Introito (Sl 118, 75. 120. 1) - Cognóvi, Dómine, quia aéquitas judícia tua, et in veritáte tua humiliásti me: confíge timóre tuo carnes meas, a mandátis tuis tímuí. Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen.
Santa Margarida da Escócia (c. 1045-1093) nasceu no exílio, na distante Hungria, mas a Providência a conduziu ao trono da Escócia, onde se tornou o resplendor espiritual de uma nação outrora imersa na rudeza. Filha da realeza inglesa e esposa do Rei Malcolm III, Margarida não permitiu que o fausto da corte lhe roubasse a coroa imperecível do céu. Com mãos de rainha, ela servia pessoalmente aos mendigos, lavava os pés dos doentes e redimia cativos. Mais profundo, porém, foi o seu papel na restauração da vida eclesiástica: encontrando um clero isolado que havia relaxado a disciplina sacramental e deformado os ritos ancestrais por mera conveniência e laxidão, ela reuniu concílios, corrigiu abusos e alinhou a liturgia escocesa à pura e imutável tradição da Igreja de Roma. Consumida pelo fervor e pela penitência, entregou sua alma a Deus em 1093. Seus restos mortais foram venerados por séculos na Abadia de Dunfermline, até que a fúria dos hereges obrigou o seu translado, mas sua memória permanece como um farol na eternidade.
Contemplai, irmãos, o abismo infinito que separa os tribunais da terra do trono do Altíssimo! O mundo clama por facilidades, mas o céu exige o ouro purificado no fogo. Vemos, em nossos tristes dias, a inteligência humana obscurecida pela aversão à sã e robusta doutrina da cruz; multidões que, fugindo do sacrifício do Calvário, preferem forjar para si doutrinadores frouxos, que afagam suas paixões com invenções pueris e comodidades passageiras. Levanta-se hoje uma turba disposta a transigir a própria morada de Deus, ajustando a disciplina e a verdade imutável aos caprichos de um século corrompido, buscando os louvores humanos em vez de se curvar com temor perante o Senhor dos exércitos. Através de alterações meticulosas e desvios camuflados sob o manto de falsas reformas, o veneno oculto tenta corroer a fé desde o seu interior. Que contraste brutal com a mulher forte, celebrada na Epístola de hoje! Santa Margarida foi suscitada pelo sopro abrasador do Espírito Santo como um remédio para a sua época. Ela encontrou uma terra onde os guias espirituais haviam mutilado as sagradas tradições litúrgicas para acomodar-se à preguiça humana. Contudo, em vez de ceder às fáceis complacências, esta rainha ergueu-se como defensora da pureza dos mistérios. Como os Padres da Igreja tantas vezes nos alertam, o verdadeiro tesouro escondido no campo, do qual fala o Evangelho, não é alcançado por aqueles que adaptam o Evangelho ao mundo, mas apenas por aqueles que vendem tudo - orgulho, vaidade, prazeres mundanos - para possuir a verdade nua e crucificada. O campo deve ser cavado com o suor da penitência. A liturgia que hoje celebramos não é uma convenção de homens ilustres, mas o sacrifício incruento do Filho de Deus! Despertai as vossas almas! Fugi da sedução das fábulas que adoçam o pecado e embotam a consciência; abraçai com vigor a doutrina dos Apóstolos, guardada a preço de sangue pela Santa Igreja. Que o exemplo soberano de Margarida nos arranque da tibieza, fazendo-nos preferir a majestade terrível do altar e as exigências da graça a todas as lisonjas ilusórias de um mundo que passa como fumaça sob o vento do juízo.
Introito (Sl 118, 75. 120. 1) - Reconheço, Senhor, que os vossos juízos são equitativos, e que me humilhastes com razão. Traspassai a minha carne com o vosso temor, pois tremo diante das vossas ordens. Bem-aventurados os imaculados no caminho: que andam na lei do Senhor. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Epístola (Pv 31, 10-31) - Leitura do Livro da Sabedoria. Quem achará a mulher forte? O seu valor ultrapassa e excede de longe o das pérolas vindas dos últimos confins da terra. Nela confia o coração de seu marido, e não lhe faltarão despojos. Ela far-lhe-á bem e não mal todos os dias da sua vida. Ela buscou lã e linho e trabalhou com mãos engenhosas. Tornou-se como o navio do negociante, que traz de longe o seu pão. E levantou-se estando ainda de noite, deu sustento aos seus domésticos, e a tarefa às suas servas. Examinou uma herdade e comprou-a; e plantou uma vinha do fruto de suas mãos. Cingiu os seus rins de força, e fortaleceu os seus braços. Viu e experimentou que a sua negociação era boa; não se apagará a sua lâmpada durante a noite. Meteu a sua mão a coisas fortes, e os seus dedos pegaram no fuso. Abriu a sua mão para o indigente, e estendeu as suas mãos para o pobre. Não temerá por sua casa a frialdade das neves; porque todos os seus domésticos têm vestiduras forradas. Ela fez para si um vestido de tapeçaria; de linho fino e de púrpura é o seu vestido. O seu marido é ilustre nas portas (da cidade), quando se sentar com os senadores da terra. Fez telas de linho fino, e vendeu-as, e entregou cintos aos cananeus. A fortaleza e a beleza são a sua vestidura, e ela rir-se-á no último dia. Abriu a sua boca à sabedoria, e a lei da clemência está na sua língua. Considerou as veredas da sua casa, e não comeu ociosa o seu pão. Levantaram-se seus filhos, e chamaram-na bem-aventurada; e o seu marido a louvou: Muitas filhas ajuntaram riquezas; tu a todas sobrepujaste. A graça é enganadora, e a formosura é vã; a mulher que teme o Senhor, essa mesma será louvada. Dai-lhe do fruto de suas mãos, e as suas obras a louvem nas portas (da cidade).
Evangelho (Mt 13, 44-52) - Naquele tempo: Disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem acha e esconde, e, pelo gozo que sente, vai, vende tudo o que tem, e compra o tal campo. Outrossim o reino dos céus é semelhante a um negociante que busca boas pérolas. E tendo achado uma pérola de grande valor, foi, e vendeu tudo o que tinha e a comprou. É ainda o reino dos céus semelhante a uma rede que, lançada ao mar, colhe toda a casta de peixes; e, depois que está cheia, tirando-a os pescadores, e assentando-se na praia, escolhem os bons para os vasos, e deitam fora os maus. Assim será no fim do mundo. Sairão os Anjos, e separarão os maus do meio dos justos; e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes vós todas estas coisas? Responderam eles: Sim. E Ele disse-lhes: Por isso é que todo o escriba sábio no reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.