Introito (Sl 131:9-10) - Sacerdótes tui, Dómine, índuant justítiam, et sancti tui exsúltent: propter David servum tuum, non avértas fáciem Christi tui... Meménto, Dómine, David: et omnis mansuetúdinis ejus.Que os vossos sacerdotes, Senhor, se revistam de justiça, e exultem os vossos Santos. Por amor de Davi, vosso servo, não afasteis o rosto do vosso Cristo... Lembrai-Vos, Senhor, de Davi e de toda a sua mansidão.
São Paulino, nascido em Bordéus por volta do ano 354 em uma das famílias mais ilustres e opulentas do Império Romano, experimentou todas as lisonjas do senado e dos palácios consulares antes de ser cativado de modo irresistível pela loucura da cruz. Tocado pela graça após a morte prematura de seu filho recém-nascido, ele e sua casta esposa, Teresa, decidiram liquidar suas vastas propriedades, distribuindo montanhas de ouro aos pobres para comprar o cêntuplo no céu. Ordenado sacerdote por aclamação popular e, mais tarde, elevado a Bispo de Nola, na província da Campânia, governou seu rebanho com uma doçura pastoral incomparável durante as terríveis devastações das invasões bárbaras, chegando ao heroísmo absoluto de oferecer a si mesmo como escravo aos vândalos para resgatar o filho de uma viúva desesperada. Este astro de caridade, poeta brilhante e amigo íntimo de grandes baluartes da fé, consumiu-se inteiramente pelo rebanho e adormeceu no Senhor no ano de 431, estando o seu venerável corpo sepultado e honrado ao longo dos séculos na gloriosa Catedral de Nola, e parte de suas relíquias na Igreja de São Bartolomeu na Ilha, em Roma.
Meus amados irmãos, a sagrada liturgia de hoje eleva aos céus um brado majestoso: "Que os vossos sacerdotes, Senhor, se revistam de justiça!" E qual foi a veste de justiça que adornou a alma grandiosa de São Paulino para o banquete eterno? Não foram as sedas do senado ou a púrpura das honrarias, mas a mesma veste humilde do nosso Divino Redentor: a pobreza heroica e o sacrifício! Vivemos hoje, infelizmente, em um século febril, embriagado pelo materialismo, onde corações anestesiados pelas comodidades fogem da austeridade evangélica como de uma peste letal. Pior ainda é o espetáculo tenebroso de ver esse espírito rasteiro tentar infiltrar-se nos recintos sagrados, com vozes lisonjeiras que sussurram um cristianismo sem renúncia; lobos travestidos de pastores que buscam rebaixar as verdades eternas e o culto imutável a Deus para agradar às plateias deste mundo, trocando a majestade do calvário por aplausos humanos. Mas eis que o altar de Deus esmaga essas ilusões! O Glorioso Apóstolo, na Epístola, desvenda o núcleo do mistério: "Sendo rico, Cristo fez-Se pobre por vós, para que pela Sua pobreza fôsseis enriquecidos". O Verbo eterno desceu das alturas celestiais e não encontrou na terra um berço de marfim! Como ousam, pois, os cristãos exigir um paraíso de conforto onde o Rei dos Reis foi coroado de espinhos? O Doutor da Graça, Santo Agostinho, admirando a valentia de seu amigo Paulino, nos adverte que aquele que confia no ouro constrói sobre a areia de um mundo que passa, mas aquele que transfere suas riquezas para as mãos calejadas dos pobres edifica uma fortaleza invencível. Esta foi a suprema missão de nosso Santo: esmagar, sob os pés descalços da caridade, a idolatria do naturalismo de seu tempo, que prometia a felicidade longe da cruz. Ouvi o que diz o próprio Cristo no Evangelho de hoje: "Não temais, pequeno rebanho! Fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus". Onde o ladrão não chega, onde a traça não corrói, ali deve estar o coração daquele que foi lavado no sangue do Cordeiro. Ó almas chamadas à imortalidade! Rompei as correntes macias deste mundo decadente! Rejeitai com vigor as inovações sedutoras que anestesiam o fervor; abraçai as santas tradições da Mãe Igreja, amai a pobreza de espírito e depositai a vossa esperança apenas na glória que não murcha, para que, combatendo as vaidades no tempo presente, possais exultar na companhia dos santos na eternidade sem fim!
Epístola (2 Co 8, 9-15) - Irmãos: Sabeis bem quão generoso foi nosso Senhor Jesus Cristo; Ele que era rico, fez-Se pobre por vós, para que pela Sua pobreza fôsseis enriquecidos. E nisto vos dou o meu conselho, pois vos convém a vós, que já desde o ano passado começastes não só a fazer, mas até a ter vontade de o fazer. Agora, pois, levai também a obra a efeito; para que, assim como o vosso ânimo foi pronto na vontade, assim o seja também na execução, segundo as vossas posses. Porque, se há a boa vontade, ela é bem aceita segundo o que se tem, e não segundo o que se não tem. Pois não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós, opressão; mas para que haja igualdade. No tempo presente, a vossa abundância supra a falta deles, para que também a abundância deles supra a vossa falta, e assim haja igualdade, como está escrito: O que colheu muito, não teve de sobejo; e o que colheu pouco, não teve falta.
Evangelho (Lc 12, 32-34) - Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino. Vendei o que possuís e dai esmola. Fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, aonde o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.