Introito - (Sl. 78. 11, 12, 10; 78. 1) Intret in conspéctu tuo, Dómine, gémitus compeditórum: redde vicínis nostris séptuplum in sinu eórum: víndica sánguinem sanctórum tuórum, qui effúsus est. (Ps. 78. 1) Deus, venérunt gentes in hereditátem tuam: polluérunt templum sanctum tuum: posuérunt Jerúsalem in pomórum custódiam. ℣. Glória Patri...Chegue à vossa presença, ó Senhor, o gemido dos cativos; retribuí aos nossos vizinhos sete vezes mais, em seu seio; vingai o sangue dos vossos Santos, que foi derramado. (Sl. 78. 1) Ó Deus, os gentios invadiram a vossa herança, profanaram o vosso santo templo, reduziram Jerusalém a uma choupana de pomar. ℣. Glória Patri...
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Nos anais purpúreos da Igreja, o dia de hoje resplandece com o sangue de três diletos de Cristo, que sofreram os flagelos da perseguição de Diocleciano no início do quarto século. Santa Eufêmia, virgem de inabalável pureza, foi entregue aos tormentos na Calcedônia; após sair ilesa das chamas e da roda de navalhas, entregou sua casta alma a Deus ao ser lançada às feras, tornando-se mais tarde o grande baluarte da ortodoxia no Concílio que ali se realizaria. Lúcia, nobre viúva septuagenária, e Geminiano, a quem ela mesma convertera das sombras do paganismo para a luz do Evangelho, foram coroados com o martírio na própria Roma, consumando seu testemunho pela espada. Os restos sagrados da Virgem da Calcedônia repousam, após muitos traslados por causa da fúria iconoclasta, na majestosa Basílica de Santa Eufêmia (em Rovinj, Croácia), onde seu corpo é objeto de ininterrupta veneração secular, desafiando a corrupção do tempo e a efemeridade das glórias humanas.
Vede, meus irmãos, as testemunhas de Cristo, que hoje se levantam do pó para julgar a nossa frouxidão! Hoje, o mundo corrompido aplaude uma religiosidade de casca, onde o envelope está impecavelmente polido, mas a carta divina foi furtada. Quantos não constroem santuários que parecem igrejas católicas, guardam as canções festivas e proferem intermináveis e doces louvores à camaradagem terrena? Mas, se olharmos com os olhos do espírito, o motor dessa máquina trabalha para o abismo. Enquanto o autêntico Templo de Deus arranca nossos olhos da lama e nos amarra à Cruz do Redentor, essa paródia de religião ergue um ídolo de carne e põe o próprio homem no trono do altar. O rito antiquíssimo, outrora temível e tremendo, degenera numa mera roda de aplausos sociais. As verdades imutáveis que fizeram tremer os impérios são dissolvidas em conveniências rasas, e a fé - ah, a fé! - decai para um sentimento morno, um mero crachá de pertencimento a um grêmio. Quando o bem-estar toma o leme, o sagrado é exilado. Santas Eufêmia, Lúcia e o glorioso Geminiano não derramaram o seu sangue rubro por um clube de confortos! A grande vocação dos mártires é desferir um golpe mortal contra os delírios de sua época. Eufêmia esmagou com sua castidade a idolatria estatal de Roma, e a tal ponto o fez, que o Altíssimo usou suas próprias relíquias para esmagar as heresias séculos depois. Como atesta o Evangelho de hoje, eles abraçaram a pobreza, as lágrimas e o opróbrio. Eles desprezaram as facilidades de um mundo que odeia o sacrifício. Que contraste terrível! A falsa ovelha clama por tapetes macios e prazeres efêmeros, mas os verdadeiros Santos, revestidos de glória eterna, nos recordam que a verdadeira Liturgia não é a celebração das nossas vaidades, mas a união assombrosa com o Cordeiro Imolado.
Epístola (Sb 3, 1-8) - Justórum ánimæ in manu Dei sunt, et non tanget illos torméntum mortis. Visi sunt óculis insipiéntium mori: et æstimáta est afflíctio éxitus illórum: et quod a nobis est iter, extermínium: illi autem sunt in pace. Et si coram homínibus torménta passi sunt, spes illórum immortalitáte plena est. In paucis vexáti, in multis bene disponentur: quóniam Deus tentávit eos, et invénit eos dignos se. Tamquam aurum in fornáce probávit eos, et quasi holocáusti hóstiam accépit eos, et in témpore erit respéctus illórum. Fulgébunt justi, et tamquam scintíllæ in arundinéto discúrrent. Judicábunt natiónes, et dominabúntur pópulis, et regnábit Dóminus illórum in perpétuum.
As almas dos Justos estão nas mãos de Deus, e o tormento da morte não as tocará. Pareceu aos olhos dos insensatos que iam morrer. Seu trânsito deste mundo foi considerado como uma infelicidade, e a sua separação de nós, uma calamidade, porém eles estão em paz. E se sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está toda na imortalidade. Depois de uma leve tribulação receberão uma grande recompensa, porque Deus os provou e os achou dignos de Si. Provou-os como ao ouro na fornalha: recebeu-os como holocaustos. E a seu tempo os olhará benignamente. Então os Justos resplandecerão e brilharão como centelhas que correm pelo canavial. Eles julgarão as nações e dominarão os povos; e o Senhor será Rei sobre eles, para sempre.
Evangelho (Luc. 6, 17-23) - In illo témpore: Descendens Jesus de monte, stetit in loco campéstri, et turba discipulórum ejus, et multitúdo copiósa plebis ab omni Judǽa et Jerúsalem, et marítima, et Tyri, et Sidónis, qui vénerant, ut audírent eum et sanaréntur a languóribus suis. Et, qui vexabántur a spirítibus immúndis, curabántur. Et omnis turba quærébat eum tángere: quia virtus de illo exíbat, et sanábat omnes. Et ipse, elevátis óculis in discípulos suos, dicébat: Beáti, páuperes: quia vestrum est regnum Dei. Beáti, qui nunc esurítis: quia saturabímini. Beáti, qui nunc fletis: quia ridébitis. Beáti éritis, cum vos oderint hómines, et cum separáverint vos et exprobráverint, et ejécerint nomen vestrum tamquam malum, propter Fílium hóminis. Gaudéte in illa die et exsultáte: ecce enim, merces vestra multa est in cœlo. Naquele tempo: Descendo Jesus do monte, parou num lugar plano. Havia ali numerosos discípulos seus e uma grande multidão de povo de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e de Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e serem curados das suas enfermidades. E os que eram atormentados por espíritos imundos ficavam curados. E toda a multidão procurava tocá-lo, porque saía dele uma virtude que a todos sarava. E Ele, levantando os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque rireis. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, e quando vos expulsarem, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque eis que é grande a vossa recompensa no céu.