segunda-feira, 3 de agosto de 2026

03 AGO ✧ INVENÇÃO DAS RELÍQUIAS DE SANTO ESTÊVÃO ✧ a rocha do testemunho que esmaga os ídolos de carne

Introito - Sedérunt príncipes, et advérsum me loquebántur: et iníqui persecúti sunt me: ádjuva me, Dómine, Deus meus, quia servus tuus exercebátur in tuis justificatiónibus. Psalmus. Beati immaculáti in via, qui ámbulant in lege Dómini. Glória Patri...Os príncipes sentaram-se e falaram contra mim, e os iníquos me perseguiram: ajudai-me, Senhor, meu Deus, porque o vosso servo meditava nas vossas justificações. Salmo. Bem-aventurados os imaculados no caminho, que andam na lei do Senhor. Glória ao Pai...


A Santa Igreja, em sua sabedoria milenar, não se contenta em celebrar apenas o trânsito glorioso de Santo Estêvão na oitava do Natal; hoje, rejubila-se com a prodigiosa descoberta das suas sagradas relíquias. No ano de 415, o presbítero Luciano, na aldeia de Cafargamala, perto de Jerusalém, foi visitado em sonho pelo venerável Gamaliel, que lhe revelou o local exato onde repousavam os ossos do Protomártir, juntamente com os de Nicodemos. Esta invenção espalhou uma onda de milagres por toda a Cristandade, como atesta o grande Santo Agostinho, que foi testemunha ocular das curas extraordinárias operadas no norte da África. Mais tarde, no século sexto, estes inestimáveis tesouros foram transladados para a Cidade Eterna. Hoje, os ossos do primeiro mártir do Oriente repousam providencialmente ao lado das cinzas do maior mártir do Ocidente, sob o altar da venerável Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, em Roma, proclamando que o sacrifício supremo é a única linguagem capaz de unir a terra aos céus.

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Ergamos os olhos do coração, ó almas lavadas no Sangue do Cordeiro, e contemplemos a formidável majestade deste Diácono intrépido! Vede o Sinédrio enfurecido, rangendo os dentes, tapando os ouvidos diante da verdade que os fere. Acaso Estêvão, vendo a fúria dos poderosos, tentou suavizar o seu discurso? Será que ele buscou um ponto de encontro, uma adequação covarde, limando as exigências absolutas da Revelação para não desagradar aos príncipes do seu povo? De modo algum! Ele enfrentou a obstinácia carnal daqueles que ansiavam por um messias político e mundano, rejeitando o Deus crucificado. Como esta cena estupenda é o espelho doloroso dos nossos tempos! O adversário infernal, conhecendo a nossa fraqueza, derrama hoje sobre o mundo uma neblina letal. Já não nos apedrejam nas praças; em vez disso, inocularam no próprio seio do rebanho o veneno do comodismo. Vende-se a ilusão de que a religião deve ser confortável, aplaudida pelas multidões, vazia de renúncias e despida de sua santa severidade. Há quem ouse sugerir, através de sutilezas que parecem inofensivas, que devemos abaixar os nossos olhos para a terra, abraçando as máximas do século, calando a doutrina cortante para mendigar o sorriso de uma sociedade que odeia a Cruz. Mas olhai para Estêvão na Epístola de hoje! Enquanto o mundo grita e se agita na poeira, ele, cheio do Espírito Santo, fita o céu aberto e contempla a Glória de Deus. Os Pais da Igreja nos ensinam que as pedras atiradas contra ele não foram instrumentos de derrota, mas pedras preciosas que os anjos recolheram para tecer a sua coroa imarcessível. Jerusalém matou os profetas, como nos adverte hoje o Mestre no Evangelho, porque a cidade terrena repudia a voz que condena os seus pecados. Fujamos dessa letargia! Rejeitemos a tentação de desfigurar o Rosto de Cristo para torná-lo aceitável aos inimigos da fé. Que a descoberta dos ossos benditos de Santo Estêvão seja hoje a ressurreição da nossa coragem. É infinitamente melhor sermos esmagados pelo peso das pedras da impopularidade e do exílio, mantendo intacto o depósito da fé, do que reinarmos sobre montanhas de cinzas, abraçados aos ídolos de um mundo que passa.


Epístola (Atos 6, 8-10; 7, 54-59) - Naqueles dias: Estêvão, cheio de graça e de fortaleza, fazia grandes prodígios e milagres entre o povo. Levantaram-se, porém, alguns da sinagoga chamada dos Libertos, e dos Cirenenses, e dos Alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, a disputar com Estêvão; mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que falava. Ouvindo estas coisas, rasgavam-se os seus corações, e rangiam os dentes contra ele. Estêvão, porém, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus que estava à direita de Deus. E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem que está à direita de Deus. Eles, porém, levantando um grande clamor, taparam os ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejavam; e as testemunhas depuseram as suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que invocava a Deus e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu no Senhor.


Evangelho (Mateus 23, 34-39) - Naquele tempo, dizia Jesus às multidões dos judeus e aos príncipes dos sacerdotes: Eis que Eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns matareis e crucificareis, a outros açoitareis nas vossas sinagogas, e os perseguireis de cidade em cidade; para que recaia sobre vós todo o sangue justo que foi derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o templo e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintainhos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Porque Eu vos digo que desde agora não Me vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.