quinta-feira, 21 de maio de 2026

Na oitava da Ascensão - A glória celeste e a missão militante da Igreja

Introito (At 1, 11 | Sl 46, 2) - Viri Galilǽi, quid admirámini aspiciéntes in cœlum? allelúja: quemádmodum vidístis eum ascendéntem in cœlum, ita véniet, allelúja, allelúja, allelúja. Omnes gentes, pláudite mánibus: jubiláte Deo in voce exsultatiónis.

A celebração da Oitava da Ascensão no rito tradicional insere a Igreja em um profundo recolhimento espiritual, marcando o período que antecede a descida do Espírito Santo em Pentecostes. Durante estes oito dias, a Liturgia nos convida a permanecer espiritualmente no Cenáculo junto com a Bem-Aventurada Virgem Maria e os Apóstolos, em oração contínua. A Ascensão do Senhor não é um abandono, mas a inauguração de uma nova forma de presença de Cristo e o início da missão da Igreja militante. Historicamente, a oitava prolonga a solenidade do triunfo de Nosso Senhor sobre o pecado e a morte, quando Ele entra glorioso no santuário celeste para interceder por nós à direita do Pai. Este tempo litúrgico, mantido ciosamente pelo rito anterior a 1955 para consolidar a nossa esperança, recorda-nos que a nossa verdadeira pátria está nos céus, mas que o caminho até ela exige a fidelidade inabalável aos ensinamentos divinos e a coragem para enfrentar o mundo, rejeitando as fábulas e sustentando a sã doutrina que nos foi confiada até que Ele retorne nas nuvens.

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A Ascensão de Nosso Senhor, narrada no Evangelho, é o ápice terreno da missão do Verbo Encarnado e o início do mandato missionário da Igreja. São Gregório Magno nos ensina que, enquanto os anjos testificaram a descida do Espírito, foi a natureza humana que em Cristo foi elevada acima dos coros angélicos. Contudo, antes de subir, Jesus repreende a dureza de coração dos apóstolos, recordando-nos que a fé exige uma adesão integral à verdade. O mandato Ide por todo o mundo e pregai o evangelho não permite concessões. A verdadeira militância católica consiste em proclamar o Evangelho puro, sem adaptá-lo às corrupções e aos erros de uma modernidade que se recusa a suportar a sã doutrina. O mundo hodierno tenta silenciar a cruz e multiplicar mestres que afaguem suas paixões, mas a Igreja, munida dos sinais espirituais e da graça, deve confrontar o erro, expulsando os demônios das falsas ideologias e curando a humanidade enferma pelo pecado. Crer e ser batizado é a condição para a salvação; rejeitar essa verdade é render-se à condenação e às fábulas que afastam as almas de Deus.

Nos Atos dos Apóstolos, a Epístola nos revela a impaciência dos discípulos, que ainda nutriam esperanças terrenas e políticas, questionando sobre a restauração do reino de Israel. São João Crisóstomo adverte que os discípulos precisavam ser desapegados das glórias passageiras para compreenderem a grandeza da promessa do Espírito Santo. O dom do Paráclito não é dado para conformar a Igreja aos modelos seculares, mas para dotá-la da virtude divina necessária ao martírio e ao testemunho até os confins da terra. A advertência dos anjos atua como um corretivo espiritual: o tempo da Igreja é um tempo de combate e de testemunho ativo. A covardia de quem deseja uma religião amoldada ao espírito do mundo trai o sangue de Cristo. Nós recebemos a ordem de permanecer firmes na verdade, sem desviar os ouvidos para as fábulas do progressismo e do secularismo, sabendo que a promessa do Espírito nos garante a fortaleza inexpugnável para enfrentar os lobos e guardar intacto o depósito da fé tradicional.

O apelo solene do Introito - Homens da Galileia, por que vos admirais, olhando para o céu? - ecoa como um brado de despertar para cada católico. A contemplação da glória do Cristo que sobe ao céu deve ser o motor da nossa militância na terra. Não podemos ficar estagnados, absortos em um comodismo espiritual, enquanto o mundo tenta diluir o Evangelho com fábulas e novidades perniciosas. A certeza de que assim como O vistes subir ao céu, assim virá fundamenta a nossa coragem. Militamos não por um triunfo temporal, mas porque Aquele que está sentado à direita do Pai retornará como Juiz. Ao unirmos a promessa da parusia com o combate diário contra os erros do nosso tempo, a Igreja se reveste de glória. Que a nossa vida seja um constante testemunho desta verdade imutável, rejeitando firmemente qualquer tentativa de modernizar o Sagrado, e aguardando, com o terço nas mãos e a sã doutrina no coração, a volta triunfal do nosso Rei imortal.