Santa Hedviges, duquesa da Silésia e da Polônia, desponta no firmamento da Igreja como um luminoso farol de nobreza não apenas temporal, mas supremamente sobrenatural. Nascida por volta do ano 1174 e dada em matrimônio ao duque Henrique I, de quem teve sete filhos, provou ao mundo que as coroas terrestres podem sujeitar-se ao suave jugo de Cristo. No centro das agitações de uma corte opulenta, sua alma refugiava-se no santuário interior de uma piedade ardente e de uma caridade inexaurível para com os mais desamparados. Com o coração transpassado pelo desejo das glórias invisíveis, abraçou uma humildade tão formidável que era vista caminhando descalça nas neves gélidas do inverno europeu, entregando o seu corpo à penitência e subjugando a carne aos ditames do espírito. Quando a morte arrebatou seu esposo em 1238, o véu das vaidades deste século rasgou-se por completo diante dos seus olhos; ela prontamente se retirou para recolher-se no mosteiro cisterciense que ela própria edificara, trocando a púrpura ducal pelas vestes austeras da mortificação. Ali, consagrou os últimos dias de sua peregrinação terrena vivendo como a última das servas de Deus, abstendo-se apenas dos votos solenes para poder dispor livremente de sua fortuna e saciar a fome dos miseráveis. Tendo exalado o seu último suspiro na paz do Senhor em 1243, repousa aguardando a trombeta final na venerável Basílica de Santa Hedviges, provando a todas as gerações que só encontra a verdadeira riqueza quem aprende a vender tudo por amor a Deus.
Olhai para as cortes e assembléias deste mundo e dizei-me: que fim levaram as glórias dos príncipes que alicerçaram sua esperança na poeira movediça do tempo? A Santa Igreja, Mãe sapientíssima que não cessa de nutrir seus filhos, apresenta-nos hoje o espetáculo formidável da vida de Santa Hedviges, revelando na carne desta gloriosa viúva o cumprimento da parábola do Evangelho. Tendo descoberto o tesouro escondido e a pérola de infinito valor da graça de Cristo, esta nobre alma apressou-se alegremente a alienar toda a ilusão das majestades terrestres para adquirir o campo santificado da oração e da renúncia. E como a missão de todo santo é cravar a espada do Espírito no coração das grandes ilusões de seu tempo, Santa Hedviges ergue-se contra a heresia perene do conforto e do mundanismo materialista. Ao caminhar com seus pés nus sobre a neve e lavar as feridas dos leprosos, a Duquesa esmaga sob os calcanhares aquele ídolo do orgulho que insiste em sufocar o vigor das almas modernas. Que contraste doloroso e terrível se revela ao compararmos a sua fé robusta com as inovações que hoje ameaçam o santuário! Vemos erguer-se diante de nós uma religião de máscaras e fumaça, mestre incomparável na encenação e nas artes do teatro terreno. Conservam-se as antigas colunas do templo e profere-se um doce palavreado sobre empatia e união dos homens; porém, no recôndito do altar, a direção foi invertida. O homem colocou a si mesmo no pináculo do edifício, banindo a rudeza da cruz para instaurar o reinado da comodidade. A doutrina incorruptível dos Apóstolos é rasteiramente diluída num tribunal de opiniões efêmeras, e a fé verdadeira degenera numa mera sensação morna e agradável de pertencer a um ajuntamento sociológico. Neste clube de consolações vazias, os meios naturais presidem a assembléia, enquanto o fim sobrenatural e a purificação do sacrifício são polidamente rejeitados à porta. Santa Hedviges condena esta paródia com o brado inaudível do seu hábito de viúva. Despertai, portanto, vós que adormeceis na falsa e anestesiante paz dos sentidos! Compreendei de uma vez por todas que as belezas da criação perdem todo o encanto quando a alma prova a doçura inefável do Céu. Façamos de nossas vidas, não um palco vazio para os aplausos dos homens, mas o campo comprado a preço de sangue, onde a nossa vontade corrompida seja arrancada e consumida para a eternidade.
Introito - (Salmos 118, 75. 120. 1) Cognóvi, Dómine, quia aéquitas judícia tua, et in veritáte tua humiliásti me: confíge timóre tuo carnes meas, a mandátis tuis tímui. Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini.Reconheci, Senhor, que os vossos juízos são a própria equidade e que com razão me humilhastes: traspassai a minha carne com o vosso temor, porque eu tremo diante dos vossos mandamentos. Bem-aventurados os imaculados no caminho: que andam na lei do Senhor.
Epístola (Prov 31:10-31) - Mulíerem fortem quis invéniet? Procul et de últimis fínibus prétium ejus. Confídit in ea cor viri sui, et spóliis non indigébit. Reddet ei bonum, et non malum, ómnibus diébus vitæ suæ. Quæsívit lanam et linum, et operáta est consílio mánuum suárum. Facta est quasi navis institóris, de longe portans panem suum. Et de nocte surréxit, dedítque prædam domésticis suis, et cibária ancíllis suis. Considerávit agrum, et emit eum: de fructu mánuum suárum plantávit víneam. Accínxit fortitúdine lumbos suos, et roborávit bráchium suum. Gustávit, et vidit, quia bona est negotiátio ejus: non exstinguétur in nocte lucérna ejus. Manum suam misit ad fórtia, et dígiti ejus apprehendérunt fusum. Manum suam apéruit ínopi, et palmas suas exténdit ad páuperem. Non timébit dómui suæ a frigóribus nivis: omnes enim doméstici ejus vestíti sunt duplícibus. Stragulátam vestem fecit sibi: byssus et púrpura induméntum ejus. Nóbilis in portis vir ejus, quando séderit cum senatóribus terræ. Síndonem fecit et véndidit, et cíngulum trádidit Chananǽo. Fortitúdo et decor induméntum ejus, et ridébit in die novíssimo. Os suum apéruit sapiéntiæ, et lex cleméntiæ in lingua ejus. Considerávit sémitas domus suæ, et panem otiósa non comédit. Surrexérunt fílii ejus, et beatíssimam prædicavérunt: vir ejus, et laudávit eam. Multæ fíliæ congregavérunt divítias: tu supergréssa es univérsas. Fallax grátia, et vana est pulchritúdo: múlier timens Dóminum, ipsa laudábitur. Date ei de fructu mánuum suárum: et laudent eam in portis ópera ejus. Quem encontrará uma mulher forte? Seu valor é maior do que o das pérolas que vêm dos confins do mundo. Nela confia o coração do marido, que por isso lhe não faltará proveito. Ela procurará praticar o bem, e não o mal, em todos os dias da sua vida. Ela procurará a lã e o linho, e, diligentemente, trabalhará neles com suas mãos. Ela é como um navio de mercador que traz de longe o seu pão! Levanta-se quando ainda é noite, e dá alimento à família e trabalho aos servos. Ela pensa em um campo, compra-o e planta uma vinha com o trabalho de suas mãos. Cinge com vigor os seus rins e esforça os seus braços. Examina e vê que seu negócio é bom e que sua lâmpada se não apagará durante a noite. Emprega suas mãos em trabalhos rudes e seus dedos no fuso. Estende a sua mão ao indigente e o seu braço ao pobre. Não receia na sua casa nem o frio, nem a neve, porque todos os criados têm roupa em duplo. Fabrica para si tapeçarias e faz os seus vestidos de bom linho e de púrpura. Seu marido será enobrecido, quando se sentar às Portas da cidade com os senadores da terra. Faz vestidos, que vende, e cintas, que entrega aos mercadores. Revestiu-se de coragem e de glória, e, alegre, aguarda o futuro. Fala com sabedoria e a sua língua é clemente. Vigia os caminhos de sua casa e não come o pão na ociosidade. Erguem-se seus filhos e a proclamam bem-aventurada, e seu marido a louva também: «Muitas filhas reuniram virtudes, mas tu excedeste-las». Enganadora é a graça e vã é a formosura. Só a mulher, que teme o Senhor, será louvada. Dai-lhe o produto de suas mãos, e que a louvem às portas da cidade, por causa das suas obras.
Evangelho (Mt 13, 44-52) - In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis parábolam hanc: Símile est regnum cælórum thesáuro abscóndito in agro: quem qui invénit homo, abscóndit, et præ gáudio illíus vadit, et vendit univérsa quæ habet, et emit agrum illum. Iterum símile est regnum cælórum homíni negotiatóri, quærénti bonas margarítas. Invénta autem una pretiósa margaríta, ábiit, et véndidit ómnia quæ hábuit, et emit eam. Iterum símile est regnum cælórum sagénæ missæ in mare, et ex omni génere píscium congregánti. Quam, cum impléta esset, educéntes, et secus litus sedéntes, elegérunt bonos in vasa, malos autem foras misérunt. Sic erit in consummatióne sæculi: exíbunt Angeli, et separábunt malos de médio justórum, et mittent eos in camínum ignis: ibi erit fletus, et stridor déntium. Intellexístis hæc ómnia? Dicunt ei: Etiam. Ait illis: Ideo omnis scriba doctus in regno cælórum símilis est homíni patrifamílias, qui profert de thesáuro suo nova et vétera.Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos esta parábola: "O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, esconde-o novamente e, cheio de alegria por causa disso, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo. O Reino dos Céus é também semelhante a um negociante que busca pérolas preciosas. Ao encontrar uma pérola de grande valor, ele vai, vende tudo o que tem e a compra. O Reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que recolhe peixes de toda espécie. Quando está cheia, os pescadores a puxam para a praia, sentam-se e separam os bons em cestos, mas jogam fora os maus. Assim será na consumação do século: os anjos virão e separarão os maus do meio dos justos, e os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isso?" Eles responderam: "Sim." Então, Jesus disse-lhes: "Por isso, todo escriba instruído no Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas."