Introito - Loquébar de testimóniis tuis in conspéctu regum, et non confundébar: et meditábar in mandátis tuis, quæ diléxi nimis. Ps. 118, 1 Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. Glória Patri...Falava dos vossos testemunhos na presença dos reis, e não me envergonhava: e meditava nos vossos mandamentos, que eu amava soberanamente. Sl. Bem-aventurados os imaculados no caminho: que andam na lei do Senhor. Glória ao Pai...
Nascida em 1890 na pequenina Corinaldo e mais tarde transladada para as rudes terras de Ferriere di Conca, na Itália, Santa Maria Goretti desabrochou como um lírio puríssimo em meio à extrema pobreza e ao duro trabalho do campo. Educada em uma piedade robusta, esta jovem camponesa contava apenas onze anos de idade quando enfrentou a fúria e as propostas infames de Alessandro Serenelli. Ameaçada pelo frio aço de um punhal, não recuou um único milímetro diante da morte para preservar intacto o véu de sua castidade, bradando heroicamente contra o agressor que cometer tal ato era pecado mortal que o conduziria ao inferno. Atingida por quatorze brutais facadas, sucumbiu no dia 6 de julho de 1902, não sem antes perdoar de todo o coração o seu algoz e prometer rogar por ele no paraíso, alcançando-lhe uma milagrosa conversão anos mais tarde. Elevada às honras dos altares em 1950, pelo Papa Pio XII, numa cerimônia que contou com a comovente presença de sua própria mãe, seus restos mortais gloriosos repousam sob o altar do Santuário de Nossa Senhora das Graças e Santa Maria Goretti, em Nettuno, como estandarte perpétuo da vitória da graça sobre a tirania da carne.
Qual é a grande e repulsiva febre que consome a mentalidade dos nossos tempos, meus irmãos? É a desesperada fuga da cruz e a deificação dos instintos terrenos! A alma contemporânea, encharcada pela lisonja e seduzida por facilidades letais, repudia o áspero combate espiritual. Notai como este veneno penetrou de forma sub-reptícia, disfarçando-se de prudência mundana, buscando moldar a religião para que seja mais doce ao paladar dos homens do que fiel à majestade de Deus. Modificam-se os discursos, esvaziam-se as verdades absolutas e adapta-se o jugo divino para não ofender os corações apegados ao abismo. Mas, contra este pântano sufocante, o Senhor ergue o formidável farol do martírio de Santa Maria Goretti! A formidável missão que esta frágil menina desempenha é a de esmagar, sob os pés de sua pureza ensanguentada, a abominável ilusão sensualista do nosso século, provando que o corpo não é um vil instrumento de deleite, mas um cálice sagrado destinado à glória eterna. Ouvi o seu brado de gratidão ecoar na Epístola de hoje! É ela quem louva o Senhor por tê-la livrado das garras do leão pronto para devorá-la, por não ter permitido que o seu corpo perecesse na lama da iniquidade! A verdadeira virgindade, atestam os gigantes da patrística sagrada como Santo Ambrósio, não é a mera esterilidade da carne, mas a integridade da fé, um amor indiviso e ardente por Jesus Cristo. Ao preferir o frio do punhal à lepra invisível do pecado mortal, a pequena mártir tornou-se a encarnação vivíssima da virgem prudente do Santo Evangelho. Enquanto tantos hoje dormem entorpecidos pelo espírito do mundo, segurando as lâmpadas apagadas de uma religião sem sacrifício, Maria Goretti manteve o azeite de sua fidelidade a arder em chamas altíssimas no meio da tempestade. Arrancai, pois, as vossas raízes da corrupção deste mundo moribundo! Desprezai a ilusão de um cristianismo aguado que tenta harmonizar a luz inacessível com as trevas do século! Levantai-vos para a peleja, armados de castidade corajosa e de um horror implacável ao pecado, para que, quando o Esposo celestial chegar na calada da noite, vos encontre de pé, com as vossas lâmpadas fulgurantes, prontos para entrardes no resplendor indescritível das núpcias eternas.
Epístola (Eclo 51, 1-8 e 12) - Louve-vos eu, Senhor Rei, e bendiga-vos a vós, Deus, meu Salvador. Louvarei o vosso nome, porque vós fostes meu auxílio e meu protetor, e livrastes o meu corpo da perdição, do laço da língua iníqua, e dos lábios dos que maquinam a mentira; e, à vista dos que me cercavam, fostes o meu amparo. E me livrastes, segundo a grandeza da misericórdia do vosso nome, dos rugidos dos leões que estavam preparados para me devorar; das mãos dos que procuravam tirar-me a alma e das muitas aflições que me rodearam; do embate do fogo que me circundou, e do meio do fogo em que não me queimei; das profundezas do inferno, da língua imunda, e da palavra mentirosa, de um rei iníquo e da língua injusta. A minha alma louvará ao Senhor até a morte: porque, Senhor, vós livrais os que esperam em vós, e os salvais das mãos das gentes.
Evangelho (Mt 25, 1-13) - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: O Reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo e da esposa. Cinco delas eram loucas, e cinco prudentes. Mas as loucas, tendo tomado as lâmpadas, não levaram azeite consigo. As prudentes, porém, levaram azeite nas suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. E, tardando o esposo, toscanejaram todas e adormeceram. À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o esposo que chega; saí-lhe ao encontro. Então se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. As prudentes responderam, dizendo: Não, para que não falte a nós e a vós; ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. Mas, enquanto elas foram comprá-lo, chegou o esposo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as núpcias, e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos. Mas ele, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que não vos conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.