a Igreja, peregrina neste mundo, amadurece sob a ação da graça divina. Embora os domingos pós-pentecostais não possuam as solenes estações quaresmais físicas, o coração da Cristandade sempre se volta para a majestosa Basílica de São Pedro em Roma, onde o eco dos ensinamentos apostólicos ressoa inabalável para toda a terra. A sagrada liturgia de hoje transporta as nossas almas ao cume do Monte das Oliveiras, de onde o Redentor contempla a Cidade Santa, traçando um terrível paralelo entre a obstinação do antigo Israel no deserto e a cegueira espiritual de Jerusalém. É o dia em que a Santa Mãe Igreja nos adverte, com inefável gravidade, contra a falsa paz e a presunção, lembrando-nos de que o templo de nossas almas exige contínua vigilância e rigorosa purificação contra o espírito do mundo.

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Olhai, meus amados irmãos, para as lágrimas que correm do rosto puríssimo do próprio Filho de Deus! O Criador do universo chora sobre a sua criatura; a Eternidade derrama lágrimas sobre o tempo. Por que chora o Cristo diante dos muros de Jerusalém? Ele não chora pelo mármore ou pelas pedras que hão de cair, mas chora pelas almas imortais que, inebriadas pelas vaidades do século, fecharam os olhos para a dura e salvífica verdade. A Cidade Santa havia esquecido o rigor da cruz, transformando o recinto inviolável da religião em um ruidoso mercado terreno, onde a majestade invisível de Deus era negociada pela aprovação barata dos homens. Como nos advertem os Doutores da Igreja, especialmente São Gregório Magno, esta Jerusalém arruinada é a imagem terrível da alma - e, podemos dizer, da própria mentalidade que tenta se infiltrar na cristandade - que repudia a mortificação em favor de um cristianismo fácil e carnal. Vede com espanto que a profanação do templo não começou pelos inimigos de fora, empunhando espadas, mas pela frouxidão dos que estavam dentro! Foram eles que, aos poucos, com adaptações astutas e concessões aos costumes pagãos, esvaziaram o altar de sua sacralidade para agradar às multidões, fazendo do sagrado um mero instrumento de conforto humano. E não é este o mesmíssimo abismo para o qual São Paulo nos desperta na Epístola? "Sentou-se o povo para comer e beber, e levantou-se para folgar". Eis a falsa religião da conveniência, que substitui o silêncio adorador da fé pelo barulho festivo do entretenimento; que corrompe a integridade da verdade divina sob o pretexto de não ofender o mundo. Aquele que pensa estar de pé, trema e vigie! Pois o Senhor, manso cordeiro, é também o Leão de Judá que, com o chicote em punho, entra no templo para varrer as impurezas. Não vos deixeis arrastar por aqueles que buscam conciliar a luz com as trevas, disfarçando o erro sob aparências de misericórdia. Abraçai, antes, a santa e salutar disciplina; chorai os vossos pecados e as vossas tibiezas antes que o Justo Juiz chore sobre a vossa ruína eterna, e fazei da vossa alma uma verdadeira casa de oração, onde somente o Deus Três Vezes Santo seja adorado, temido e amado acima de todos os enganos passageiros desta terra.


Epístola (1 Co 10,6-13) - Irmãos: Estas coisas aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis idólatras, como alguns deles, segundo está escrito: O povo sentou-se para comer e beber, e levantou-se para folgar. Não nos entreguemos à fornicação, como alguns deles se entregaram, e caíram num só dia vinte e três mil. Não tentemos a Cristo, como alguns deles o tentaram, e pereceram mordidos pelas serpentes. Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo exterminador. Ora, todas estas coisas lhes aconteciam em figura, e foram escritas para aviso nosso, para quem já chegaram os fins dos séculos. Aquele, pois, que julga estar de pé, tome cuidado para não cair. Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; mas, com a tentação, ele vos dará os meios de a suportar e sairdes dela.


Evangelho (Lc 19,41-47) - Naquele tempo, ao aproximar-se de Jerusalém e vendo a cidade, Jesus chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia que te é dado, o que te pode trazer a paz! Mas agora isso está oculto aos teus olhos. Virão dias sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados; deitarão por terra a ti e a teus filhos que estão dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada. Depois, entrando no templo, começou a expulsar os que nele vendiam e compravam, dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; vós, porém, a fizestes um covil de ladrões. E ensinava todos os dias no templo.

Homilia do Frei Tiago