segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Santo Evaristo, papa e mártir: pastor invencível do rebanho - 26 de Outubro

Santo Evaristo governou a barca de São Pedro nos tempos tormentosos que se seguiram à era apostólica, sucedendo ao grande São Clemente no final do primeiro século da era cristã. Grego de nascimento, mas de origem judaica, este glorioso pontífice apascentou o rebanho de Cristo aproximadamente entre os anos 97 e 105, um período sanguinário em que professar a fé era assinar a própria sentença de morte. A antiquíssima tradição ensina que ele organizou a diocese de Roma dividindo a cidade em paróquias (os chamados títulos) e instituiu o colégio de sete diáconos para auxiliar o bispo nas celebrações litúrgicas e na guarda do rebanho, estruturando a santa hierarquia para que a Igreja pudesse resistir às violentas tempestades da perseguição e da confusão. Seu pontificado foi um combate silencioso, mas de formidável firmeza, coroado com o supremo testemunho de amor: o derramamento de seu sangue pelo rebanho que lhe fora confiado. Após entregar sua alma ao Criador, o venerável mártir foi sepultado no outeiro do Vaticano, junto ao túmulo do Príncipe dos Apóstolos, onde hoje se ergue a imponente Basílica de São Pedro.


Olhai ao redor de vós, ó cristãos, e vede o abismo que separa a morada de Deus das construções ilusórias dos homens! Hoje, muitos se encantam com uma religião de vitrines, um edifício formidável aos olhos da carne, mas que por dentro jaz oco e apodrecido. Acaso não vemos templos onde o altar do sacrifício foi trocado por um palco de vaidades? Preservam-se os paramentos sagrados, repetem-se os cânticos de outrora, organizam-se ajuntamentos fraternos repletos de palavras doces, mas a engrenagem do coração gira velozmente rumo ao abismo. Onde a autêntica Noiva de Cristo ergue a cruz ensanguentada para arrancar as almas da lama e elevá-las às alturas celestiais, a falsa religião coloca o miserável ego humano sob os holofotes. A santa liturgia, que é o clamor do Céu rasgando a terra e o supremo culto ao Altíssimo, degenera-se numa mera celebração sociológica, um ajuntamento de iguais onde a sólida doutrina é sufocada pelas opiniões passageiras do século. E qual é a consequência dessa pavorosa traição? O homem orgulhoso, embriagado pelas facilidades modernas e aterrorizado pela mais leve sombra de sofrimento, expulsa o sobrenatural de sua vida e coroa os apetites mundanos em seu lugar. Que contraste assombroso nos apresenta a vida de Santo Evaristo! O Evangelho de hoje ressoa como um trovão pela boca do Salvador: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Santo Evaristo foi o sucessor inabalável dessa Rocha eterna. A sua grande missão, como fiel administrador dos mistérios de Deus, foi proteger a integridade da Fé contra as seduções dos hereges de sua época (que queriam transformar os santos mistérios em mero conhecimento humano) e contra a ferocidade do império pagão. Ele não pastoreou as ovelhas para obter privilégios e lucros vis, como nos adverte vigorosamente a Epístola de hoje, mas fez-se modelo irrepreensível do rebanho até entregar o próprio pescoço ao algoz. Como nos alertam os grandes Doutores, a verdadeira Igreja de Deus não é uma assembleia de homens que se parabenizam mutuamente por suas virtudes naturais, mas um exército combatente, em marcha penosa pelo deserto deste mundo, alimentado pelo Pão da Vida e purificado na fornalha da tribulação. Quando a criatura tenta fabricar um paraíso de conforto onde a mortificação não entra, ela apenas constrói a antessala do inferno. Vós, pois, fugi destas ilusões diabólicas! Arrancai os olhos das glórias de poeira que apodrecem, e clamai com a alma inteira: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!" (mesmo que esta confissão vos custe todas as honras da terra), para que, no dia majestoso da manifestação do Sumo Pastor, recebereis não as cinzas do mundo, mas a coroa imarcescível da glória.

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Introito - (Jo 21, 15, 16, 17; Sl 29, 2) Si díligis me, Simon Petre, pasce agnos meos, pasce oves meas. Ps. Exaltábo te, Dómine, quóniam suscepísti me, nec delectásti inimícos meos super me. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen. - Si díligis me...Se me amas, Simão Pedro, apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Sl. Eu Vos glorificarei, Senhor, porque me acolhestes, e não permitistes que os meus inimigos se regozijassem sobre mim. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém. - Se me amas...


Epístola (I Pe 5, 1-4. 10-11) - Caríssimi: Senióres, qui in vobis sunt, óbsecro consénior et testis Christi passiónum, qui et ejus, quæ in futúro revelánda est, glóriæ communicátor: páscite qui in vobis est gregem Dei, providéntes non coacte, sed spontáneæ secúndum Deum, neque turpis lucri grátia, sed voluntárie; neque ut dominántes in cléribus, sed forma facti gregis ex ánimo. Et, cum apparúerit Princeps pastórum, percipiétis immarcescíbilem glóriæ corónam. Deus autem omnis grátiæ, qui vocávit nos in ætérnam suam glóriam in Christo Jesu, módicum passos ipse perfíciet, confirmábit solidabítque. Ipsi glória et impérium in sǽcula sæculórum. Amen.Caríssimos: Aos presbíteros que estão entre vós, exorto eu, presbítero como eles e testemunha dos padecimentos de Cristo, e participante da glória que há de ser revelada: apascentai o rebanho de Deus que vos está confiado, cuidando dele não por coação, mas de livre vontade, segundo Deus; não por amor de lucro vil, mas com generosidade de coração; não como dominadores sobre a herança de Deus, mas fazendo-vos modelos do rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, recebereis a coroa imarcescível da glória. O Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido um pouco, Ele próprio vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e consolidará. A Ele a glória e o poder por todos os séculos dos séculos. Amém.


Evangelho (Mt 16, 13-19) - In illo témpore: Venit Jesus in partes Cæsaréæ Philíppi, et interrogábat discípulos suos, dicens: Quem dicunt hómines esse Fílium hóminis? At illi dixérunt: Alii Joánnem Baptístam, álii autem Elíam, álii vero Jeremíam aut unum ex prophétis. Dicit illis Jesus: Vos autem quem me esse dícitis? Respóndens Simon Petrus, dixit: Tu es Christus, Fílius Dei vivi. Respóndens autem Jesus, dixit ei: Beátus es, Simon Bar Jona: quia caro et sanguis non revelávit tibi, sed Pater meus, qui in cælis est. Et ego dico tibi, quia tu es Petrus, et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam, et portæ ínferi non prævalébunt advérsus eam. Et tibi dabo claves regni cælórum. Et quodcúmque ligáveris super terram, erit ligátum et in cælis: et quodcúmque sólveris super terram, erit solútum et in cælis.Naquele tempo, veio Jesus para os lados de Cesareia de Filipe e interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que é o Filho do homem? Eles responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que Eu sou? Tomando a palavra, Simão Pedro disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Respondendo, Jesus disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas meu Pai que está nos céus. E Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: e tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares sobre a terra será desligado nos céus.

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