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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

São Pedro de Alcântara, confessor: Penitência e Desapego - 19 de Outubro

Nascido no final do século quinze na província de Alcântara, na Espanha, São Pedro de Alcântara ergueu-se como uma das colunas mais inabaláveis da glória católica, sendo hoje venerado com profunda devoção, inclusive como padroeiro do Brasil. Ingressando na Ordem Franciscana na tenra idade de dezesseis anos, devotou cada batida de seu coração à restauração da observância primitiva de sua regra religiosa, abraçando uma rotina de sacrifícios tão estupenda que a mera natureza humana recuaria em espanto. Os anais da Igreja atestam que ele dormia apenas uma hora e meia por noite, invariavelmente sentado, impondo a si mesmo jejuns ininterruptos e mortificações severas para cravar em sua própria carne as dores vivificantes da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. A fragrância sobrenatural de sua santidade, no entanto, não ficou trancada no silêncio de sua cela; seu farol iluminou vastas multidões e grandes luminares, servindo como fiel diretor espiritual de Santa Teresa de Ávila e oferecendo-lhe a coragem decisiva para que ela avançasse na formidável obra de reforma do Carmelo. Proclamando aos quatro ventos que o paraíso não é feito para os covardes, ele entregou sua alma a Deus em mil quinhentos e sessenta e dois, ajoelhado em transe profundo, totalmente consumido pelo zelo abrasador pela glória divina e pela salvação eterna. Os peregrinos hoje podem venerar a sua memória no Santuário de São Pedro de Alcântara.


Dizei-me, ó almas resgatadas pelo sangue do Cordeiro, de que serve adornar o exterior de um edifício se as suas fundações estão irremediavelmente apodrecidas pelo engano? Em nossos dias de profunda treva espiritual, multiplicam-se de forma assustadora os falsos simulacros de religião, construções enganosas que preservam os cânticos cerimoniais, o linguajar piedoso dos domingos e as falsas promessas de fraternidade irrestrita, mas cujos altares foram sutilmente usurpados por um ídolo abominável: o próprio homem. Vede com os vossos próprios olhos o espetáculo tenebroso! Nessas assembleias humanas, a cruz gloriosa é escondida, a doutrina imaculada é rebaixada a um aglomerado de opiniões passageiras, e o mistério sagrado do sacrifício é brutalmente banido para ceder espaço aos holofotes terrenos e aos aplausos mundanos. É a terrível paródia de uma fé reduzida ao mero sentimento de pertencer a um clube social. Contrastei isso com a luz fulgurante de São Pedro de Alcântara, que se levantou como uma verdadeira muralha de fogo contra o veneno de sua época: uma sociedade letárgica, iludida por rebeliões teológicas que prometiam o céu sem o esforço da cruz e justificavam o homem em seus próprios vícios. Como um eco perfeito e vivo do Apóstolo Paulo na Epístola de hoje, o grande confessor tomou todas as futilidades, as pompas e as riquezas deste século e atirou-as longe como esterco e lixo desprezível, para que pudesse voar com as asas da graça em direção ao conhecimento purificador de Cristo. O nosso mestre Santo Agostinho adverte-nos solenemente que o coração do homem rasteja para onde ele guarda os seus tesouros. Se a vossa esperança está ancorada nos confortos e nas lisonjas deste mundo passageiro, a vossa alma perecerá com eles; porém, se ouvirdes o brado do Divino Salvador no Santo Evangelho, esvaziando as vossas mãos na terra para encher as bolsas da eternidade, o vosso espírito habitará entre os coros dos anjos. Não temais, pequeno rebanho! Aqueles que o mundo moderno zomba por sua adesão inflexível à sã doutrina e à penitência são, na verdade, os verdadeiros donos do Reino, aqueles que compreenderam que apenas mergulhando destemidamente nos sofrimentos de Cristo alcançaremos o triunfo inefável de Sua ressurreição.

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