segunda-feira, 15 de junho de 2026

15 JUN ✧ Santos Vito, Modesto e Crescência, mártires ✧ a tribulação dos justos contra a idolatria do mundo

Introito (Salmos 33, 20-21) - Multæ tribulatiónes justórum, et de his ómnibus liberávit eos Dóminus: Dóminus custódit ómnia ossa eórum: unum ex his non conterétur. Benedícam Dóminum in omni témpore: semper laus ejus in ore meo.

No alvorecer do quarto século, quando as trevas do paganismo ainda tentavam sufocar a luz nascente da Igreja com o derramamento de sangue, brilhou na Sicília o testemunho formidável de um menino chamado Vito. Acompanhado por seu fiel preceptor, Modesto, e por sua piedosa ama, Crescência, o jovem nobre recusou as lisonjas sedutoras e as ameaças cruéis de seu próprio pai, um influente pagão, preferindo o exílio e as torturas à hedionda traição de seu batismo. Fugindo para a Lucânia e sendo depois arrastados a Roma, estes três lírios de pureza e fortalezas de martírio consumaram o seu sacrifício nas garras da impiedosa perseguição de Diocleciano, entregando as suas almas purificadas a Deus por volta do ano 303. O eco de suas vitórias imortais atravessou as brumas do tempo e encontrou repouso duradouro no coração da Cristandade, sendo hoje venerados de modo especial na antiquíssima Igreja dos Santos Vito e Modesto em Roma, onde as pedras silenciosas ainda murmuram a glória insuperável daqueles que abraçaram a morte temporal para não ceder à apostasia.


Muitas são as tribulações dos justos! Eis o brado do Introito que ressoa hoje no altar, rasgando como um raio as ilusões pacíficas, porém mortais, deste século. Vede, caríssimos irmãos, o abismo intransponível que separa a sabedoria augusta da cruz e a cegueira covarde do mundo! A leitura do Livro da Sabedoria nos assegura que as almas dos justos estão firmes nas mãos de Deus, e nenhum tormento as tocará, ainda que aos olhos dos insensatos pareçam perecer. Que contraste terrível e luminoso! Enquanto a mentalidade de nossa triste época, avessa a qualquer sacrifício e alérgica à imutável doutrina, amontoa para si mesma falsos doutores para ouvir fábulas lisonjeiras que justifiquem suas paixões desordenadas, um frágil menino e seus humildes preceptores humilharam a arrogância colossal de um império sanguinário. A vocação destes três gloriosos mártires foi justamente levantar um estandarte de fogo contra a idolatria que exigia do cristão uma rendição aos caprichos do Estado e do pensamento vigente. Não percebeis vós o mesmo veneno circulando sorrateiramente hoje? Há uma força perniciosa que tenta corromper o redil sagrado por dentro, travestindo o divino para mendigar aplausos humanos e rebaixando o culto majestoso do Altíssimo a um laboratório de inovações, numa tentativa diabólica de adaptar a religião aos vícios da terra. A heresia de ontem exigia o incenso material aos ídolos de bronze; os erros sutis de hoje exigem que a própria Esposa de Cristo se despoje de sua reverência bimilenar para agradar aos homens. Mas o Senhor Jesus, com voz de trovão, nos adverte no Evangelho: "Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza". A fé católica, legada a preço de sangue, não é um enfeite maleável às correntes corrompidas do tempo! O grande Santo Agostinho nos recorda que de nada serve ostentar o nome de cristão se o coração do adorador está secretamente atado aos prazeres passageiros. Os tormentos físicos que Vito, Modesto e Crescência sofreram são espelhos da ascese e da vigilância que todos devemos abraçar contra as falsas luzes que tentam anestesiar a nossa consciência. Olhai para o Sacrifício incruento sobre o altar! Ali está a Vítima perfeita, a antítese absoluta do comodismo que assola a cristandade. Que as escamas da mornidão caiam de vossos olhos! Não vos alegreis com as vãs honrarias terrenas, mas exultai porque vossos nomes estão escritos no Céu. Que o sangue destes heróis da fé desperte as nossas almas do sono letárgico, para que, combatendo virilmente as falácias mascaradas que se infiltram em nossos dias, possamos atravessar as tribulações deste exílio e repousar na glória invencível do único e verdadeiro Deus.

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Introito (Salmos 33, 20-21) - Muitas são as tribulações dos justos, e de todas elas os livrou o Senhor: o Senhor guarda todos os seus ossos: nenhum deles será quebrado. Bendirei ao Senhor em todo o tempo: o seu louvor estará sempre na minha boca.

Epístola (Sabedoria 3, 1-8) - As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam: e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós, como um extermínio: mas eles estão na paz. E, se diante dos homens padeceram tormentos, a sua esperança está cheia de imortalidade. Depois de uma leve provação, receberão uma grande recompensa, porque Deus os provou e os achou dignos de si. Como ouro no crisol, Ele os provou, e os aceitou como vítima de holocausto, e, no tempo da sua visita, resplandecerão, e correrão como centelhas no meio da palha. Julgarão as nações, e dominarão os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre.


Evangelho (Lucas 10, 16-20) - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos despreza, a mim despreza. E quem me despreza, despreza aquele que me enviou. Voltaram os setenta e dois com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos submetem. Ele lhes disse: Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Eis que vos dei o poder de pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano. Contudo, não vos alegreis de que os espíritos vos estejam sujeitos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.