segunda-feira, 20 de julho de 2026

20 Julho ✧ Santa Margarida de Antioquia, Virgem e Mártir ✧ a pérola preciosa escondida no campo do sacrifício

Introito - Me exspectavérunt peccatóres, ut pérderent me: testimónia tua, Dómine, intelléxi: omnis consummatiónis vidi finem: latum mandátum tuum nimis. Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. Glória Patri...Os pecadores armaram-me ciladas para me perderem; porém, Senhor, fixei a minha atenção nos vossos preceitos. Vi o fim de tudo o que é perfeito; só a vossa lei não tem limites. Bem-aventurados os imaculados no seu caminho, que andam na lei do Senhor. Glória ao Pai...


A formosa Margarida, conhecida no Oriente sob o nome de Marina, floresceu na encruzilhada do terceiro século, quando o império pagão destilava o seu mais mortífero veneno contra a Igreja de Cristo. Filha de um sacerdote pagão de Antioquia da Pisídia, a jovem foi secretamente educada na fé por sua ama cristã, consagrando, desde a tenra infância, o lírio de sua virgindade ao Esposo Celeste. Denunciada ao perverso prefeito Olíbrio, que cobiçava tanto a sua beleza exterior quanto tencionava devorar a sua virtude, Margarida recusou as promessas lisonjeiras do mundo e abraçou os mais lancinantes tormentos. O cárcere tornou-se o seu tálamo nupcial, onde, segundo a venerável tradição, o próprio demônio lhe apareceu sob a forma de um dragão espantoso, tentando tragá-la, mas foi rechaçado e esmagado pelo sinal da cruz que a virgem trazia consigo. Decapitada por volta do ano 304, a sua alma voou imaculada para os átrios celestes, deixando na terra o perfume invicto dos mártires. Roma guarda reverentemente o tesouro de suas santas relíquias em diversos santuários antigos, entre os quais brilha a vetusta Chiesa di Santa Margherita in Trastevere, perene testemunho de que o sangue vertido por amor a Deus fecunda até as pedras da Cidade Eterna.

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Onde está, almas cristãs, o vosso tesouro? Que pérola é esta pela qual o negociante do Evangelho vende com alegria tudo o que possui? Olhai para Santa Margarida e contemplai o mistério! Para a inteligência empedernida de nosso século, o martírio é uma loucura e a virgindade um escândalo. A nossa época, inebriada pelos cânticos fáceis das comodidades terrenas, abomina a ascese e foge da cruz como de uma peste. Mais terrível ainda, este afã por um cristianismo sem espinhos, que busca os aplausos das praças e o sorriso dos poderosos, infiltrou-se ardilosamente até mesmo no recinto sagrado. Em vez do dragão rugidor das perseguições sangrentas, enfrentamos hoje a lisonja das falsas doutrinas, a diluição dos mistérios imutáveis e a covardia disfarçada de prudência. Santa Margarida combateu o paganismo brutal de seu tempo, resistindo ao "laço da língua injusta e dos lábios dos que forjam a mentira", como brada a Epístola de hoje; a sua missão atravessa os séculos para nos ensinar que não há aliança possível entre a luz do altar e as trevas do século. Quando um cristão cede aos encantos do mundo para não parecer rígido demais, quando um pastor silencia a verdade eterna para não ofender ouvidos delicados, a pérola preciosíssima da fé é atirada aos porcos. Margarida preferiu o cálice de fogo e a lâmina do carrasco a entregar uma única gota de sua fidelidade ao Esposo. O dragão que a tentou devorar no cárcere é o mesmo espírito de mentira que hoje sussurra aos nossos ouvidos que o sacrifício está ultrapassado e que a doutrina deve adaptar-se aos caprichos humanos. Despertai, filhos da luz! A liturgia não é um teatro de sombras, mas a renovação incruenta do Calvário. Que a alegria fulgurante daquele homem que encontrou o tesouro escondido brilhe em vossas almas. Custará o vosso sangue? Custará a vossa reputação? Custará o isolamento? Vendei tudo! Dai tudo! Porque de que serve ao homem ganhar a estima de um mundo que passa, se no fim do dia os Anjos, com suas redes eternas, lançarem os mornos na fornalha do esquecimento? Abraçai a santa tradição, amai a doutrina imaculada, e fazei da vossa vida um altar onde o mundo seja crucificado para vós, e vós para o mundo.


Epístola (Eclo 51, 1-8. 12) - Leitura do Livro da Sabedoria. Dar-vos-ei graças, Senhor e Rei, e vos louvarei a vós, ó Deus, meu Salvador. Glorificarei o vosso nome, porque vos fizestes meu auxílio e meu protetor. Livrastes o meu corpo da perdição, do laço da língua injusta e dos lábios dos que forjam a mentira. Fostes meu amparo contra os que me cercavam. Libertastes-me, segundo a grandeza da misericórdia de vosso nome, dos rugidos das feras preparadas para me devorar; das mãos daqueles que procuravam tirar-me a vida; da multidão das tribulações que me assaltaram; da violência da chama que me rodeou, de sorte que no meio do fogo não me queimei; das profundezas das entranhas do inferno, da língua maculada, da palavra mentirosa, do rei iníquo e da língua injusta. A minha alma louvará ao Senhor até à morte; porque vós, Senhor, salvais os que em vós esperam, e os livrais das mãos dos inimigos.


Evangelho (Mt 13, 44-52) - Continuação do Santo Evangelho segundo São Mateus. Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo; um homem o acha e o esconde; e, na sua alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo. O reino dos céus é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. E tendo achado uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que possuía, e a comprou. O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que apanha peixes de toda a espécie. Quando está cheia, os pescadores tiram-na para a praia, e, sentados, apanham os bons para os cestos e lançam fora os maus. Assim será no fim do mundo. Sairão os anjos, e separarão os maus do meio dos justos, e os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Entendestes vós tudo isto? Disseram-lhe eles: Sim. E ele lhes disse: Por isso todo o escriba instruído no reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.

[Simp.] S. Margarida, virgem e mártir Sl 118. Me exspectaverunt peccatores... Eclo 51,1-8; 12 • Mt 13,44-52 Vermelho Missa Communi Virginum 2 loco · Gl. · s/Cr. · Pref. Comum · Ite.