domingo, 14 de junho de 2026

Terceiro Domingo depois de Pentecostes (na Oitava do Sagrado Coração) ✧ o bom pastor e a ovelha resgatada do erro

Introito (Sl 24, 16.18.1-2) - Réspice in me, et miserére mei, Dómine: quóniam únicus et pauper sum ego: vide humilitátem meam, et labórem meum: et dimítte univérsa delícta mea. Psalmus. Ad te, Dómine, levávi ánimam meam: Deus meus, in te confído, non erubéscam.


Neste Terceiro Domingo depois de Pentecostes, iluminado pelos fulgores da Oitava do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia nos transporta das glórias inefáveis do cenáculo para os prados onde o divino Pastor apascenta o Seu rebanho. Nos primeiros tempos, as almas recém-batizadas meditavam estas passagens sagradas nos subterrâneos e nas antigas basílicas romanas, sabendo que o abrigo seguro contra as feras estava fundamentado unicamente na rocha inabalável da Igreja. Hoje, em espírito de profunda reverência, dirijamo-nos à Basílica de São Pedro, erguida magistralmente sobre o túmulo daquele a quem o próprio Cristo confiou as Suas ovelhas. Ali recordamos que, fora deste redil sagrado e imutável, só há o deserto do erro, da confusão e da morte; mas dentro dele pulsa a infinita misericórdia daquele Coração transpassado que não descansa até encontrar a dracma perdida e trazer de volta aos ombros a ovelha desgarrada.

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Contemplai, ó almas atentas, o contraste formidável que a liturgia nos apresenta neste dia santo! De um lado, o mundo murmura obscuramente como os fariseus e escribas do Evangelho, incapazes de compreender o mistério da salvação. O espírito altivo deste século clama incessantemente por uma religião de facilidades e comodidades, almejando banir o peso redentor da cruz e extinguir a pureza do sacrifício perfeito; os filhos do nosso tempo, inebriados por promessas passageiras e paixões rasteiras, aglomeram ao seu redor falsos oradores que lhes afagam os ouvidos com fábulas palatáveis, diluindo as exigências absolutas do Calvário para mendigar uns poucos aplausos e a efêmera aprovação dos homens. Acaso não vedes, sob a máscara de uma compaixão enganosa, a tentativa funesta de amoldar a puríssima Esposa de Cristo aos vícios da terra, injetando venenos sutis nas veias da sã e antiga doutrina? Mas, do outro lado, ergue-se majestoso o Bom Pastor! Ele não rebaixa as Suas leis eternas nem altera a retidão de Suas sendas para satisfazer a carne rebelde. Pelo contrário, desce aos abismos profundos, aos vales densos de espinhos onde a ovelha obstinada se enredou por culpa própria. O Príncipe dos Apóstolos nos adverte com clareza na Epístola: o adversário ronda como leão a rugir, buscando a quem tragar. E como ele nos traga nos dias de hoje? Pela ilusão das novidades, pelo abrandamento generalizado da fé e por aqueles que, infelizmente, buscam aplausos e glórias humanas nos corredores outrora resguardados pelo silêncio sagrado. Refugiemo-nos prontamente sob a poderosa mão de Deus! O grande São Gregório Magno nos instrui que a ovelha resgatada é a própria humanidade enferma, posta amorosamente sobre os ombros feridos do Redentor. Não exijamos que o rebanho se dissipe nos abismos do mundo para parecer tolerável aos olhos dos iníquos; roguemos, antes, para que a dracma do nosso coração, manchada pela poeira das concessões mundanas, seja novamente purificada e cunhada com o selo radiante do Rei Eterno. Assim, despertaremos a festa gloriosa dos Anjos no Céu, celebrando o triunfo definitivo da graça imutável sobre a amarga ruína do pecado.

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