Princesa na corte da Suécia, Santa Brígida provou que a coroa da santidade não exige a fuga imediata do mundo, mas a sua perfeita ordenação a Deus. Esposa fidelíssima e mãe de oito filhos, entre os quais Santa Catarina da Suécia, ela caminhou pelas estradas da vida familiar com os olhos fixos na eternidade. Após uma devota peregrinação a Compostela, abraçou a viuvez não como o fim de sua utilidade, mas como um novo e radical começo de consagração. Despojando-se das sedas reais e dos confortos terrenos, vestiu o áspero hábito da penitência e fundou a Ordem do Santíssimo Salvador. Em Roma, onde consumiu seus últimos dias, suas intensas orações lhe alcançaram terríveis e sublimes revelações sobre a Paixão de Cristo e a condição espiritual da Cristandade. Seu corpo sagrado repousou primeiramente na Igreja de São Lourenço em Panisperna, testemunhando o fervor de uma alma que, alertando os homens contra o amor desordenado de si mesmos, construiu sua fortaleza espiritual sobre a rocha inabalável da Cruz do Calvário.
Olhai ao vosso redor, ó cristão: não percebeis como a astúcia do inimigo mudou de tática? Antigamente, ele perseguia a Fé com o fio da espada; hoje, ele tenta esvaziá-la por dentro, mantendo as paredes do templo de pé, mas roubando-lhe o altar. Criou-se, diante de nossos olhos letárgicos, um arremedo de religião, um imenso e belo teatro onde as palavras divinas ainda ecoam nos domingos, mas nos bastidores é o coração do homem que adora a si mesmo. Nesta feira de vaidades com roupagem sagrada, a assembleia celebra a própria comunhão mundana, o supremo sacrifício cede lugar a um banquete humanista e a severa cruz é trocada por um sentimentalismo de clube social. A doutrina que purifica e salva? Acaba reduzida a um amontoado de opiniões amáveis, para não ofender o espírito do século. O céu e a eternidade? Cordialmente convidados a se retirarem em favor do bem-estar terreno e da facilidade. Contudo, quando a fumaça dessa ilusão ameaça sufocar as almas, o Senhor suscita faróis brilhantes, forjados no fogo da verdade incontestável, para dissipar a névoa. Santa Brígida foi essa lâmina cortante contra a grande peste de seu tempo: a mundanização da vida espiritual e o afrouxamento moral da hierarquia. O Evangelho de hoje nos lança um desafio estupendo: o Reino dos Céus é o tesouro oculto, a pérola preciosíssima. Que homem sensato, ao ver o brilho inextinguível dessa joia divina, agarrar-se-ia a pedrinhas de vidro? Brígida compreendeu este mistério formidável. Abandonou as cortes suntuosas e vendeu tudo o que possuía (sua honra nobre, suas riquezas, o seu próprio eu) para comprar aquele campo manchado com o Sangue do Cordeiro. Como nos lembra o Doutor Magno, aquele que prova a doçura do céu logo sente repugnância das ilusões da terra, renunciando aos apetites da carne para abraçar a luminosa disciplina celestial. E que contraste esmagador nos apresenta o Apóstolo São Paulo na Epístola! A verdadeira viúva não é aquela que vive das simpatias humanas e do ócio, mas a que, destituída de arrimo terreno, lança toda a sua âncora no Altíssimo, consumindo-se em lágrimas e vigílias. A falsificação da fé te convida a relaxar e a seguir o luxo; a verdadeira Igreja adverte, com severidade materna, que a alma entregue aos prazeres do mundo, mesmo respirando, já é um cadáver a caminho da perdição. Brígida, com suas admoestações aos poderosos e com as chagas do Senhor gravadas na mente, arrancou a máscara da cristandade morna. Ela foi a rede do Evangelho, ajuntando os corações arrependidos e alertando os hipócritas sobre a fornalha da justiça final. O que escolhereis hoje, alma imortal? A encenação passageira que adula o teu orgulho, ou a humilde e crucificada submissão que te eleva às moradas eternas? Desperta do sono, vende o teu egoísmo e permite que o Mestre tire do teu coração renascido tesouros de glória sem fim.
Cognóvi, Dómine, quia ǽquitas judícia tua, et in veritáte tua humiliásti me: confíge timóre tuo carnes meas, a mandátis tuis tímui.
Ps 118:1
Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini.
℣. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.
℟. Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen.
Cognóvi, Dómine, quia ǽquitas judícia tua, et in veritáte tua humiliásti me: confíge timóre tuo carnes meas, a mandátis tuis tímui.
Conheço, Senhor, que os vossos juízos são equitativos e que me humilhastes com justiça. Esmagai as minhas carnes com vosso temor; os vossos Mandamentos inspiram-me temor.
Sl 118, 1
Bem-aventurados aqueles que são imaculados nos seus caminhos e cumprem a lei do Senhor.
℣. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.
℟. Como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.
Conheço, Senhor, que os vossos juízos são equitativos e que me humilhastes com justiça. Esmagai as minhas carnes com vosso temor; os vossos Mandamentos inspiram-me temor.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Dómine, Deus noster, qui beátæ Birgíttæ per Fílium tuum unigénitum secreta cœléstia revelásti: ipsíus pia intercessióne da nobis, fámulis tuis; in revelatióne sempitérna glóriæ tuæ gaudére lætántes.
Per eúndem Dóminum nostrum Jesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
℟. Amen.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
Senhor, nosso Deus, que pelo vosso Unigénito Filho revelastes os segredos celestiais à B. Brígida, concedei-nos, já que somos vossos servos, que nos alegremos na felicidade da contemplação da vossa eterna glória.
Pelo mesmo Jesus Cristo vosso Filho, Nosso Senhor que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
℟. Amém.
Léctio Epístolæ beáti Pauli Apóstoli ad Timótheum.
Caríssime: Víduas honóra, quæ vere víduæ sunt. Si qua autem vídua fílios aut nepótes habet, discat primum domum suam régere, et mútuam vicem réddere paréntibus: hoc enim accéptum est coram Deo. Quæ autem vere vídua est et desoláta, speret in Deum, et instet obsecratiónibus et oratiónibus nocte ac die. Nam quæ in delíciis est, vivens mórtua est. Et hoc prǽcipe, ut irreprehensíbiles sint. Si quis autem suórum, et máxime domesticórum curam non habet, fidem negávit, et est infidéli detérior. Vídua eligátur non minus sexagínta annórum, quæ fúerit uníus viri uxor, in opéribus bonis testimónium habens, si fílios educávit, si hospítio recépit, si sanctórum pedes lavit, si tribulatiónem patiéntibus subministrávit, si omne opus bonum subsecúta est.
℟. Deo grátias.
Lição da Epístola do Bem-aventurado Apóstolo Paulo a Timóteo.
Caríssimos: Honrai as viúvas que são verdadeiramente viúvas. Se alguma viúva tem filhos ou netos, ensine-os, primeiramente, a governar a sua casa e a retribuir a seus pais conforme o que havia recebido deles; porque tal é a vontade de Deus. Aquela viúva, que é verdadeiramente viúva e vive só, espere em Deus e persevere noite e dia em suas súplicas e preces. Porém, aquela viúva que vive nas delícias, não está viva, mas sim morta. Fazei-lhes, pois, saber isto, a fim de que sejam irrepreensíveis. Se alguém se não interessa pelos seus, e principalmente pelos de sua casa, nega a fé e é pior do que um infiel. Que a viúva, que for escolhida, não tenha menos de sessenta anos, nem haja tido mais do que um marido, e que tenha reputação de ter praticado boas obras; que tenha educado os seus filhos; praticado a hospitalidade; lavado os pés aos santos; socorrido os aflitos; e, enfim, praticado toda a espécie de boas obras.
℟. Graças a Deus.
Diffúsa est grátia in labiis tuis: proptérea benedíxit te Deus in ætérnum.
℣. Propter veritátem et mansuetúdinem et justítiam: et dedúcet te mirabíliter déxtera tua. Allelúja, allelúja.
Spécie tua et pulchritúdine tua inténde, próspere procéde et regna. Allelúja.
A graça espalhou-se nos vossos lábios: eis porque Deus vos abençoou para a eternidade.
℣. Por causa da vossa verdade, mansidão e justiça, a vossa dextra praticará maravilhas. Aleluia, aleluia.
Caminhai, pois, com beleza e com majestade; ide gozar a vitória e reinai. Aleluia.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Sequéntia ☩ sancti Evangélii secúndum Matthǽum.
℟. Glória tibi, Dómine.
In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis parábolam hanc: Símile est regnum cœlórum thesáuro abscóndito in agro: quem qui invénit homo, abscóndit, et præ gáudio illíus vadit, et vendit univérsa, quæ habet, et emit agrum illum. Íterum símile est regnum cœlórum hómini negotiatóri, quærénti bonas margarítas. Invénta autem una pretiósa margaríta, ábiit, et véndidit ómnia, quæ hábuit, et emit eam. Íterum símile est regnum cœlórum sagénæ missæ in mare et ex omni génere píscium congregánti. Quam, cum impléta esset, educéntes, et secus litus sedéntes, elegérunt bonos in vasa, malos autem foras misérunt. Sic erit in consummatióne sǽculi: exíbunt Angeli, et separábunt malos de médio justórum, et mittent eos in camínum ignis: ibi erit fletus et stridor déntium. Intellexístis hæc ómnia? Dicunt ei: Etiam. Ait illis: Ideo omnis scriba doctus in regno cœlórum símilis est hómini patrifamílias, qui profert de thesáuro suo nova et vétera.
℟. Laus tibi, Christe.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Continuação ☩ do santo Evangelho segundo São Mateus.
℟. Glória a Vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: «O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, o qual um homem acha e esconde; e, alegre com o achado, vai, vende tudo o que tem e compra o campo. Igualmente o reino dos céus é semelhante a um negociante, que busca pedras preciosas; e, achando uma de grande preço, vai, vende tudo o que tem e compra-a. O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, prende toda a casta de peixes, e, estando já cheia, os pescadores a puxam para a praia, escolhem os bons peixes para os vasos e deitam fora os maus. Assim será no fim dos séculos: virão os Anjos e separarão os maus do meio dos justos e os lançarão na fornalha do fogo, onde não haverá senão fogo e ranger de dentes. Haveis compreendido tudo isto?». «Sim», responderam eles. E Jesus disse-lhes: «Por esta razão todo o escriba douto no que diz respeito ao reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira dos seus tesouros cousas novas e velhas».
℟. Louvores a Vós, ó Cristo.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Diffúsa est grátia in lábiis tuis: proptérea benedíxit te Deus in ætérnum, et in sǽculum sǽculi.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
A graça espalhou-se nos vossos lábios: por isso Deus vos abençoou para a eternidade e para todos os séculos.
Dilexísti justítiam, et odísti iniquitátem: proptérea unxit te Deus, Deus tuus, óleo lætítiæ præ consórtibus tuis.
Amastes a justiça e odiastes a iniquidade: eis porque o Senhor, vosso Deus, vos ungiu com o óleo da alegria, de preferência às vossas companheiras.
℣. Dóminus vobíscum.
℟. Et cum spíritu tuo.
Orémus.
Satiásti, Dómine, famíliam tuam munéribus sacris: ejus, quǽsumus, semper interventióne nos réfove, cujus sollémnia celebrámus.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
℟. Amen.
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. E com o teu espírito.
Oremos.
Havendo Vós, Senhor, saciado a vossa família com vossos dons sagrados, dignai-Vos favorecer-nos sempre com a intercessão daquela cuja festa celebrámos.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
℟. Amém.