quarta-feira, 9 de setembro de 2026

09 Setembro ✧ São Gorgônio, Mártir ✧ A confissão intrépida da fé diante da tirania do mundo

Introito - (Sl 63,11.2) Lætábitur justus in Dómino, et sperábit in eo: et laudabúntur omnes recti corde. Psalmus: Exáudi, Deus, oratiónem meam cum déprecor: a timóre inimíci éripe ánimam meam. Glória Patri...O justo alegrar-se-á no Senhor e porá n'Ele a sua esperança, e serão louvados todos os de coração reto. Salmo: Ouvi, ó Deus, a minha oração quando Vos suplico, livrai a minha alma do temor do inimigo. Glória ao Pai...


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São Gorgônio (†303) era dignatário de alta estima no palácio do imperador Diocleciano em Nicomédia, gozando de honras, riquezas e prestígio temporal. Quando se desencadeou o furor da perseguição contra os servos do Altíssimo, ele recusou renegar o Rei dos reis para comprazer a soberba dos césares terrenos, confessando abertamente o Salvador ao ver os seus irmãos de fé supliciados. Submetido a cruéis tormentos (o estiramento no cavalete, os flagelos com varas e o leito ardente de brasas sobre o qual foi derramado vinagre com sal), consumou a sua vitória na fogueira, demonstrando que a púrpura da corte nada vale ante o manto luminoso da imortalidade. O seu corpo sagrado foi mais tarde trasladado para a Cidade Eterna e sepultado na Catacumba ad Duas Lauros na Via Labicana, de onde a sua veneração se irradiou por toda a Cristandade como perene testemunho de inquebrantável fidelidade.

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Vede, amados irmãos, o contraste sublime entre a corte transitória dos príncipes deste mundo e o tribunal eterno do Juiz incorruptível. Que ilusão funesta cega as almas quando buscam a complacência humana, rebaixando a solenidade dos divinos mistérios e abafando as exigências da cruz para não ferir os ouvidos delicados do século. A sabedoria carnal sussurra incessantemente que é preciso pactuar, suavizar as verdades imperecíveis e trocar a aspereza do Calvário pelas delícias e aplausos mundanos, introduzindo sorrateiramente no recinto sagrado o veneno da condescendência com o erro. Mas o ilustre mártir Gorgônio proclama do alto de sua grelha ardente que não há concórdia possível entre Cristo e Belial. Como ensinava o Doutor Crisóstomo, a alma verdadeiramente enamorada de Deus prefere sofrer mil mortes a dissimular a confissão da Verdade, pois quem teme a morte do corpo esquece-se do fogo que não se apaga, mas quem teme a Deus despedaça as cadeias humanas com a soberana liberdade dos eleitos. O Evangelho ressoa sobre os telhados: tudo o que jaz oculto sob as conveniências humanas será revelado à luz meridiana do juízo, e aquele que se envergonhar da pureza do dogma e da integridade da fé diante dos homens perecerá desprovido de todo auxílio divino. Despertemos, pois, da letargia e do comodismo que anestesiam a piedade, abraçando com generosidade os opróbrios de Jesus Cristo, certos de que a palavra divina jamais permanece acorrentada e que a glória imarcescível está reservada unicamente àqueles que combatem o bom combate sem jamais ceder às seduções do presente século.


Epístola (2 Tm 2,8-10; 3,10-12) - Caríssime: Memor esto Jesum Christum Dóminum resurrexísse a mórtuis ex sémine David, secúndum Evangélium meum, in quo labóro usque ad víncula, quasi male óperans: sed verbum Dei non est alligátum. Ideo ómnia sústineo propter eléctos, ut et ipsi salútem consequántur, quæ est in Christo Jesu, cum glória cœlésti. Tu autem assecútus es meam doctrínam, institutiónem, propósitum, fidem, longanimitátem, dilectiónem, patiéntiam, persecutiónes, passiónes: quália mihi facta sunt Antiochíæ, Icónii, Lystris: quales persecutiónes sustínui, et ex ómnibus erípuit me Dóminus. Et omnes, qui pie volunt vívere in Christo Jesu, persecutiónem patiéntur.Caríssimo: Lembra-te de que o Senhor Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho, pelo qual suporto trabalhos até às cadeias, como um malfeitor, mas a palavra de Deus não está presa. Por isso tudo suporto por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória celeste. Tu, porém, acompanhaste de perto a minha doutrina, o meu modo de proceder, a minha intenção, a minha fé, a minha longanimidade, a minha caridade, a minha paciência, as minhas perseguições, os meus sofrimentos, tais como me sucederam em Antioquia, em Icônio, em Listra, que perseguições suportei, e de todas me livrou o Senhor. E todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus padecerão perseguição.


Evangelho (Mt 10,26-32) - In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis: Nihil est opértum, quod non revelábitur: et occúltum, quod non sciétur. Quod dico vobis in ténebris, dícite in lúmine: et quod in aure audítis, prædicáte super tecta. Et nolíte timére eos, qui occídunt corpus, ánimam autem non possunt occídere: sed pótius timéte eum, qui potest et ánimam, et corpus pérdere in gehénnam. Nonne duo pásseres asse véneunt: et unus ex illis non cadet super terram sine Patre vestro? Vestri autem capílli cápitis omnes numeráti sunt. Nolíte ergo timére: multis passéribus melióres estis vos. Omnis ergo qui confitébitur me coram homínibus, confitébor et ego eum coram Patre meo, qui est in cœlis.Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Nada há de encoberto que não venha a ser revelado, e nada de oculto que não venha a ser conhecido. O que vos digo nas trevas, dizei-o na luz, e o que escutais ao ouvido, pregai-o sobre os telhados. Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma, temei antes aquele que pode perder a alma e o corpo no inferno. Não se vendem dois passarinhos por um asse? Contudo, nem um só deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois, vós valeis mais do que muitos passarinhos. Todo aquele, pois, que me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.