segunda-feira, 27 de julho de 2026

27 Julho ✧ São Pantaleão, Mártir ✧ a coragem de confessar o alto preço da salvação eterna

Introito - Lætábitur justus in Dómino, et sperábit in eo: et laudabúntur omnes recti corde. Exáudi, Deus, oratiónem meam cum déprecor: a timóre inimíci éripe ánimam meam. O justo alegrar-se-á no Senhor e porá n’Ele a sua esperança. Todos aqueles que possuem o coração recto serão glorificados. Ouvi, Senhor, a oração com que Vos imploro: livrai a minha alma do temor do inimigo.


São Pantaleão, ilustre médico na corte de Galério e Maximiano, sofreu o glorioso martírio por volta do ano 305 em Nicomédia. Tendo-se afastado temporariamente do fervor cristão devido às lisonjas e seduções da vida palaciana, foi reconduzido à verdade evangélica pelas sábias exortações do santo sacerdote Hermolau. Uma vez convertido de coração, passou a curar os enfermos não apenas com a ciência secular, mas invocando vitoriosamente o puríssimo Nome de Jesus Cristo, o que despertou a fúria invejosa de seus pares e o arrastou aos sanguinários tribunais pagãos. Após suportar com invencível paciência os mais espantosos tormentos, entregou sua nobre alma ao Criador ao ser decapitado. Seu sangue, zelosamente recolhido por mãos piedosas, encontra-se hoje preservado no Duomo di ravello, na Itália, onde a inexaurível misericórdia divina permite que se opere o contínuo e admirável milagre de sua liquefação no dia de sua festa, testemunhando até nossos dias a pulsação daquele supremo holocausto.

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Olhai para o altar iluminado, caríssimos, e depois volvei vossos olhos para as ruínas deste século! O que nos ensina hoje o sangue fumegante do glorioso São Pantaleão? Acaso não nos clama com a mesma veemência que ressoa no sagrado Evangelho desta manhã: Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma? Irmãos, a divina Sabedoria suscita os bem-aventurados precisamente nos momentos em que o breu ameaça asfixiar a verdadeira claridade. O formidável ofício destes heróis da fé é forjado sempre no fragor da batalha contra a perdição dominante de sua época. A ruína que rondava a alma de nosso glorioso médico era a atração venenosa pelas honrarias de um Estado idólatra, um pacto silencioso que propunha um cristianismo esvaziado do Calvário, uma religião domesticada para não ofender o imperador. E não é este, pergunto-vos com o coração aflito, o mesmo cálice envenenado que é oferecido aos nossos lábios hoje? O espírito contemporâneo, entorpecido por ilusões terrenas, nutre um profundo asco pela mortificação, desviando-se da doutrina perene para se abrigar em comodidades fáceis e deleites passageiros. Onde se escondeu o zelo pela morada celestial? Quantas vezes a mentalidade deste tempo tentou abrir as portas do santuário por vias obscuras e internas, sussurrando aos ouvidos dos que deveriam velar pelo rebanho que é muito mais vantajoso afagar as paixões transitórias dos povos do que submeter-se ao Altíssimo? Utilizam-se de desvios imperceptíveis na piedade, de meias-verdades adoçadas, de falsas compaixões que corroem as fundações do sacrifício para transformá-lo num mero e vazio encontro terreno. Como nos advertem os sagrados mestres que iluminam a Igreja, a Esposa de Cristo não foi enviada para cortejar as trevas, mas para fulminá-las com a glória ofuscante da Cruz. O Apóstolo soa hoje a trombeta da milícia espiritual, advertindo a Timóteo que todos os que querem viver piedosamente padecerão tribulações. São Pantaleão renunciou aos tesouros de um palácio condenado à ferrugem para conquistar a coroa imperecível, e levanta-se hoje como juiz das consciências amolecidas. Que a Liturgia deste dia não encontre em nós espectadores letárgicos! Ao contemplarmos o sacerdote revestido do vermelho rubro, cor que recorda o alto preço de nossa redenção, que nossa alma desperte de seu sono profundo. Rejeitemos as novidades que corroem o vigor da alma, abandonemos o desejo torpe de nos moldarmos ao mundo, e estejamos prontos a proclamar a realeza de Nosso Senhor nas praças e sobre os telhados, para que Ele, Senhor dos exércitos celestes, nos reconheça um dia diante do trono de Seu Pai eterno.


Epístola (2 Tm 2,8-10; 3,10-12) - Caríssimo: Lembra-te de que Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho, pelo qual sofro até estar em cadeias como malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa. Por isso tudo suporto por amor dos escolhidos, para que também eles consigam a salvação, que há em Jesus Cristo, com glória celeste. Tu, porém, tens observado a minha doutrina, o meu modo de vida, a minha intenção, a minha fé, longanimidade, amor, paciência; as minhas perseguições e aflições, quais as que padeci em Antioquia, em Icônio, em Listra. Quantas perseguições sofri! E de todas me livrou o Senhor. E todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus padecerão perseguições.


Evangelho (Mt 10,26-32) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Nada há oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a saber-se. O que vos digo nas trevas, dizei-o às claras; e o que se vos diz ao ouvido, pregai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá por terra sem a vontade de vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois: vós valeis mais que muitos passarinhos. Todo aquele, pois, que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.