Introito - Salve, sancta Parens, eníxa puérpera Regem: qui cœlum terrámque regit in sǽcula sæculórum. Ps. Eructávit cor meum verbum bonum: dico ego ópera mea Regi.Salve, ó Santa Mãe, que destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos dos séculos. Sl. Meu coração transbordou de boas palavras; consagro ao Rei as minhas obras.
Venerado originalmente na ilha de Creta, o antiquíssimo e milagroso ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi conduzido pela Divina Providência à Cidade Eterna no ocaso do século XV. Esta sublime imagem, de beleza austera e bizantina, retrata a Virgem Mãe estreitando em seus braços o Menino Deus, o qual, ao vislumbrar os instrumentos de Sua futura Paixão apresentados pelos arcanjos Miguel e Gabriel, agarra-se com ímpeto às mãos maternas, deixando cair de Seu pequeno pé uma sandália. Por três séculos o ícone derramou copiosas graças na Igreja de São Mateus, até que a fúria das tropas revolucionárias destruiu o templo. Ocultada providencialmente das turbulências dos ímpios, a sagrada efígie foi redescoberta e, no ano de 1866, o intrépido e glorioso Papa Pio IX confiou-a aos filhos de Santo Afonso de Ligório, a Congregação do Santíssimo Redentor, entregando-lhes o solene mandato: "Fazei-a conhecida no mundo inteiro!" Desde então, este inesgotável manancial de misericórdia repousa triunfalmente sobre o altar-mor da Igreja de Santo Afonso no Esquilino, para onde confluem almas de todos os rincões da terra, buscando abrigo seguro no colo daquela que jamais desampara seus filhos nas tormentas deste vale de lágrimas.
"Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os seios que Te amamentaram!" - exclama, maravilhada, a mulher do povo no Evangelho de hoje. Mas o Divino Mestre, desfiando as limitadas compreensões terrestres, eleva a maternidade de Maria da ordem da carne para o cume resplandecente da graça: "Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática". E que Palavra é esta, meus irmãos, senão o próprio Verbo Encarnado, o Homem das Dores, o Rei crucificado? Lançai o vosso olhar sobre o ícone do Perpétuo Socorro e contemplai o assombroso mistério! O Menino Jesus, diante da visão aterrorizante da lança, da esponja e da cruz, não foge, mas busca na Virgem o amparo para consumar a Vontade do Pai. Vede aqui o formidável contraste! A nossa época enferma, embriagada pelas miragens do bem-estar e seduzida por um conforto estéril, recua enojada diante do sofrimento. O espírito do mundo - esta fumaça densa e pestilenta - penetrou até mesmo nos sagrados recintos, onde almas tíbias, na vã tentativa de granjear o sorriso condescendente das multidões, ousam mutilar o Evangelho. Querem uma religião sem calvário, um Cristo sem coroa de espinhos, uma doutrina adaptável que jamais fira o orgulho ou incomode as paixões, buscando agradar aos poderosos deste século em vez de temer o Juiz Eterno. Mas a Mãe do Perpétuo Socorro levanta-se, terrível como um exército em ordem de batalha, para esmagar sob Seu calcanhar imaculado esta detestável heresia da frouxidão! A Epístola clama que Sua morada é a "assembleia dos santos", e não o banquete dos mundanos. O grande Santo Afonso nos adverte com ardentes palavras que Maria é a âncora firmíssima lançada do Céu para resgatar os que naufragam no mar tenebroso da transigência. Se o próprio Deus fez-se pequeno e procurou refúgio sob o manto de Maria diante do cálice da amargura, como nós - miseráveis pecadores - ousaremos combater os lobos invisíveis fiados em nossas próprias forças? Quando o incenso subir hoje no altar, despertai! Renunciai ao veneno do comodismo moderno e lançai-vos aos pés desta Mãe gloriosa, suplicando a verdadeira sabedoria: não a que foge covardemente da cruz, mas aquela que a abraça com amor, permanecendo fiel, inabalável e puríssima na sã doutrina até o limiar da eternidade.
Epístola (Eclo 24, 14-16) - Desde o princípio, antes de todos os séculos fui criada; e não deixarei de existir até o fim dos séculos; e exerci o meu ministério diante dele no tabernáculo santo. E assim fui estabelecida em Sião, e do mesmo modo repousei na cidade santa, e em Jerusalém está o meu poder. Lancei raízes no meio de um povo glorioso, na porção de meu Deus e na sua herança, e minha morada está na assembleia dos santos.
Evangelho (Lc 11, 27-28) - Naquele tempo, enquanto Jesus falava às multidões, uma mulher do povo levantou a voz e Lhe disse: Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os seios que Te amamentaram! Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.