terça-feira, 16 de junho de 2026

Leão XIV e a vitória da revolução: a nomeação de uma leiga para o Dicastério para a Comunicação

A senhora Alvarado e a vitória da engrenagem: o xis da questão

Vamos falar sobre a senhora Maria Montserrat Alvarado a partir do texto de Chris Jackson. Colocar essa figura conhecida da EWTN News no comando do Dicastério para a Comunicação não é apenas uma troca de papéis em cima da mesa. É a prova cabal de que o Papa Leão XIV não tem a menor intenção de desviar o barco da rota traçada por Francisco. Pelo contrário, ele firma a âncora. As pessoas andam gastando saliva para debater se ela é conservadora ou liberal, mas isso é errar o alvo por léguas. O verdadeiro quebra-cabeça é a própria máquina que agora permite, e até faz festa, por ter uma leiga sentada na cabeceira de um departamento da Cúria Romana. Isso nos mostra que a crise não é uma briga de torcidas entre progressistas e conservadores, mas uma linha no chão separando quem engoliu a transformação do Vaticano II e quem percebeu que a receita em si desandou.

Trocando o altar pelo escritório corporativo

Nos velhos tempos, os dicastérios eram governados por homens de colarinho. A autoridade de um sujeito para assinar papéis e tomar decisões vinha do seu sacerdócio e de uma farta dose de estudo teológico. O governo da Igreja e o altar caminhavam de braços dados pelas mesmas ruas. Hoje, parece que substituímos a hierarquia pela chefia de departamento, os clérigos por executivos e a teologia pelo traquejo de empresa.

Colocar uma leiga como a senhora Alvarado no comando não é um mero aceno educado à inclusão; é a secularização completa da tenda de comando. O Vaticano não faz segredo e justifica a escolha como a continuação do esforço de Francisco para colocar leigos e mulheres na roda. Não é um acidente de percurso, é o projeto funcionando feito um relógio. Noto que muitos conservadores andam jogando os chapéus para o alto apenas porque ela não seria progressista. Eles fazem a pergunta errada. A pergunta que um homem de juízo deveria fazer é: deve um leigo guiar uma carroça que foi construída para carregar a autoridade clerical? Se você diz que sim, já comprou a nova eclesiologia com porteira e tudo.

O beco sem saída dos conservadores

Esse negócio todo da nomeação expõe uma contradição um tanto cômica de gente como o jornalista Damian Thompson e seus pares. Por anos a fio, culparam Francisco por toda ferrugem que encontravam, jurando que bastava colocar as pessoas certas na direção para a viagem ficar mansa. Agora, Leão XIV mantém as exatas mesmas reformas e entrega as chaves para uma conservadora administrá-las. O que eles fazem? Batem palmas. Isso mostra que o conservadorismo aceitou em silêncio o livro de regras pós-conciliar, só não gostava dos excessos. A EWTN, que antes era a voz gritando resistência lá fora, agora fornece a executiva para tocar o escritório do lado de dentro.

O tradicionalismo olha para o motor e pergunta por que ele foi inventado para começo de conversa. Sabem que não dá para consertar um barco furado só trocando de capitão; é preciso recuperar aquela velha visão sacramental e missionária que sempre tivemos.

Uma mesma lógica espalhada por toda parte

Para entender o tamanho da coisa, basta notar que a lógica que coloca a senhora Alvarado na cadeira de governo é a exata mesma que opera em outros cantos. Veja o curioso caso do bispo Antonio Staglianò, que decidiu que "Imagine" de John Lennon é a música mais bela do mundo. Ele concordou com uma cantiga que sonha com um lugar sem religião, sem céu e sem inferno - uma ideia que dá de cara no muro da doutrina cristã e do valor do martírio. Quando um bispo minimiza a verdade objetiva assim, faz ecoar erros empoeirados como o marcionismo, aquela velha mania de colocar o Deus do Antigo Testamento em briga com Cristo. E, no fim do dia, quem leva a culpa pelos problemas da Igreja são os fiéis pacatos que só querem a Missa tradicional.

Se quiser outro exemplo da mesma doença, olhe para a Austrália. Uma escola católica mandou as alunas visitarem mesquitas e templos hindus, enrolarem-se em hijabs e participarem de práticas não católicas, tudo em nome do diálogo inspirado na Fratelli Tutti. Deixaram de fora pequenos detalhes como a conversão, a evangelização e a verdade exclusiva de Cristo. A mensagem é que todas as religiões pesam o mesmo na balança, o que é uma estrada asfaltada direto para o indiferentismo religioso.

A verdadeira natureza da vitória

A nomeação da executiva, o bispo cantarolando Lennon e a escola praticando sincretismo brotam da mesma raiz. Mostram uma Igreja que prefere ser a anfitriã educada de uma roda de conversa em vez de ser a mestra que ensina. A comunicação de escritório deu uma cotovelada na autoridade doutrinária e o diálogo tomou o lugar da missão. Leão XIV não está desmontando nada; está apenas contratando novos funcionários para manter a loja aberta.

E isso nos traz de volta à senhora Maria Montserrat Alvarado, o símbolo perfeito do nosso tempo. A revolução venceu a guerra institucional de forma astuta: o sistema pós-conciliar agora é muito bem administrado também pelos próprios conservadores. Para quem ainda acredita na Igreja de sempre, a verdade nua e crua está na frente do nariz: a restauração não vai cair do céu pendurando uma placa com um nome conservador na porta da Cúria, mas rejeitando a estrutura que causou a confusão.

Enquanto isso, o resto de nós - os que não engolimos a revolução - continuamos perdendo partidas na mesa de cartas. Mas a verdade, teimosa como é de seu feitio, permanece. E a Igreja que sempre foi ainda existe, mesmo que, no momento, pareça uma forasteira exilada em seu próprio lar.