Introito - (Jr 18, 20) Recordáre, Virgo Mater, in conspéctu Dei, ut loquáris pro nobis bona, et ut avértat indignatiónem suam a nobis. ℣. Exáudi, Dómine, justítiam meam: inténde deprecatiónem meam. ℣. Glória Patri...Lembrai-vos, ó Virgem Mãe, na presença de Deus, de falar em nosso favor, para que Ele afaste de nós a sua indignação. ℣. Ouvi, Senhor, a minha justiça: atendei à minha súplica. ℣. Glória ao Pai...
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No dia 19 de setembro de 1846, nas encostas escarpadas dos Alpes franceses, a Santíssima Virgem Maria dignou-se aparecer a duas humildes crianças camponesas, Maximino Giraud e Melânia Calvat. Envolta em uma luz resplandecente, que eclipsava o próprio sol, a Mãe de Deus revelou-se banhada em amargas e incessantes lágrimas. Ela lamentava o peso esmagador do braço de seu Filho, gravemente ofendido pelos pecados mortais da humanidade, em especial a terrível blasfêmia contra o Santo Nome e a generalizada violação do repouso no Dia do Senhor. A aparição, de denso caráter escatológico e penitencial, convocou os cristãos a abandonarem as vaidades do mundo, exortando-os à oração fervorosa, ao jejum rigoroso e à conversão de vida, sob o aviso de severos castigos caso a impenitência persistisse. O cume sagrado deste pranto celestial, hoje conhecido como o Santuário de Nossa Senhora de La Salette, converteu-se num imponente farol de reconciliação, onde a misericórdia infinita continua a atrair corações arrependidos para debaixo do manto da Rainha dos Profetas.
(Estavam junto à cruz de Jesus sua mãe). Eis o mistério insondável que une o topo sangrento do Calvário aos cumes solitários de La Salette: a Mãe que não foge da dor, mas permanece de pé, imersa no mar do sofrimento redentor. Pergunto-vos, ó cristãos: o que faz chorar a Rainha dos Anjos? Por que vertem pranto aqueles olhos puros que outrora contemplaram a majestade da Ressurreição? Ela chora porque o mundo, embriagado pelas futilidades de um século doente, virou o rosto para a cruz. Contemplamos hoje a assombrosa ascensão de um simulacro religioso, uma imitação vazia que veste as roupagens da piedade, mas renega o seu poder. Nesta abominação disfarçada de rebanho, os templos mantêm as suas portas abertas e os coros entoam cantos harmoniosos de afeto horizontal, contudo, a espinha dorsal do sagrado foi rompida. A glória do Altíssimo é sorrateiramente destituída para que o capricho humano assuma o trono supremo. O altar místico, outrora temido como o lugar onde o Cordeiro é imolado, rebaixa-se a um mero tablado de encontros puramente sociológicos, onde o silêncio adorador é asfixiado pelo ruído do entretenimento banal. O fim escatológico de salvar as almas das chamas do inferno é abafado; a severa e curativa doutrina dos Apóstolos cede espaço ao delírio das aprovações passageiras, e a virtude teologal da fé corrompe-se num sentimentalismo estéril de aceitação mútua. Contra essa insidiosa praga do naturalismo moderno - que silencia o sobrenatural e faz zombaria da lei divina - a Virgem de La Salette desce das alturas. Ela atua como a trombeta de Deus para despertar as consciências letárgicas. Como nos adverte São Bernardo, se a Estrela do Mar se afasta, o navio da alma naufraga nas tempestades do orgulho. A Epístola nos recorda que o Pai das misericórdias nos consola nas tribulações, mas exige que os sofrimentos de Cristo transbordem em nós. Não vos deixeis seduzir pela ilusão de um cristianismo sem renúncia! Enquanto a noiva autêntica de Cristo arranca violentamente o pecador do lodo e o eleva ao Criador através da penitência, a versão falsificada acaricia suas paixões e o empurra, inebriado de falsas pazes, direto para o abismo. Lavai, pois, nas lágrimas da Mãe as manchas de vossa frouxidão; abraçai com vigor a loucura da cruz e fazei das vossas vidas um sacrifício agradável ao Deus que não aceita ser escarnecido.
Epístola (2 Co 1, 3-5) - Benedíctus Deus et Pater Dómini nostri Jesu Christi, Pater misericordiárum, et Deus totíus consolatiónis, qui consolátur nos in omni tribulatióne nostra: ut possímus et ipsi consolári eos qui in omni pressúra sunt, per exhortatiónem, qua exhortámur et ipsi a Deo. Quóniam sicut abúndant passiónes Christi in nobis: ita et per Christum abúndat consolátio nostra. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que se acham em qualquer tribulação. Pois, assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, assim também por meio de Cristo transborda a nossa consolação.
Evangelho (Jo 19, 25-27) - In illo témpore: Stabant juxta crucem Jesu mater ejus, et soror matris ejus, María Cléophæ, et María Magdaléne. Cum vidísset ergo Jesus matrem, et discípulum stantem, quem diligébat, dicit matri suæ: Múlier, ecce fílius tuus. Deínde dicit discípulo: Ecce mater tua. Et ex illa hora accépit eam discípulus in sua. Naquele tempo: Estavam junto à cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, vendo a sua mãe e, junto dela, o discípulo que ele amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe. E daquela hora em diante o discípulo a recebeu em sua casa.