Introito - Státuit ei Dóminus testaméntum pacis, et príncipem fecit eum: ut sit illi sacerdótii dígnitas in ætérnum. Meménto, Dómine, David: et omnis mansuetúdinis ejus. Glória Patri...O Senhor estabeleceu com ele uma aliança de paz, e o fez príncipe, para que tenha a dignidade do sacerdócio eternamente. Lembrai-vos, Senhor, de Davi e de toda a sua mansidão. Glória ao Pai...
No alvorecer cristão da Gália do quarto século, São Libório brilhou como um farol inabalável na diocese de Le Mans, governando o rebanho de Cristo por quase meio século. Contemporâneo e amigo íntimo de São Martinho de Tours - que esteve presente em seu leito de morte no ano de 397 - Libório foi um incansável construtor de igrejas e ordenou um vasto número de sacerdotes para dissipar as trevas do paganismo e combater os desvios doutrinários que ameaçavam a nascente cristandade na Europa. Como um bom pastor que vai à frente de suas ovelhas, ele desbravou um mundo hostil com a cruz em uma mão e o arado do Evangelho na outra. Seus veneráveis restos mortais, símbolos vivos da catolicidade, repousam hoje na magnífica Catedral de Paderborn, na Alemanha, para onde foram transladados no século nono, forjando uma antiquíssima e eterna aliança espiritual entre dois povos sob o patrocínio de um mesmo pai na fé.
Olhai atentamente para a sabedoria oculta no altar, meus irmãos! O que o Justo Juiz nos ensina hoje através do Evangelho e da vida de seus santos pastores? Será que o Senhor do universo, que distribui os talentos da graça e parte aguardando o nosso lucro espiritual, coroará aquele que buscou as sombras confortáveis do comodismo? Ah, como o espírito deste século nos engana! Respiramos um ar venenoso que sussurra aos nossos ouvidos uma religião feita de facilidades, uma cruz sem pregos, um altar despojado de sua oblação dolorosa. Vemos, com profundo pesar, a sagrada herança ser diluída em ensinamentos tépidos, onde a ânsia de arrancar os sorrisos e a aprovação dos homens supera largamente o santo temor de ofender a majestade de Deus. A astúcia do antigo adversário não ruge mais apenas nas arenas sangrentas; ela adentra os próprios átrios sagrados, desfigurando imperceptivelmente o antigo depósito da fé sob a roupagem enganosa de uma condescendência que tudo tolera, exceto a verdade. Mas contemplai a resposta divina em São Libório! A magna vocação de todo santo é erguer-se como uma muralha intransponível contra as ruínas e as vaidades de sua própria época. Onde havia a ameaça da ignorância e as sutilezas venenosas dos primeiros erros de seu tempo, ele semeou a solidez da sã doutrina. O santo Bispo não enterrou a moeda preciosa da fé no chão sujo do respeito humano, mas a multiplicou edificando santuários e formando sacerdotes. O grande Santo Agostinho bem nos adverte que o vigia que cala diante da aproximação do lobo não é pastor, mas mercenário. E vós, que tendes feito com os talentos recebidos no Batismo? Enterrareis o tesouro inestimável da nossa fé litúrgica e doutrinal para escapar ao escárnio de um mundo que passa como fumaça? Não queiramos ser o servo inútil! Que os nossos corações se apaixonem novamente pelas verdades eternas, que não fogem ao sacrifício, mas nele encontram a vida. Renunciemos ao falso conforto mundano, para que, no grandioso e tremendo dia do ajuste de contas, possamos ouvir da boca amorosa do nosso Salvador aquela dulcíssima sentença: Bem está, servo bom e fiel; entra no gozo do teu Senhor!
Epístola (Eclo 44,16-27; 45,3-20) - Eis o grande sacerdote que, em seus dias, agradou a Deus e foi achado justo; e no tempo da ira foi feito reconciliação. Não se encontrou outro semelhante a ele na observância da lei do Altíssimo. Por isso, o Senhor jurou-lhe engrandecê-lo na sua descendência. Concedeu-lhe a bênção de todos os povos e confirmou a sua aliança sobre a sua cabeça. Reconheceu-o nas suas bênçãos, conservou-lhe a sua misericórdia e ele achou graça diante dos olhos do Senhor. Engrandeceu-o diante dos reis, deu-lhe uma coroa de glória e estabeleceu com ele uma aliança eterna. Deu-lhe o grande sacerdócio e tornou-o feliz na glória. Para exercer as funções sacerdotais, ter louvor em seu nome e oferecer-lhe um incenso de digno odor.
Evangelho (Mt 25,14-23) - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: Um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um; a cada qual segundo a sua capacidade, e logo partiu. O que recebera cinco talentos foi negociar com eles, e ganhou outros cinco. Da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas o que recebera um, foi cavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. Chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei com eles. Respondeu-lhe o seu senhor: Bem está, servo bom e fiel; porque foste fiel no pouco, dar-te-ei o governo sobre o muito; entra no gozo do teu senhor. Chegou também o que recebera dois talentos, e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei com eles. Respondeu-lhe o seu senhor: Bem está, servo bom e fiel; porque foste fiel no pouco, dar-te-ei o governo sobre o muito; entra no gozo do teu senhor.