terça-feira, 27 de outubro de 2026

Vigília de São Simão e São Judas Tadeu, Apóstolos - 27 de Outubro

A Santa Igreja, qual mãe previdente que prepara os seus filhos para as grandes solenidades celestes, instituiu a prática das vigílias, dias de penitência, jejum e oração fervorosa que antecedem o triunfo dos santos. Neste dia vinte e sete de outubro, recolhemo-nos no silêncio da Vigília de São Simão, o Zelote, e São Judas Tadeu, o parente do Senhor. Estes dois intrépidos apóstolos da fé, após receberem o fogo do Espírito Santo no Pentecostes, não se detiveram nos confortos de sua pátria, mas partiram para iluminar as trevas da idolatria nas longínquas terras do Egito, da Mesopotâmia e da Pérsia, unindo por fim os seus sangues no glorioso martírio para selar a verdade que pregavam. As suas relíquias sagradas repousam sob as abóbadas da Basílica de São Pedro em Roma, aguardando o dia fulgurante da ressurreição, enquanto as suas almas intercedem no altar celeste por todos nós que ainda militamos neste vale de lágrimas.


Vede, meus amados irmãos, o abismo infinito que separa o mistério do Calvário das vãs encenações deste mundo que perece! No Santo Evangelho desta vigília, o próprio Filho de Deus levanta a voz e declara uma verdade que deveria fazer tremer os nossos ossos: (Eu sou a videira verdadeira, e vós os ramos). A vida da alma não brota da carne, nem das invenções engenhosas dos homens, mas desta seiva divina e sobrenatural que desce do madeiro da Cruz. Contudo, olhai ao vosso redor! Não vemos hoje erguer-se diante dos nossos olhos uma paródia da religião? Uma multidão que ostenta os estandartes da piedade, que repete velhas palavras sagradas e cultiva um oco ajuntamento humano, mas que secou completamente por dentro? É a tragédia invisível do nosso século: edifica-se um culto de pura fachada, onde a criatura mortal coroa a si mesma no centro do palco que pertence apenas ao Cordeiro Imolado. Neste triste teatro profano, a adoração reverente a Deus cede lugar a uma celebração ruidosa e sentimental da própria comunidade. O sacrifício cruento é banido da memória, substituído por agradáveis conveniências terrenas, e a doutrina imutável é diluída em meros pareceres transitórios. Prometem-vos uma fraternidade sorridente e inclusiva, mas entregam-vos um ramo cortado, fadado a secar e a ser lançado ao fogo, pois extirparam o fim sobrenatural para acomodar a fé aos confortos da época. Contra esta sedução perniciosa, levantam-se hoje as colunas mestras da verdadeira Igreja Católica: São Simão e São Judas Tadeu. Qual é a magna missão de um santo, senão ser a espada flamejante de Deus que decepa a grande mentira do seu tempo? Estes Apóstolos não vieram propor um humanismo rasteiro, mas entregaram os seus corpos aos verdugos para salvar as almas. Como nos diz São Paulo na Epístola de hoje, tornaram-se (um espetáculo para o mundo, para os Anjos e para os homens). Foram tidos por loucos, sofreram nudez, fome e bofetadas, suportando tudo para nos arrancar das garras da idolatria e dos erros venenosos dos primeiros hereges que já tentavam corromper o tesouro da revelação. Eles não buscaram os aplausos da terra, mas a coroa do céu; não fundaram um clube de afetos mundanos, mas plantaram a Igreja regando-a com o próprio sangue. Que contraste terrível e bendito! De um lado, a falsa videira do homem vaidoso, repleta de folhas estéreis; do outro, os ramos podados pela dor, unidos a Cristo, que produzem frutos para a vida eterna. Como nos adverte São João Crisóstomo, o templo de Deus não é um teatro onde se busca o entretenimento, mas a antecâmara do céu onde se opera a salvação. Despertemos, pois, do sono das falsas facilidades! Supliquemos nesta vigília sagrada que o Senhor nos mantenha firmemente enxertados na Sua graça, preferindo o combate ao lado dos Apóstolos à ilusória e mortal paz de um mundo submerso nas trevas.

← Voltar

Introito - (Sl 78, 11-12.10.1) Intret in conspéctu tuo, Dómine, gémitus compeditórum: redde vicínis nostris séptuplum in sinu eórum: víndica sánguinem Sanctórum tuórum, qui effúsus est. Ps. ibid., 1. Deus, venérunt gentes in hereditátem tuam: polluérunt templum sanctum tuum: posuérunt Jerúsalem in pomórum custódiam.Chegue à vossa presença, Senhor, o gemido dos cativos: pagai aos nossos vizinhos sete vezes mais no seu seio: vingai o sangue derramado dos vossos Santos. Salmo. Ó Deus, as nações invadiram a vossa herança: profanaram o vosso santo templo: reduziram Jerusalém a um montão de ruínas.


Epístola (1 Cor 4, 9-14) - Fratres: Spectáculum facti sumus mundo et Angelis et homínibus. Nos stulti propter Christum, vos autem prudéntes in Christo: nos infírmi, vos autem fortes: vos nobiles, nos autem ignóbiles. Usque in hanc horam et esurímus, et sitímus, et nudi sumus, et cólaphis cǽdimur, et instábiles sumus, et laborámus operántes mánibus nostris: maledícimur, et benedícimus: persecutiónem pátimur, et sustinémus: blasphemámur, et obsecrámus: tamquam purgaménta hujus mundi facti sumus, ómnium peripséma usque adhuc. Non ut confúndant vos, hæc scribo, sed ut fílios meos caríssimos móneo: in Christo Jesu, Dómino nostro.Irmãos: Tornamo-nos um espetáculo para o mundo, para os Anjos e para os homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vós sois prudentes em Cristo: nós somos fracos, mas vós sois fortes: vós sois nobres, nós, porém, ignóbeis. Até esta hora padecemos fome, e sede, e nudez, e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e fatigamo-nos trabalhando com as nossas próprias mãos: somos amaldiçoados, e abençoamos: padecemos perseguição, e suportamo-la: somos blasfemados, e oramos: até agora fomos feitos como o lixo deste mundo, a escória de todos. Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como a meus filhos caríssimos: em Cristo Jesus, nosso Senhor.


Evangelho (Jo 15, 1-7) - In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis: Ego sum vitis vera: et Pater meus agrícola est. Omnem pálmitem in me non feréntem fructum, tollet eum: et omnem, qui fert fructum, purgábit eum, ut fructum plus áfferat. Jam vos mundi estis propter sermónem, quem locútus sum vobis. Manéte in me: et ego in vobis. Sicut palmes non potest ferre fructum a semetípso, nisi mánserit in vite: sic nec vos, nisi in me manséritis. Ego sum vitis, vos pálmites: qui manet in me, et ego in eo, hic fert fructum multum: quia sine me nihil potéstis fácere. Si quis in me non mánserit, mittétur foras sicut palmes, et aréscet, et cólligent eum, et in ignem mittent, et ardet. Si manséritis in me, et verba mea in vobis mánserint: quodcúmque voluéritis, petétis, et fiet vobis.Naquele tempo: Disse Jesus aos seus discípulos: Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo o ramo que em mim não dá fruto, ele o cortará: e todo aquele que dá fruto, ele o podará, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Assim como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira: assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos: quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto: porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora como o ramo, e secará; e recolhê-lo-ão, e o lançarão no fogo, e arderá. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.

|
--